REFLEXÃO

Desbravar possibilidades, sem dúvida, é uma das irrefragáveis vocações humanas. Até porque, como disse alguém, é no futuro que passaremos os restos das nossas vidas. Ademais, a própria luta pelos sentidos das coisas, ou melhor, essa agonística existencial em busca do real nos exige, sim, algo mais que meros movimentos. São imprescindíveis ações-pensadas. Acreditar por acreditar é coisa de ingênuo ou de atoleimado.

O estalar de sóis nas noites dos absolutos, nos fundamentalismos de todo gênero, mostrará não só a fragilidade de muitas de nossas crenças, mas derruirá mesmo certas partes de nossos museus mentais que para nada servem senão fabricar intolerâncias, preconceitos, racismos e violências as mais rasteiras.

No frigir dos ovos, quero dizer o seguinte: a vida não é uma patuscada; ela requer de todos nós projetos nos quais os outros também estejam contemplados e nossas imaginações, portanto, à Roland Barthes, devem buscar os SABORES das coisas, um pouco de conhecimento, outro tanto de sabedoria e nenhum poder. De modo que reiteramos: desbravar possibilidades é uma das irrefragáveis vocações humanas.