COMENTÁRIO DE JOAQUIM MONCKS

Olá, amigos!

Recebi este comentário-presente do Joaquim Moncks e fiquei tão emocionado e honrado, que resolvi partilhá-lo com os que por ventura passarem por aqui.

Como tive dúvida ao classificar a categoria do texto, publiquei-o como "Mensagens".

Muito obrigado, Joaquim!

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Meu poema:

CARRUAGENS

Carruagens desgovernadas

despenham-se ladeira abaixo!

A fúria cega dos homens,

das suas coisas esdrúxulas...

A vida transfigurada

num emaranhado de nós...

Mina viva de bravura, força e astúcia,

monto ágil, determinado e másculo

sobre seus cavalos brancos,

pronto a detê-los todos!

Amarga ilusão vaidosa

esfacelada sob as ferraduras...

Enviado por Marco Aurelio Vieira em 15/10/2011

Código do texto: T3277601

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COMENTÁRIO:

24/04/2012 23:43 - Joaquim Moncks

Confrade Marco! Que estejas bem e em paz com os teus afetos. Como se trata de nosso (de minha parte) primeiro encontro neste Recanto, agradeço os teus inteligentes e bem humorados recadinhos e comentários. Estou gostando de tua verve coloquial e - percebo - fogosa de interlocução. Também me agrada a tua busca de conhecimentos, que - parece-me - tens encontrado em alguns de meus escritos aqui publicados. Fico muito feliz e lisonjeado. Grato, muito agradecido... O "Carruagens", acima, me agradou muito pela linguagem enxuta e rasamente codificada (pela ausência do mergulho vertical e polivalente das figuras de linguagem, especialmente as METÁFORAS), ao menos no início da peça, e, na medida em que se escoam os versos, criptografa-se a Palavra para construir as imagens, fosso definidor da linguagem poética, em todos os tempos. Pena que em quase todos os teus versos (já li umas 20 obras, incluindo vários sonetos) haja uma interferência muito forte da primeira pessoa, denunciando o criador/narrador, que passa a fazer parte - fortemente - do contexto. Seria necessário, na 'transpiração', que é o segundo momento de criação - na qual deve predominar o exercício intelectivo - uma maior preocupação com a "despersonalização" do contextual da peça, mesmo que se saiba, por definição, que em Poesia ocorre um subjetivismo que a caracteriza, como quer o Prof. Massaud Moisés, da USP, cabeça lúcida no assunto da Criação Literária. E isso ocorre muito mais no SONETO do que no POEMA, que é o exemplar do gênero, na contemporaneidade, já vão cerca de 90 anos, no Brasil... Percebo, rasamente, também, que há uma característica importante na tua Poética: a UNIVERSALIDADE. O teu verso (em geral) não é apenas bilateral (o Eu e Tu) e, sim, busca o próximo, como na dicção bíblica. E esse apanhado da dimensão humana leva à CONFRATERNIDADE. Esse "esfacelar-se sob as ferraduras" é denunciador do que falo... Sê muito bem-vindo ao meu coração antigo. O poetinha JM.

Para o texto: CARRUAGENS (T3277601)

Marco Aurelio Vieira
Enviado por Marco Aurelio Vieira em 25/04/2012
Reeditado em 25/04/2012
Código do texto: T3632027
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