A CURA DAS EMOÇÕES

Desde o fim de 2020 estou entre casa e hospital. Agente aprende muito nesse local. Uma delas é o valor da vida e seu tempo de qualidade.

Não entendo nada de medicina, mas parei para pensar porque alongar tanto a vida das pessoas. Uns já não falam, não andam e está ali vegetando e a luta por manter vivo parece ser demais.

Ninguém quer entregar o Espírito. Naturalmente agente já briga pela vida, mas até onde vai essa luta sem qualidade, sem esperança e sem atividade.

Também me fez pensar em como nós que estamos de pé damos ou não valor a vida.

Olhar para si mesmo, parar com tantas bobagens que só gera discussão em casa, com os amigos. Aquelas exigências que fazemos aos outros chegando ao ponto do outro ir embora por não dar conta de ficar perto.

O que a vida é para nós? Apenas um tempo de passagem e não importando como será, ou vale a pena refletir nesse aparente longo tempo que na prática voa.

Ficar aqui serve para pensar muita coisa e descobrir que o prazer da vida é viver, com qualidade, amizade, amor real e muitas conquistas. Sejam elas as menores até as maiores.

Podemos aprender que pegar o volante não é arma. Ter alguém por perto não é prisão. E o mais importante só eu sou responsável pela minha felicidade. Não cabe a ninguém essa função. Então pense bem, o que você espera ver olhando para trás ao envelhecer.

Um lugar de pais sem filhos, filhos sem esperança. Amores em descoberto, abandonos inesperados. Lugar frio de ficar, mas com uma imensidão de emoções em volta a cada história.

A paciência que já se foi, a dor que já pegou. Um cansaço fora do comum e o tempo ali que não passou por nada que se reze ou ore.

A fé que alguns espalham pelo quarto, a Descrença que outros deixam escapar pelo amargo da vida. Memórias que traem, lembranças que fingem inexistente.

Olhares pedidos num tempo que só resta da memoria do doente. Frases que se encontram, amores sem esperança a espera da papelada para partir dali e não mais resistir.

A alta que surge, um tchau que repercute. Banheiros sem fechadura, pessoas em fuga..E todos num só desejo sair dali curado e poder recomeçar. Mesmo que seja apenas a memória local, que logo apaga com a rotina do mesmo feito de ontem e atual.

O hospital não é lugar de cura física, também pode ser seu lugar de reflexão...

Até a próxima...

Leticia Carrijo
Enviado por Leticia Carrijo em 04/07/2021
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