SÍMBOLOS CRISTÃOS

Ao passar hoje por uma das ruas do meu trajeto de casa para o trabalho, observei mais uma vez um símbolo cristão num dos muitos veículos estacionados. As pessoas querem mostrar que são cristãs.

Virou moda escrever frases no carro, tipo: “Deus é fiel”, “rastreado por Jesus”, “propriedade de Jesus”, etc., e torna-se cada dia mais comum a utilização de uma estilização de peixe como identificação cristã. Vivemos a era das siglas e símbolos; todos querem ter seu sinal particular de distinção uns dos outros. Assim são os emos, os punks, os esses e os aqueles. Portanto, assim como os cruzados, os maçons e outras ordens, alguns cristãos querem identificar-se com seu símbolo, um peixe, que teria derivado da palavra grega Iksus (que seria peixinho), que teria evoluído em sua passagem pelo latim para Jesus. Segundo uma explicação, o peixe se tornou o símbolo cristão nos primeiros séculos porque certa vez Jesus Cristo comeu peixe. Segundo outra versão, teria sido porque Ele disse aos discípulos que faria deles “pescadores de homens”.

Desde que, no terceiro século, Constantino teve sua suposta visão da cruz contra o sol e supostamente se converteu ao cristianismo, erigindo uma estátua de si a segurar uma cruz à qual os “cristãos” passaram a fazer reverência com um sinal em forma de cruz ao passar, – desde esse tempo os católicos adotaram o sinal da cruz. E nos últimos tempos, alguns evangélicos, especialmente a burguesia evangélica, adotaram o peixe como sinal de identificação a exemplo dos maçons. Inclusive observei que alguns o põem também nas propagandas de suas empresas.

Jesus estabeleceu dois símbolos, não de identificação externa, mas para relembrar princípios. Um deles, estabeleceu em memória dEle mesmo (em memória do significado de Seu sacrifício) e outro como prática rememorativa da humildade que deve haver entre os cristãos. O primeiro símbolo Ele deu na hora em que dividiu o pão azimo (sem fermento), quando comemorava seu último Pasach (Páscoa), festa israelita que recordava a passagem do anjo da morte matando os primogênitos egípcios e poupando os primogênitos nas casas cuja ombreira da porta continha o sangue do cordeiro. Nesse momento o antítipo (Jesus) encontrava o tipo (os cordeiros que O tipificaram) e em poucas horas Ele seria o Cordeiro imolado na cruz que salvaria na passagem do anjo da morte no juízo final a todo aquele que tiver suas vestes manchadas com Seu sangue. Então Ele disse: ”Este é o meu corpo que é dado por vós (...) e este é o meu sangue, o sangue da nova aliança (...), fazei isto em memória de mim. – Lucas 22:19-20. Aí ele estabeleceu a Santa Ceia, em vez da Páscoa simbolizada por ovo e coelho que tem sido comemorada anualmente.

O outro símbolo Ele deu logo a seguir, quando, com uma toalha no ombro, lavou os pés dos discípulos, explicando que, a exemplo do que Ele fazia, deviam fazer também, pois o servo não é maior que seu senhor e aquele que dentre deles pretendesse ser mestre e senhor seria o que mais serviria aos demais. – João 13:4-15.

Portanto, eis os símbolos que Jesus estabeleceu, não para exibição externa e distinção, mas para rememoração sistemática dos princípios e votos. Todavia, há bem mais de mil e quinhentos anos, uma parte dos cristãos faz o sinal da cruz, que Jesus não estabeleceu, mas Constantino mandou que se fizesse diretamente a estátua dele. A Igreja Católica faz a Santa Ceia, mas os membros não participam do vinho, que deveria ser não fermentado. E o lava-pés eles também não praticam. Outra parte dos cristãos toma a Santa Ceia comungando todos do pão e vinho (este não fermentado), mas não lavam os pés uns dos outros, o que Jesus também ordenou que se fizesse. A despeito disso, torna-se cada vez mais normal identificarem-se mutuamente através do símbolo de um peixe, o que, sabe-se lá quem, estabeleceu.

Antes, porém, de ter nascido Homem, quando criou o mundo e a humanidade, ao final de seis dias de criação, Jesus, com Seu Pai e o Espírito Santo, criou um dia no qual não criou nada além de criar o dia (não fez nenhuma obra), apenas descansou Ele mesmo e convidou os seres humanos para também descansarem nesse dia, o estabelecendo como dia de descanso para todos os descendentes de Adão e Eva. E a Bíblia diz que Ele "abençoou o dia sétimo e o santificou" como um memorial de que criou todas as coisas. - Gên. 2:1-3. Mais adiante, quando guiou seu povo do Egito pelo Deserto do Sinai (Seu primogênito que Ele fez subir do Egito), Ele reiterou no ser humano já esquecido Sua santa Lei, gravando-a em tabuas de pedra, e reeditou no quarto mandamento o mesmo memorial do sétimo dia, dizendo: “Lembra-te do dia de sábado para o santificar. Seis dias trabalharás e farás toda a tua obra, mas no sétimo dia não farás nenhuma obra (...), porque em seis dias fez o Senhor o céu e a terra e as fontes das águas e no sétimo dia descansou, por isto abençoou o Senhor o dia de Sábado e o santificou”. Êxodo 20:8-11. Noutro dia, ainda no mesmo livro de Êxodo 31:17, Deus confirmou o sábado como um sinal perpétuo entre Ele e Seu povo de Israel. E no livro de Ezequiel 20:20 Ele repete que o sábado é um sinal de que Ele é o Deus que santifica seu povo Israel.

Dizem, porém, que essas passagens dizem que o sábado é somente para o povo de Israel. E é mesmo verdade. Entretanto, quando Deus criou a humanidade não havia Israel nem judeus, somente Seu povo (que era toda a humanidade) e Ele estabeleceu o Sábado para os seres que acabara de criar e todos os seres humanos foram criados por Ele. Por outro lado, o apóstolo Paulo (Romanos 2:18-19), em concordância com Jesus (João 8:30-47), diz que é descendência de Abraão e de Israel (homem vitorioso) somente e todos aqueles que fazem a vontade de Deus, sendo, portanto que, se fazemos a vontade de Deus, todos somos o Israel (homem vitorioso) espiritual de Deus, o mesmo Israel (homem vitorioso) espiritual que Abraão foi (e nesse tempo Deus não nomeara a ninguém Israel, mas Abraão o foi), o mesmo que Jacó foi após convertido e que os israelistas convertidos (circuncidados) no coração eram.

Após Herodes, com o intuito de matar o recém nascido Rei dos Judeus, mandar matar todos os meninos de dois anos para baixo e, instruído em sonho pelo anjo, José fugir para o Egito com Maria e o Menino, Jesus ("o primogênito de Deus") subiu do Egito e se fez mais do que vitorioso sobre o pecado e a morte na cruz. Tornou-se, portanto, Israel (homem vitorioso). E, assim como o primeiro Israel ficou quarenta anos no deserto após subir do Egito, tendo passado por entre as águas do Mar Vermelho, Jesus ficou quarenta dias no deserto após subir do Egito quando menino e depois de ter sido batizado nas águas do Rio Jordão. Sendo assim, Jesus é Israel, "o primogênito que Deus fez subir do Egito" e todo filho espiritual desse Israel espiritual é o povo de Israel.

Deus chamou a Jacó de "homem vitorioso" (que é Israel) porque, na luta que teve à noite com Deus, ele deixou de ser um "enganador" (que é Jacó). Portanto, todo convertido para a Verdade deixa de ser um Jacó e passa a ser um Israel – um descendente do Israel Jesus. Este, porém, jamais foi um enganador, mas venceu as tentações, saindo vitorioso sobre o pecado.

O sábado, portanto, é um sinal de que o Deus de Israel (do homem vencedor) é o Deus que santifica (que torna vencedor) o Seu povo Israel espiritual – os gentios (e cristãos que fazem a vontade do Pai), descendentes do Israel Jesus. Daí toda a herança, todos os deveres e bênçãos que eram para o Israel de antes de Cristo, passam para o Israel descendente de Cristo e isto inclui lembrar constantemente quem é Deus.

O Sábado é a forma como Deus faz o ser humano lembrar que Ele é a autoridade que criou todas as coisas, inclusive a humanidade, lembrando-o daí que é seu dever obedecer-lhe os mandamentos e assim progredir rumo à santificação. O Sábado é a forma de Deus manter Seu povo limpo e diferente do povo comum. Isto é ser Israel. ”Pois qualquer que fizer a vontade de meu Pai que está nos céus, esse é meu irmão, irmã e mãe” (Mateus 12:49-50), disse Jesus, um judeu. E quem assim fizer torna-se irmão desse judeu. Portanto, torna-se um judeu também. Não só irmão, porém, mas filho.

A guarda do sábado, que evoca a guarda dos demais mandamentos da Lei Moral, induz o crente a libertar-se da fadiga diária, da obsessão por ganho e lucro e preocupação com o sustento e cuidados da vida, motivando-o a dar descanso e liberdade para seus serviçais (mesmo que fossem escravos), também para seus animais de trabalho, familiares e a todos a sua volta, produzindo descanso, igualdade e respeito ao permitir a si e aos demais comungar entre si e com Deus, podendo refazer-se a meditar e praticar as obras do Criador. O sábado é o símbolo de Deus que deveria ser exibido por todos os cristãos semanalmente, mostrando que estão buscando a santificação (a vitória sobre seus maus instintos) através do sangue de Jesus e da guia do Espírito Santo à obediência da Lei. Guardar o sábado induz e mostra a mudança de caráter operada no salvo, à vitória do pensamento humanitário, altruísta, perdoador e misericordioso sobre o pensamento materialista e individualista, configurando o verdadeiro Israel – o Israel ideal. Então a preocupação para com os filhos de Deus passa a ser a prioridade do indivíduo.

Estando eu e meu pai a conversar com umas senhoras para quem ele vendera alguns produtos, outra senhora que veio pela calçada perguntou se nós não éramos católicos. Intrigados, respondemos que não e meu pai perguntou por que ela fizera tal pergunta. Ela respondeu que não parecíamos católicos, pois tínhamos uma maneira diferente de dar atenção e tratar as pessoas. E, por aceitarmos o sangue de Jesus, O Espírito de Deus nos motiva a guardar a Lei e o sábado por gratidão e as pessoas percebem isso na maneira como se pensa e trata os semelhantes.

Conta que uma senhora foi perseguida pela polícia e, após parar, indagou por que a perseguiram e abordaram sob a mira de armas. O policial respondeu que era porque havia uma frase cristã no carro dela e, como ela estava dirigindo agressiva e imprudentemente, além de xingando e fazendo sinais obscenos para os outros motoristas, eles pensaram que se tratava de alguém roubando o carro.

Diante disso, observo que o sinal do cristão deve ser refletir a mudança de caráter que Jesus operou na sua vida, que é a obediência a vontade de Deus, que será percebida na maneira como ele se conduz, como trata as pessoas, e o amor que demonstra por seus semelhantes. Assim, o sinal do cristão é unicamente fazer a vontade de Deus e refletir o caráter de Jesus.

Wilson do Amaral