Recatada Cíntia:
    À tua razoável inspiração correspondem a clareza, a brevidade, o perfeito uso gramatical.  Se teus trabalhos não se mostram tão inspirados como os de outros literatos, concedem-nos a certeza de que és muito franca e espontânea e honesta no que escreves.

   Ceifa os excessos beletristas, poda o ambiente demasiado "colorido", sufoca com sabedoria e impiedade essa profusão de infiel beleza.  Seus fiéis leitores por certo aplaudiremos. 

     Acima, a abundância.  Abaixo, as carências:
   Faltou satanidade e angelitude.  Faltou o silêncio das palavras nunca ditas --- apenas sussurradas. 

  Faltaram enfim felicidade, êxtase patético, orgia petalada, sândalo nascente e algum milagre maior, como mãe. 

   Porque elaborados com subpalavras ou mesmo palavras, porém jamais com as superpalavras que sublimam até o imetaforizável --- os teus textos passarão.
 
    E porque carregam a sabedoria dos outonos, mas não o encanto das primeiras flores da primavera, por isso eles se fixarão no tempo e no espaço, não transitando nunca pela Eternidade. 
     
   Resta-nos, todavia, uma alegria simples e autêntica: compartilhar de tua presença no Recanto.  Não nos orfanize nunca, Cíntia!


 
Enviado por Jô do Recanto das Letras em 13/10/2009
Reeditado em 24/07/2013
Código do texto: T1864758
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