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Refúgio (1ªParte) - Domingos Ferreira

         ‘Homossexualidade não tem cura, porque não é uma doença.
                                  Mas o Preconceito tem’.

 
 
 
Mensagem...
Aceitar que se é homossexual pode levar vários anos. Alguns de nós, provavelmente já tiveram a esperança de que estes sentimentos fossem "só uma fase". Com o tempo, apercebemo-nos que na verdade o que vamos sentindo não é temporário. Acabamos por descobrir que temos de encontrar uma forma de nos aceitar e lidarmos com o facto de que iremos ser julgados por todos ao nosso redor.
Algumas pessoas descrevem esta altura de aceitar a sua sexualidade, como se estivessem numa montanha russa. Um dia sentem-se felizes e confiantes, prontas para contar a todos… no dia seguinte, sentem-se confusas, apavoradas e aliviadas por não terem contado a ninguém.
 
 
 
 
 
      ‘A sua orientação sexual não se exprime através do que você faz,
                        mas, sim através do que você sente!’

 
 
 
 
 
   
              "O desejo de ser feliz! com a conquista de um futuro."

                Chamo-me Rúben. Nasci, cresço e vivo sempre a aprender. Aprendo o que penso já saber.  Nos meus primeiros dias de vida nada sabia sobre mim. Ao nível que vou crescendo vou também apresentando-me a mim próprio.
É forte o sentimento do qual sinto vontade de me libertar. Foram dias de assédio, meses de marcas negras, e anos de desprezo.
Quer conhecer a minha história? Quer saber os meus sonhos e segredos? Seja Bem-Vindo ao meu Refúgio.
Mil e uma coisas já me passaram pela cabeça. Várias tentativas de morte foram executadas. Alguma delas resultou? Não! As grandes hemorragias provocadas por mim, em mim, não me levaram a conhecer a morte.
Quer conhecer a causa de todo este sofrimento? O porquê de tentar morrer? O porquê de desistir desta maneira? É verdade, a minha história tem muitos ‘porquês’, e poucos ‘comos’.
No presente, a minha pessoa não é muito elegante. Tenho 32 anos, meço 170cm, e peso 100Kg. Visto-me de uma forma pouco atraente, devido às minhas condições económicas. A minha sexualidade é um pouco diferente da maioria da sociedade, pelo menos é o que me fazem sentir. Diferente dos outros rapazes, das outras pessoas… diferente de você. Sou um rapaz Homossexual. Vivo num pequeno celeiro com os meus pais e com as minhas irmãs. E quando digo celeiro, não me refiro ao típico celeiro onde se guarda a palha. Refiro-me ao celeiro que encontramos abandonada no meio do nada.
No passado, eu sempre me senti um pouco diferente dos outros rapazes. Desde criança que adorava andar com meninas. Nunca fui o típico rapaz que gostava de jogar futebol. Foi há 19 anos atrás, com 13 anos, que senti uma forte ligação por alguns rapazes da minha escola mais concretamente da minha turma. Sentia a necessidade de os 'explorar'. Mas nunca pensei que esse sentimento me levasse à pessoa que sou hoje. Nunca pensei, que esse acontecimento, me trouxesse a felicidade que hoje me persegue.
Era na escola que passava os dias mais solitários. O meu desejo de 'exploração' aumentava a cada dia que olhava para cada um dos rapazes que frequentava a minha turma. Quando fazíamos educação física, era sempre dos primeiros a sair, quando não mesmo o primeiro.
Tinha amigos? Não! Quando mais precisava de ajuda, alguém vinha até mim? Não! O que tinha? Tinha-me a mim! Era forte o suficiente para aguentar todos aqueles sentimentos? Tentava ser. Quem sabia se o dia seguinte não seria o dia da liberdade? Quem sabia se não seria naquele momento que o meu maior desejo se fosse concretizar?! Seria naquele momento que eu descobriria o local mais alto da Terra? Esperava que sim!
Gostaria de saber porquê a mim?
Sim, gostava! Gostava de saber porque é que você me escolheu para criticar. Gostava de perceber se realmente tenho ou faço algo de errado quando estou perto de si. Não é uma boa sensação o sentimento de desconforto que se apresenta em mim no meu quotidiano.
Quer saber o que é ser Homossexual? Quer saber como é viver com mil e uma críticas diárias? Quer saber como é ser rejeitado dentro do meio onde vivemos? Eu conto-lhe! Está pronto?
A certa altura da nossa vida, quando estamos a contruir a nossa personalidade, começamo-nos a aperceber do que queremos para o nosso futuro. Questionamo-nos sobre o que queremos ser, como queremos ser.... É também nesta altura que nos apercebemos de quais serão os nossos gostos sexuais. Começamo-nos a questionar se iremos gostar de pessoas do nosso sexo, ou do outro sexo. No meu caso, apercebi-me que me sentia mais confortável a partilhar uma vida só com um Homem. Contudo, existem muitas pessoas que não compreendem que não é preciso ter medo de mim, e a cuja ‘doença sem cura’, que é o nome que você atribuí a esta ‘diferença’, não se apega, nem é considerada uma doença. Ser Homossexual é uma das várias decisões que ainda não são totalmente aceites pela sociedade, sociedade essa que ainda está muito fechada no passado e não comenta com a geração seguinte a existência deste modo de vida. Viver numa sociedade com este tipo de atitudes não é fácil, pois, apesar de ser uma pessoa como outra qualquer, vou ser sempre criticado por cada passo que dê.
De todos os episódios ocorridos na minha vida, o que mais me afetou foi quando tentei aproximar-me dos meus colegas, e as suas reações foram de rejeição e desprezo. As primeiras palavras que me disseram refletiram-se em mim como se de uma avalanche se tratasse. ‘Paneleiro, gordo, rotundinha, anormal, feio, imbecil, redondinho’. Mas querem saber o que realmente me magoou? Foi o que senti depois daquelas palavras. Foi sentir o que é ser abandonado. E porquê? Se o Ser Humano fosse feito para viver o seu dia a dia sozinho, Deus só tinha criado Adão. Mas de facto, criou não só Adão, mas também Eva, para que ela pudesse ser o seu refúgio. Refúgio esse que apagaria todas as suas mágoas. Refúgio esse que estaria pronto para lhe mostrar o quão valioso ele é. Refúgio esse que não iria deixar de o amar por mais coisas que as pessoas dissessem… Contudo, ainda há aquelas pessoas que quando veem um casal homossexual, se ligam à Igreja e dizem que Deus criou o Homem para a Mulher, não o Homem para o Homem nem a Mulher para a Mulher. Na verdade, nunca vi nenhuma ‘lei angelical’ que provasse isso. E quer saber qual é a resposta que eu gostava de dar a essas pessoas? ‘Deus, disse para amar o próximo, independentemente de quem seja’.
Quer saber do que é que eu realmente preciso para eliminar todas as minhas mágoas? De um companheiro que me apoie em todas as minhas decisões. Um companheiro que me diga quando é que eu estou errado e quando é que eu estou certo. Um companheiro que me diga quando me estou a exaltar. Um companheiro que me ajude nos dias mais difíceis que eu venha a viver. Um companheiro que me ensine a viver. Preciso apenas de uma pessoa que me ame, com as minhas qualidades e defeitos… Uma pessoa que me aceite como sou! Preciso de um Refúgio.
Porque é que eu quero um Refúgio? O que é um Refúgio para mim?
Em primeiro de tudo, peço desculpa por ser injusto, ao ponto de não querer partilhar o meu parceiro com mais ninguém. É verdade, sou muito ciumento. Tenho inveja de todas as pessoas que podem estar com a pessoa que amo, e eu, ter de esperar dias, e ter de me contentar com umas videochamadas, ou até mesmo umas simples chamadas em que só é possível dizer ‘Amo-te’. Em resposta às perguntas anteriores, quero um refúgio, para calar as minhas lágrimas. Para mostrar-lhe que eu e você podemos ser felizes ao mesmo tempo. E, um refúgio para mim, é o que só irei descobrir quando o encontrar. Já agora, quer um concelho de uma pessoa que não o conhece? Valorize o seu refúgio. Valorize a pessoa que está consigo todos os dias. Prenda-a na liberdade dos seus braços. Ame-a e faça sentir-se amada.
Conhece aquele sentimento de necessidade de desabafo? Infelizmente, são várias as vezes que o sinto, e, pensando bem, o que me dói não é o corpo, mas sim a alma. Sinto que para mim o tempo parou, mas para o resto do mundo o tempo é só uma variável nas suas vidas. E sinto-me tão sortudo por conseguir valorizar essa simples variável. O poder ver a mudança de humor da pessoa que caminha ao meu lado, quando em um segundo, lhe digo ‘olá’. Por eu lhe dizer olá, não quer dizer que quero marcar um encontro consigo. Simplesmente quero ter um pouco de atenção. Talvez conhecer pessoas novas para contruir uma amizade.
Tenho medo que toda a gente me veja com os olhos dos insultos, e que aquela pessoa que eu desejo me veja da mesma forma que todos os outros me categorizaram. Sim, da forma que você me categorizou! Simplesmente, olhou para mim, e julgou-me! Melhor dizendo, prestou atenção à diferença que eu não tenho. Posso não ter nascido com um rótulo, mas cresci com um.
‘Talvez devesse desistir dele. Talvez devesse desistir de mim. Mas porque é que vou desistir? Porque nem eu mesmo consigo identificar o meu Eu interior’. Era o que sempre me dizia.
Mas sabe que mais, na verdade, não desisti de mim nem dele. Continuei o meu caminho. Tentei aproximar-me, para o tentar conhecer, e ver qual seria a sua reação ao descobrir o meu ‘verdadeiro ser’. Por muto estranho que me parecesse, ele dizia sentir o mesmo sentimento por mim. Apesar de todas as criticas que nos foram lançadas, mostramo-nos mais fortes. Construímos um pacto ‘unidos no bem e no mal!
Quando tudo parecia estar a correr como sempre tinha sonhado, descobri que ele na verdade me traía com uma outra pessoa. Fiquei destroçado, porque sempre pensei que ele fosse a verdadeira pessoa. Já me tinha questionado, se o que via nele, é o que é o Refúgio.
Mas, apesar isso, continuei a lutar. Sim, o pacto que tínhamos contruído só contou como importante para mim. Mas foi esse acontecimento de traição que me levou a ter uma mentalidade mais reservada. E agradeço por isso.
Não desisti de?
Não desisti do sonho de ser feliz. Não desisti do sonho de procurar a pessoa que me irá fazer feliz. Nunca desisti do sonho de construir uma família e do sonho de me casar. E, hoje em dia, é o que a sociedade mais faz. Desiste daquilo que lhe pode mudar a vida, porque o outro lhe diz que é errado ou que nunca irá funcionar. Tornei-me mais forte que essas palavras e maus concelhos, ergui a cabeça, e atirei-me sem para-quedas, à procura da felicidade. Não anseio pelo futuro. O futuro para mim, é sinónimo de Mudança.
Por que é que não tomei uma atitude?
Após a descoberta dos meus pais da minha orientação sexual, o apoio deles passou a ser nulo. Ficaram revoltados, dizendo que não criaram um filho para ser diferente dos outros, Homossexual, pois tinham nele todos os sonhos que os Pais têm para os filhos.
E sabe o que mais me custou? Foi o facto de os meus pais pensarem que eu estava doente... Foi o facto de os meus pais pensarem que eu precisava de ajuda psicológica... Isso, foi o que mais me magoou... Foi o pensar, que os meus pais rejeitavam-me e viam-me como uma pessoa doente... Foi o saber que os meus pais viam em mim, a diferença que você diz que eu tenho, mas que na verdade não existe.
Mais uma vez, precisava daquele Refúgio! E onde ele estava? Não sei. Talvez já nem exista.
Como poderia eu contar-lhes a minha situação escolar, se eles próprios não falavam comigo? Como poderia eu ter a certeza de que eles compreenderiam? Por que não tentei falar com um professor? E se tentasse conversar com os meus padrinhos? Por que é que não tentei compreender o que as minhas irmãs sentiam em relação a mim?
Ao pensar em desabafar com um adulto, com uma experiência de vida mais organizada do que a minha, sentia um aperto no coração. “Como será que ele vai reagir? Será que me vai ver com os mesmos olhos com que o mundo me vê? Será que me rejeitará a ajuda?”. Quando pensava que era capaz, o sentimento a que toda a gente chama de MEDO exibia-se à flor da minha pele.
Em relação às minhas irmãs, o sentimento de necessidade de refúgio nunca foi apagado. Conversamos. Rimos. Discutimos. Batemos uns nos outros. Fazemos coisas de irmãos. Mas nunca me atrevi a falar com elas sobre a minha intimidade.
Há momentos vividos entre mim e elas, em que a minha posição é de desconforto. Quando as oiço fazer uma piada sobre a diferença dos outros, fico desiludido. Apesar de saber que elas não sentem o que eu sinto, penso que elas o fazem pelo que sou. Sinto que me estão a julgar por ser diferente.
No meu bairro, a minha família é caracterizada como a mais unida de todas. Todos os domingos passeamos juntos. Vamos às compras juntos. Comemoramos tudo juntos. Ninguém se esquece de ninguém. Mas, o que na verdade acontece é que, quando estamos no interior da nossa casa, entre quatro paredes, estão todos felizes menos eu. Quando chega a hora do jantar, eu tenho de esperar que todos comam para eu me poder sentar à mesa e fazer a minha refeição. Já não sei o que é comer em família. Já não sei o que é fazer parte de uma família. Tenho saudades dos tempos em que todos estávamos unidos. Tenho saudades de poder brincar com as minhas irmãs, se é que ainda lhes poço chamar de irmãs. Se é que ainda posso dizer que faço parte de uma família.
Quer saber qual foi o momento mais feliz da minha vida?
Foi quando descobri a sensação de companhia dos meus colegas, ao me tentarem fazer esquecer o sentimento de desilusão e de desconforto. Antes desta aprovação, eu passava os meus dias à espera do toque de entrada à porta da sala onde iria ter aula, sozinho. Agora que posso conviver com eles, descobri finalmente, o que é brincar. Descobri, finalmente, o que é a Liberdade.
Apesar de tudo, o sentimento de ‘exploração’ que sentia por eles não desapareceu. Na verdade, destacou-se um rapaz. Cometi, durante vários dias, o mesmo erro. Apercebi-me que a sensação de ‘exploração’ estava a ser satisfeita.
Que erro foi esse?
Tudo começou quando tentei falar com ele, não pessoalmente, mas por mensagens (e porquê? porque é sempre mais fácil fugir à reação espontânea de uma pessoa, quando temos dois ecrãs a separar-nos.). Todos os dias trocávamos não só uma mensagem, mas várias. Quando ganhei finalmente coragem, pedi-lhe, indiretamente, se ele queria ter uma relação sexual comigo. Ao início, ele estava um pouco receoso, mas acabou por aceitar. Quando nos era possível, marcávamos uma hora para eu ir a casa dele. Foi uma esplêndida sensação, mas não foi sentida! Existiu, mais tarde, uma zanga entre mim e ele. Palavras que magoam foram refletidas em ambos de uma maneira forte. Corações foram feridos. Algumas lágrimas abriram as portas dos seus olhos. Tentei resolver as coisas entre nós, mas não foi possível. Foi nessa altura que me apercebi de que não podemos esperar ver uma borboleta no inverno, quando a sua estação é a primavera.
‘Como é que eu consegui fazer aquilo? Como será a minha reação quando estiver perto dele? Será que alguém vai perceber o que aconteceu? E se for ele a minha cara-metade?’
Alguns dias depois, deparei-me com outro rapaz. Era alto, moreno, tinha olhos azuis e vestia-se de uma forma desportiva. Várias perguntas surgiram: ‘Será que ele vai gostar de mim? Será desta vez que serei feliz?’ Os meus sonhos estavam à porta de acontecer!
Dirigi-me até ele, para tentar ouvir a sua voz, esta era suave como o azul dos seus olhos. Após muitas horas de conversa, reparo numa mulher a aproximar-se. Questionava-me quem ela era. Na verdade, era a esposa do rapaz com o qual estava a planear um futuro na minha mente. Os sentimentos de tristeza e desilusão mostraram-se dentro de mim de tal maneira que logo desatei a chorar.
Após toda a minha turma ter conhecido o ocorrido, revoltaram-se contra mim. Fiquei sozinho outra vez.
              Querem saber como é viver num mundo em que sou julgado pela minha diferença?
Como passava maioritariamente os meus dias sozinho, tentava divertir-me ao máximo com o meu Eu interior. Era nessas alturas que me descobria. A minha presença no exterior da escola não era muito agradável para os outros. Todos me viam com os mesmos olhos. Os olhos dos insultos.
              Eu passava vinte e quatro horas por dia, sete dias por semana, trinta dias por mês, doze meses e trezentos e sessenta e cinco dias por ano, solitário.
Quando a escola acabou pensei que tudo o que me correu de mal iria passar. Mas, na verdade, o que aconteceu foi o crescimento de um enorme peso na consciência. ‘Será que eu sinto algo por ele? Será que ele tem medo de dizer que sente algo por mim? Será que ele gosta de mim? Será que ele quer um futuro comigo? Porque é que ele não esclarece as coisas comigo?’
Todos os dias que o olhava, sentia uma sensação de impulso para me dirigir a ele, e tentar perceber o que lhe passava pela cabeça em relação ao nosso passado.
Porquê agora?
O tempo que para mim estava parado, afinal estava a tentar ajudar-me a não chegar a este ponto. Mas eu, cego aos insultos que me eram lançados, com a alma presa ao mundo exterior, esqueci-me do que realmente era importante para mim: 'Descobrir quem sou Eu. Descobrir o que faço eu no mundo.'.
Mais um momento triste. Desta vez, para lhe dizer o que realmente se sente quando se sofre de ataques homofóbicos. Porquê? Talvez você nunca tenha sofrido um, mas, hoje, eu não sofri só um. O que senti superou o sentimento de abandono. O que hoje senti foi o verdadeiro significado de solidão.
Estava com as minhas primas e primos, que ainda não sabiam o que ‘sou’, na piscina, quando numa pequena brincadeira me assumi. No início, eles ficaram um pouco céticos em relação a tal coisa, mas quando compreenderam que eu me estava a assumir de ‘coração aberto’, abandonaram-me. Desloquei-me, de cabeça baixa, para a minha toalha, fiquei lá, sentado, até ir embora. Toda a gente me olhava de lado. Estava a ser julgado mesmo não tendo feito nada.
Agora sei quem sou?
Na verdade não! Tenho sonhos, e um deles era poder viver num mundo sem ter de ouvir críticas pesadas da minha maneira de ser!
Gostaria de construir uma família?
Sim! É um dos meus sonhos! São várias as vezes em que me imagino com a minha cara-metade, sentados num jardim, rodeados de pessoas que aceitam a nossa ‘diferença’.
Uma despedida de solteiro! Um Casamento! Uma Lua de Mel! Uma viagem acompanhado por ele! A construção de uma casa! A construção da minha família! A Celebração dos nossos aniversários! Tudo isso poderia e pode acontecer, mas, primeiro, o ideal seria um mundo sem Insultos e sem Preconceito!
Depois de muitos anos, finalmente, consegui tudo aquilo com que sempre sonhei. A minha despedida de solteiro! O meu casamento! A minha lua-de-mel! As minhas viagens! A minha casa! A minha família!
O rapaz com o qual namoro agora é o mesmo com o qual já tinha partilhado alguns momentos íntimos no passado. No dia em que ele me pediu em namoro, não pensei que fosse um sentimento verdadeiro. Foi um momento mágico. A primeira coisa que me surgiu à cabeça quando o vi foi que ele deveria querer esclarecer o que não ficou esclarecido, mas, na verdade, ele queria falar comigo sobre partilharmos um único futuro. Todas as dúvidas que tinha sobre o que sentia por ele, desapareceram e refletiram-se numa única resposta através do meu sorriso, ‘Sim’.
Quando, pela primeira vez, ele me disse que me iria apresentar à sua família, senti-me receoso em relação à reação dos mesmos, sabendo que ele vivia com os seus pais, avós, e o seu irmão de 8 anos. Pensei, antes de entrar para me apresentar, que todos eles me iriam questionar sobre a minha família e amigos. Mas, na verdade, isso não aconteceu.
Entrei, cumprimentei todas as pessoas lá presentes, e nenhuma delas me questionou sobre o meu passado. Apenas se referiam ao meu futuro com o Gonçalo, o meu namorado. Perguntavam-me como seria a minha vida com ele. Simplesmente respondia, ‘uma maravilha’.
Ofereceram-me o jantar e a estadia para aquela noite. Durante aquelas horas, foram lançadas algumas perguntas e uma delas era referente ao meu passado com ele. ‘Quando andavam na escola juntos, já sentias algo por ele?’, foi essa a pergunta, que mais me atrapalhou. Ao responder, gaguejei um pouco, pois ele estava ao meu lado, e nunca ma tinha feito. Após muito hesitar, saiu a expressão ‘Não sabia’. Depois de ouvida a resposta, mais uma pergunta se formou. ‘Porquê?’. Nessa altura, não sabia o que dizer. Não sabia se ele lhes tinha contado o nosso passado. Mas, contei tudo, apesar de estar com medo de que eles me interpretassem mal.
Depois da sobremesa, fomos todos para a sala de estar, para ver um pouco de televisão.
A mãe do Gonçalo pediu-me para levar o seu irmão mais novo, o Rui, para a cama. Assim o fiz. Antes de o deixar sozinho no seu quente quarto, fiz-lhe uma pergunta. ‘O que achas da relação do teu irmão comigo?’. O que ele me respondeu mexeu um pouco comigo. ‘Só espero que sejam felizes juntos, e que todos os vossos sonhos sejam concretizados. Mas, só vos peço uma coisa...’, fez-se algum silêncio, quando de repente, ‘...deem-me um afilhado!’. Deixei-o a dormir, desci as escadas, e ouvi a Dona Rita, mãe do Gonçalo, a contemplar o seu filho pela conquista. Fiquei feliz, e algumas lágrimas fugiram de dentro de mim. Porquê? Talvez tenha sido pelo facto de que a minha família não sinta o mesmo. Como é que eu sei disso? Talvez sintam um pequeno orgulho em mim, mas, pela maneira como me tratavam, parecendo eu, para eles, apenas um ‘erro de Deus’, nunca me disseram ‘Rúben, nós temos orgulho em ti!’.
Onde iríamos viver?
No dia seguinte ao jantar com a família do Gonçalo, fomos os dois procurar uma casa para viver. Após muitas horas de procura, encontramos a casa ideal. Ficava no centro da Vila onde ambos vivíamos. Compramos a casa. Remodelamos a casa. E construímos um quarto para os nossos futuros filhos. Construímos um quarto de menina e outro de menino.
Ganhei finalmente coragem para apresentar o meu namorado à minha família. Apesar de saber que ela iria reagir de um modo totalmente diferente daquele como a família do Gonçalo me recebeu, tentei e arrisquei.
Bati à porta. Perguntaram aos gritos: ‘Quem é?’. Respondi: ‘O Rúben.’ Quem veio abrir a porta, foi uma das minhas irmãs. Frustrada, perguntou-me o que é que eu fazia lá. Quando lhe respondi, ela riu-se, como se fosse impossível eu ter encontrado o meu verdadeiro amor. Chamei-o e ela admirou-se. Porquê? Por um simples motivo: Ela pensava que eu era o único Homossexual no mundo. Chamou toda a família, e quando o meu pai apareceu, fechou-nos a porta na cara, dizendo ‘Sois uma deceção para o mundo’. Viramos costas, e voltamos para o nosso lar.
Quando pensávamos que toda a gente que nos encontrasse na rua nos fosse maltratar, enganamo-nos.
Perto da rua onde vivo, existe um Supermercado, onde eu e o Gonçalo fazemos as nossas compras semanais. Existe sempre aquela pessoa que nos aceita tal como nós somos. Mas também existem aquelas que, ao ver-nos pela primeira vez de mãos dadas, se dirige a nós, e fazem a pergunta à qual nós não sabemos responder, ‘Como é viver num mundo em que sois julgados por todos?’. O que é que nós respondemos? O mesmo de sempre. ‘Não existe resposta. Apenas existem sentimentos. E cada um sente os seus. Alguns rebaixam-se, outros ignoram. Nós aceitámos e interpretamo-las como uma construção do nosso ser’.
Claro que não nos podemos esquecer daquela senhora que mesmo antes de eu ter conhecido o Gonçalo, se dirigia a mim e me dava um concelho para ser feliz. O que mais marcou foi no dia anterior ao qual eu o conheci, em que ela me disse ‘Não adie uma alegria’. Foi nessa altura que me apercebi de que teria de tentar para alcançar. Foi nessa altura que me apercebi de que tinha de ir à procura do meu Refúgio.
Após todo este caos, decidimos passar férias fora daquele ambiente. Ambos tínhamos o desejo de ir à ‘Cidade do Amor’, Paris. Assim foi. Tiramos o bilhete de avião, e sem dizer nada a ninguém, pusemo-nos a caminho.
Quando lá chegamos, dirigimo-nos ao maior ponto turístico daquela cidade, a ‘Torre Eiffel’. Depois da visita à grande Torre, decidimos visitar o ‘Arco do Triunfo’. Como já estava a anoitecer, vendo-se ainda o pôr do sol, deparamo-nos com um grande ‘edifício’ iluminado de amarelo. Era lindo. Após esta visita, fomos para o nosso hotel. Mais um dia começou, e uma chamada da Dona Rita. Ficou surpresa ao saber que nós não estávamos perto dela. Entrámos num autocarro, depois noutro e ainda noutro. Estávamos ansiosos para entrar na grande ‘Disneylândia’. Passamos o dia inteiro lá. Encontramos o ‘Mickey Mouse’, o ‘Pateta’, o ‘Pato Donald’, a ‘Margarida’, e muitas mais personagens. Tiramos inúmeras fotos com todos eles. Mais um dia passou.
Os 4 dias restantes foram repartidos pela visita ao ‘Museu do Louvre’, à ‘Basílica de Sacré Coeur’, à ‘Ópera Garnier’, ao ‘Museu de Orsay’... Foi uma viagem que eu nunca mais irei esquecer.
Um sonho meu já foi concretizado. Agora, apenas falta realizar a Despedida de Solteiro, o Casamento, a Construção de uma Família, a Lua de Mel...
Voltamos para a nossa Terra Natal, e deslocamo-nos para casa dos pais do Gonçalo. Quando lá chegamos, o Rui pediu-me para ir brincar com ele para o seu quarto.
Voltamos a jantar na casa da Dona Rita e do Senhor José. Desta vez, foi um prato que eu nunca tinha provado, ‘Arroz de Polvo’. Nessa noite apenas falamos sobre a nossa viagem.
Acabado o jantar, fizemo-nos à estrada.
Dias depois, decidimos ir passar mais umas pequenas férias na praia. Passar uns tempos a sós, num ambiente natural. Fui a pensar que seriam umas simples férias de praia.
Como há cerca de quatro meses atrás o Casamento Homossexual foi aceite, o Gonçalo esquematizou um Pedido de Casamento na praia. Foi mesmo antes do sol se pôr que ele se ajoelhou à minha frente, virado de costas para o mar, com uma das mãos no bolso, e me disse: ‘Já passamos tanto tempo juntos. Já passamos tantas coisas em conjunto. Já superamos tantas coisas em conjunto...’, fez-se silêncio por algum tempo, e do nada reparo na mão que estava no bolso a mexer-se. Parecia ter uma caixa entre os dedos. E tinha mesmo. Ao abri-la dizia: ‘...já pensaste em como seria a nossa vida com uma aliança no dedo?’... Apenas me apetecia baixar perante ele, e com um grande abraço e grito dizer-lhe: ‘Sim, já pensei. E quero que aconteça!’.
Depois destes grandes momentos sozinhos, voltamos para a nossa casa. Não contamos nada a ninguém. Queríamos que todas as pessoas que nos apoiam nesta decisão, soubessem através dos nossos lábios, e não através de qualquer outro meio. As primeiras pessoas a quem contamos que estávamos noivos, foram aos familiares do Gonçalo. Reunimo-nos para mais um jantar, e, antes da sobremesa, eu e o meu noivo, decidimos revelar a grande novidade. Quando pensávamos que uma das pessoas que iria chorar seria a Dona Rita, surpreendentemente, a primeira pessoa em quem se viram lágrimas, foi no menino Rui. Sim, o menino de apenas oito anos.
Como foi o pedido de casamento? Quando foi o pedido de casamento? Onde foi o pedido de casamento?...’ Estas foram só algumas das perguntas que a Dona Maria e o Senhor José fizeram. Apesar de saberem que a nossa sociedade ainda não aceita a cem por cento este tipo de casamento, ficaram felizes por nós.
Três dias depois de termos contado a notícia às pessoas que mais nos apoiam nesta grande decisão, fomos ao Supermercado local para fazer as nossas compras semanais, onde, como todas as semanas, encontramos a Dona Maria. Não lhe contamos nada. Apenas lhe perguntamos, ‘Nota alguma coisa de diferente em nós?’, ‘Sim, as vossas mãos, finalmente completam-se’. E por que é que ela nos disse isto? Estávamos de mãos dadas, e as nossas alianças de noivado cruzavam-se. Mais um conselho. Mas desta vez, não foi um concelho para o dia nem para a semana, foi para a Vida. ‘...prometo-te ser fiel, amar-te e respeitar-te na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, todos os dias da nossa vida’.
‘Como será o casamento? Em que igreja será o nosso casamento? Em que dia será o nosso casamento? Quantos convidados?...’ Começamos nós a planear o casamento. Finalmente, após muitos dias de trabalho, chegamos à conclusão de que o dia de casamento deveria ser a soma das nossas datas de aniversário. Assim foi, somamos o dia 06, dia do meu aniversário, com o dia 14, dia do aniversário do Gonçalo. Somamos o mês de junho, 06, com o mês fevereiro, 02.
O casamento realizou-se no dia 20 de agosto de 2020. Foram cento e cinquenta convidados. A cerimónia celebrou-se na Igreja de Monte Real, Leiria. E o resto do dia passou-se na grande Lagoa da Ervideira. Os convidados eram apenas da família do Gonçalo.
‘Agora, você deve estar a perguntar-se por que é que eu não comuniquei à minha família que estava noivo. Pois bem, é simples. Após todos os anos que vivi com eles, sempre me apercebi de que eles não me apoiariam em qualquer das minhas decisões. Quando pensei em casar, não pensei ter um ambiente em que algumas pessoas se sentissem desconfortáveis. E também saberia que ninguém iria aparecer.’
Mais um sonho acabado de realizar. Melhor dizendo, foram dois de uma só vez.
Dois dias depois do casamento fomos para a Lua de Mel. Decidimos passar esse importante momento das nossas vidas no país que nos viu crescer, Portugal. Seguimos destino em direção à cidade de Aveiro. Alojamo-nos no grande ‘Hotel Aveiro Center’ durante as nossas noites. Durante os nossos dias tentamos ao máximo dos máximos explorar a pequena cidade. ‘Museu de Aveiro’, ‘Museu Marítimo de Ílhavo’, ‘Parque Infante D. Pedro’, ‘Salinas de Aveiro’, provamos os famosos ‘Ovos Moles’, e ainda andamos no grande ‘Moliceiro’ da Ria de Aveiro.
Foi com muita pena que deixamos um dos locais mais bonitos que visitamos em toda a nossa vida juntos. Sim, em Portugal.
Temos uma casa construída. As nossas mãos finalmente se completam. Adotamos um cão e um gato. Só nos falta concretizar um grande objetivo. Uma família! Será que vamos adotar ou recorrer a uma barriga de aluguer? Será que vamos ter um menino ou uma menina? Será que vamos ter um filho só, ou dois, ou...? Como será? Essas foram algumas das perguntas que discutimos em conjunto.
Após algum tempo de debate, chegamos a um acordo. Planeamos um dia para irmos os dois a um Orfanato. Planeamos um discurso para o caso de a pessoa que nos fosse atender nos criticasse e dissesse que uma criança nunca poderia ter dois pais do mesmo sexo. Planeamos e planeamos, mas, no final, tudo correu, surpreendentemente, sem quaisquer problemas. Fomos visitar todas as crianças que lá viviam. A senhora que nos apresentou cada uma das caras desesperadas que lá estavam desde a sua infância foi muito simpática. No final da visita, eu e o Gonçalo tiramos uns minutos a sós, para discutirmos qual das crianças iríamos adotar. Decidimos não só adotar uma criança, mas sim duas. Adotamos um menino com 1 ano de idade, que se chama Tiago, e uma menina de 14 anos de idade, que se chama Carolina.
Inscrevemos os nossos filhos na escola. Ajudávamo-los quando mais precisavam. Aprendíamos com eles. Fazíamos os trabalhos de casa em conjunto. No início, todos os colegas e professores da Carolina lhe perguntavam, constantemente, como era ser filha de um pai e um pai. Ela simplesmente dizia o que senti, ‘É um grande orgulho poder apoiar os meus pais neste caminho duro’. Todos ficavam espantados com a resposta, porque nunca pensaram, como talvez você pensa ou pensou, que uma criança nunca seria feliz com pais do mesmo sexo.
Os nossos filhos foram crescendo e nós fomos envelhecendo. A Carolina, com 25 anos, o Tiago com 12 anos, eu com 57 anos, e o Gonçalo com 55 anos.
Foi nesta idade, aos 25 anos, que a Carolina nos apresentou o seu namorado. Lembra-se daqueles momentos que eu tive com os pais do Gonçalo? Nós, enquanto família, tratamos o Ricardo como se fosse um membro da família. Nunca quisemos que ele sentisse que nós o rejeitávamos... que nós não o aceitávamos. Queríamos que ele se sentisse em casa. Ele passava a maioria dos seus dias em nossa casa.
Passaram-se 12 anos, e o Ricardo pediu-nos autorização para pedir a mão da Carolina em casamento. O que lhe dissemos é o que todos os pais deviam dizer, ‘estais felizes um com o outro? Nós não temos de tomar decisões por vocês!’. Assim, o Ricardo pediu a Carolina em casamento, e ela aceitou. Foi uma cerimónia como nunca tinha visto antes. Fizeram parte dos convidados os pais do Gonçalo. Lembram-se daquele menino que me pediu um afilhado, no primeiro dia em que me conheceu? Pois bem, o que ele me disse foi um simples ‘Obrigado’.
Mais uma cerimónia passou. Agora, falta a Lua de Mel. Embarcaram para a Bélgica, dois dias depois de se casarem.
Como reagiu o pequeno Tiago à partida da irmã?
Ficou triste, como todos nós. Mas, apesar de tudo, não baixou a cabeça... sempre disse, ‘tenho orgulho na família que tenho’.
Quando a Carolina regressou a casa, informou-nos que iria viver com o Ricardo. Nos primeiros dias, foi difícil para mim e para o Gonçalo acreditar que a nossa menina estava tão crescida. Foi um pouco difícil para o Tiago compreender que a sua irmã estava a entrar numa nova fase da vida... a vida de casada.
Os anos passaram, e nasceu o meu primeiro neto. Nasceu com uma doença rara, Síndrome de Moebius. É uma doença causada pela má formação de dois nervos cranianos, responsáveis pelo pestanejar, movimento lateral dos olhos e expressões faciais que causam paralisia no rosto. Esta doença manifesta-se através da perda de saliva e problemas de desenvolvimento a nível da fala.
Como foi a nossa reação ao saber de tal coisa?
Quando o vimos pela primeira vez, não reparamos na ‘diferença’ que a sociedade vê. Para nós, ele era como outro bebé qualquer. Ele foi crescendo, e chegou a altura do seu batizado. O padrinho foi o seu tio. A madrinha foi a irmã do Ricardo. Ninguém julgou aquela inocente criança. Todos desejavam felicidades duradouras.
Quando o Fábio, o meu neto, chegou à adolescência, teve de ser direcionado para um terapeuta da fala. Mas, apesar de tudo, todos o adorávamos.
Mais tarde, aos meus 65 anos, foi-me diagnosticada uma doença, HIV/AIDS. Após longos exames, foram-me dados apenas dois meses de vida.
 
Foi difícil acreditar que os dias do meu Pai estavam contados. Mas quem somos nós para julgar o ciclo da Vida? Quando nascemos, nascemos com uma missão, e quando partimos, é o sinal de que essa missão foi concluída com sucesso... Esse é o meu lema... Esse, foi o lema que o meu Pai me ensinou...
 
 
 
 
 
 
                   ‘Dizer Adeus sem armas, é dizer Até Já com doces!’





Um grande adeus...
Talvez, quando você estiver a ler estas palavras, eu já não esteja no mundo físico. É tão simples, mas ao mesmo tempo tão irónico, como apenas uma palavra de cinco letras, MORTE, pode acabar com uma vida que cresceu e deu muito que falar para a sociedade vizinha, e ao mesmo tempo é tão irónico como apenas uma palavra de quatro letras, VIDA, dure anos sem conta. Não tenho tempo para dizer o que deixei para trás... Não vou acompanhar o crescimento da maturidade da sociedade... Não vou ver o meu sonho a concretizar-se... Talvez não tivesse vivido o que você vai viver amanhã...
Sim, cresci com rugas, e parti com elas, mas cada uma das minhas ondulações transmitem uma mensagem... transmitem uma nova história... transmitem a história por viver....
O sonho de um Português... O crescimento de um rapaz... Os pensamentos futuros... A vida é um sonho... E você faz parte desse sonho!


 
 
 

      ‘Sim, eu já posso ter morrido e não ter mudado nada no mundo.
                            Mas você... você ainda está vivo.
                Transforme isso num desejo, e transforme o mundo!’

 
 
 
 

           ‘Eu sofri de Homofobia. Você poderá sofrer de Heterofobia!’
 
 
 
 

...Mensagem
         Não consigo compreender como é que duas pessoas de sexos diferentes se amam. Como pode um homem dar prazer a alguém com um corpo tão diferente do seu? Ele nem sabe que prazer uma mulher sente de verdade ao ser tocada.
Como é que um heterossexual pode ter certeza de que é heterossexual se ele nunca ‘namorou’ com uma pessoa do mesmo sexo?
Seu filho é heterossexual? Coitado! Mas não se preocupe, ele só o quer ser porque viu na novela. Aliás, em que pouca vergonha que a televisão e o cinema se tornaram! Mostram cenas íntimas de pessoas de sexos diferentes. Isso devia ser proibido!
          Os Heterossexuais beijam de uma forma louca os diferentes à sua frente. Deviam dividir-se em grupos, afastarem-se da sociedade e colocar na porta de suas casas: "AVISO: SOU HETEROSSEXUAL".
Onde está a moral dos heterossexuais?
 
 
 
 
 
 
 
                                      ‘Você é feliz, ou só sorri?’
 
 
 
 
Domingos Ferreira
Enviado por Domingos Ferreira em 19/01/2018
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Sobre o autor
Domingos Ferreira
Santo Tirso - Porto - Portugal, 19 anos
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