SEXO ANTES DO CASAMENTO?

AOS JOVENS CRISTÃOS

(Para reflexão e debate)

Algumas questões:

Sexo antes do casamento: sim ou não?

Namoro com sexo ou sem sexo?

Em que consiste o namoro? (o que fazem os namorados?)

Onde está o sexo? Onde está situado o principal órgão sexual do corpo humano? No baixo-ventre, Entre as pernas?

O sexo está em todo o corpo? Da cabeça aos pés?

Nos olhos que apreciam e se sentem atraídos?

Nos ouvidos que são sensíveis às palavras amorosas?

Na boca que fala e depois beija?

No pescoço e nas orelhas, nos cabelos, nas mãos?

Nos seios, nas faces internas das coxas, em toda a pele?

E o principal órgão sexual não é o cérebro?

Então, sexo antes do casamento, sim ou não?

NA BÍBLIA

Na maioria dos casos, a escolha do cônjuge e os preparativos para o casamento eram feitos pelos pais.

O método usual de adquirir esposa era por compra ('mohar' – Génesis 34,12; Êxodo 22,16; I Samuel, 18:25) embora a título de compensação pela perda de um membro(um braço de trabalho) que fazia falta à economia doméstica.

Em lugar de dinheiro, o pagamento podia ser feito em serviço, como no caso de Jacó que serviu a Labão durante 14 anos em troca de Raquel e Lia.

Até ao casamento, a mulher estava sujeita ao pai, e depois do casamento ao marido.

«E o teu desejo será para o teu marido e ele te dominará» (Génesis 3,l6).

Para ambos (pai e esposo) era considerada um bem móvel. Ela nem direito tinha a herança. Os seus deveres eram ter filhos, cuidar dos filhos, tarefas caseiras e ajudar o marido. A função mais importante da mulher era dar à luz filhos. Ser estéril era motivo de vergonha.

Mas, apesar de tudo, a mãe era tão digna de honra como o pai, segundo o decálogo. (Êxodo20,12).

A formalidade do casamento:

Na Bíblia nunca houve, como hoje, casamentos religiosos e civis. Não eram feitos em nenhum templo ou lugar sagrado, nem interferiam sacerdotes ou outros líderes religiosos.

Eram feitos ao nível das famílias a quem competiam as decisões formais a respeito dos mesmos.

No casamento, o noivo era conduzido cerimonialmente até junto da noiva que o esperava, participando então da festa e depois entrando na habitação (tenda ou casa) do marido onde se consumava sexualmente o casamento.

As famílias e os convidados ficavam para a continuação da festa que podia prolongar-se por sete a catorze dias. (Mateus 25,6-10; Génesis 29,27; Juízes 14,l2...)

Negociações (não relações) pré-matrimoniais:

No Médio Oriente antigo, as negociações pertenciam aos pais (assim como ainda hoje em certas culturas). As filhas eram consideradas como propriedade do pai e não podiam ser entregues sem que houvesse uma troca.

Por vezes o jovem ainda se podia pronunciar sobre o assunto. A rapariga nunca. (Juízes 14,12; I Samuel 18,20)

No casamento, o 'mohar' tem lugar depois do casamento e não antes, como aconteceu com Isaque e Rebeca. (Génesis 24,63-67).

Verificaram-se excepções, como o caso do amor que Jacó dedicou a Raquel (Génesis 29,20). Contudo não há qualquer indicação de que ela o amasse.

A Bíblia nunca nos fala de um homem e uma mulher apaixonados. Não existe o conceito de «apaixonar-se». Amar, na Bíblia ou tempos bíblicos, significava estar fortemente ligado a uma pessoa, lugar ou objecto, e tratava-se duma ligação sobretudo física.

No Antigo Testamento, Salomão, no livro de Eclesiastes, aconselha os seus leitores masculinos: «Goza a vida com a mulher que amas» (Ecl. 9,9)

No Novo Testamento fala-se menos em «gozar».

Paulo aconselha o celibato (I Cor. 7,9) e, como motivo para o casamento, não o amor mas uma irresistível necessidade sexual («se não puderes conter-te...»).

A posição da mulher, no casamento, continua a ser de submissão ao marido (Efésios 5,22-28; Tito 2,5 e 9)

Paulo vai mais longe ao afirmar: « Não permito que a mulher ensine nem use de autoridade sobre o marido... Salvar-se-á dando à luz filhos, se permanecer com modéstia na fé, na caridade e na santidade». (I Timóteo 2,12-15)

E, no âmbito da igreja, Paulo declarou que as mulheres deviam estar caladas, sendo indecente que elas falassem nas congregações. Se quisessem aprender alguma coisa interrogassem em casa os seus maridos. ( I Coríntios 14,34-35)

Em termos gerais, Paulo pensa e afirma que o homem « é a imagem e glória de Deus, mas a mulher é a glória do homem...» (o homem não foi criado para a mulher mas a mulher para o homem)

(I Coríntios 11,7-9)

Hoje, como conciliar os ensinos e práticas bíblicas (de que apenas fizemos algumas alusões) com as realidades socioculturais vigentes na actualidade?

Olhando para a poligamia do Velho Testamento, com todas as normas desfavoráveis à mulher e, no Novo Testamento, a ‘sensata’ saída através o celibato defendido por Paulo, alguma delas será aceitável?

Entretanto a mulher emancipou-se e a equiparação nos direitos e deveres foi-se alicerçando e generalizando. O planeamento familiar tornou-se mais necessário e acessível com a pílula, o preservativo e outros meios.

As relações pré-matrimoniais são mais comuns, mesmo numa convivência baseada em verdadeiro amor e em estabilidade.

Os mais conservadores opõem-se ao sexo antes do casamento.

Mas quando eles namoram e se beijam, dão aos mãos, se abraçam e acariciam (mesmo fora das zonas erógenas fisiologicamente mais específicas e intensas) não estarão já a praticar actos sexuais numa perspectiva abrangente?

Leiria, Portugal

Orlando Caetano
Enviado por Orlando Caetano em 01/09/2010
Código do texto: T2472321