COMO DOIS ANIMAIS

No meu quintal com muitas árvores frutíferas, dois camaleões enormes, lindos, desfilavam juntinhos e amorosos pela areia branca. Como num sinal de olhares a fêmea correu e escondeu-se atrás duma cerca de madeira. O macho me encarou e veio lentamente na minha direção e lançou o rabo numa feroz chicotada. Pulei para trás livrando-me do açoite e tentei afugentá-lo batendo os pés no chão, ele nem os olhos piscava, medo nenhum. Sem machucá-lo, trisquei no seu corpo com a ponta de uma vara e assim, ele também correu, subiu na cerca e passou para cima dum chiqueiro de galinha desativado. No entanto, ficou de lá, cabeça erguida e olhos fixos em mim. Achei petulante a valentia dele e resolvi me aproximar da cerca. De repente a fêmea também veio na minha direção. Daí que fui compreender que o animal irracional ali, era eu. Estava sobrando. Antes de entrar em casa olhei para o quintal e os vi juntinhos num canto da cerca.

Henrique Rodrigues Inhuma PI
Enviado por Henrique Rodrigues Inhuma PI em 15/04/2022
Reeditado em 15/04/2022
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