UM GRANDE AMOR – Morte do Medo

Quatro “cavalos”. Quatro cores. E um só inimigo a vencer: o medo.

Este texto foi escrito pelo Tex em outra vida de Escrivaninha e em outro espaço virtual.

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I)

Você o viu, e ele era o Cavalo Amarelo.

Ele mentia com seus relinchos, que proclamavam a morte, ameaçando você e tentando fazer parecer que o inferno estava chegando junto com ele.

Ele dizia: não saia durante o dia.

Você suou, desmaiou. E durante todo esse processo sofreu, temendo o vazio.

Alguns seres iguais a você tentaram prestar socorro com bombardeios químicos, outros aconselharam o fim da independência – ou até mesmo nenhuma autonomia para a vida.

Um dia você percebeu que se olhasse nos olhos do cavaleiro veria a si próprio, em lugar de um desconhecido.

Foi então que você procurou e amou - como nunca - alguém que quis ser o seu par. Sentiu a sinergia.

Você ainda estava com vida.

O cavalo e o cavaleiro mentiam, você entendeu por alguns instantes.

II)

Você o viu, e ele era o Cavalo Vermelho.

Narinas fumegantes, seu bafejo preocupou, hipnotizou você até que ficasse furioso.

Inebriado, você pensou que o mundo era o inimigo.

O ciúme era alimento para você, a quem vida parecia injusta por não se reconhecer no espelho como uma pessoa mais bela e mais afortunada.

Você brigou com quem era justamente o amor de sua vida.

Armado com palavras de acusação, você oscilou entre a pureza e a maldade. E não gostou do que sentiu.

No entanto, alguém surpreendeu e amou você como nunca.

Refeito por algum tempo, você percebeu que o cavalo e o cavaleiro mentiam.

III)

Você o viu, e ele era o Cavalo Preto.

Aquele que cavalgava esse animal tinha na mão uma balança e julgava você.

Era pesado esse julgamento, pois, segundo ele, você não merecia ser feliz.

Você se sentia agora culpado por não pensar segundo as opiniões alheias. E porque gostava de cores, lugares e passatempos nada populares, além de ter amizades raras e isoladas. E você não era tribal nem se confundia com a multidão, pois ela às vezes se comportava como uma manada.

Os preceitos dessa balança, na mão do cavaleiro, diziam que o conforto de não ter opinião em meio à festa é melhor do que estar sozinho por ser diferente.

E, sendo assim, você sempre sentia que devia ser punido. Tinha urticárias, padecia com a insônia. Mas você assim preferia, pois temia uma noite com pesadelos.

Até que você ajudou outro alguém a superar uma noite de insônia, alguém que não dormia porque sonhava acordado... com o momento em que você chegaria. E, num instante que parecia eterno, ambos se enxergaram como nunca haviam sido enxergados por outro ser humano.

Foi então que você sentiu, por alguns instantes, o quanto era pleno de vida.

O cavalo e o cavaleiro, naquele momento, pareciam a você apenas uma estátua na praça, a falar de uma guerra jamais vivida.

Você dormiu e acordou sem ter tido pesadelos. Por momentos, entendeu que eles mentiam e que o mundo os ajudava nisso.

IV)

Você o viu, e ele era o Cavalo Branco.

Nele a luz do sol (ou até mesmo a da lua) refletia com esplendor.

Um grande espelho se plasmava no horizonte que você contemplava.

Você se enxergou naquele cavalo.

E se deu conta de que o amor de sua vida se enfronhava em você, e no momento seguinte era você quem cavalgava o seu amor. Vocês haviam aprendido algo quando dormiram abraçados ainda sob a ilusão que você próprio havia tido do cavaleiro negro que havia pregado a última mentira.

O amor havia desabrochado.

E a confiança no futuro encorajou você.

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Meu irmão. Minha irmã.

Somente o amor verdadeiro desnuda o estado que você pode e deve assumir:

- o de ser plenamente feliz, ao mergulhar na completude do encontro com “a metade” que veste você com o próprio corpo, numa fusão que desmente as dualidades e torna vocês Um Só.

É nesse lapso criado, para além do tempo-espaço, que você presencia a morte do medo.

Agora, vá e ceda os seus medos ao prazer de uma grande e sincera companhia.

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(Tex, por ele mesmo.)