SILÊNCIO NO AMOR

Evaldo da Veiga

O silêncio que fala, 
bem distante do silêncio sem vida..
Que haja a indiferença do mundo,
se ausente a indiferença por si mesmo.

Há como se sair da sucumbência,
por graça da vida e do esforço pessoal.
Não é o prazer que se anseia gozar
que foge, somos nós que escapamos do prazer.

Não existe só viver o amor e ir vivendo,
sim, preparar o viver.
A vida da o alimento em estado latente
e deixa á vida da gente por acontecer...
 
Somos nós que damos vida ao alimento,
mais ainda ao amor.
Puras delícias não dependem do acaso vazio,
fazemos o acaso.

Gozar é vigiar, sintonizar
e olhar com os olhos de ver.
Tão fácil perceber a beleza que nos cerca,
expressas nas coisas simples: o sorriso da criança,
a dança da borboleta em processo de sedução...

A beleza ostenta-se em abundância, o entrave de ver
é a desorganização de si e do todo. Indolência, 
desvalorização de vida, algo tão cruel tal o vicio das drogas.

Tocar na namorada e sentir a namorada sendo tocada,
é diferente de fazer amor na sensação de desfrutar o ócio.
A namorada é um mundo de emoções num corpo com
caminhos planetários. Distâncias incríveis de prazer...
Em se reparando e sentindo verdadeiramente,
a namorada é fonte de prazer inesgotável.
Ela existe, em especial, pra dar e receber
atenção, carinho e amor; que se manifesta também,
em dando umazinha, tipo assim,
de chegar ao mundo dos dois.


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