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SANGUE DO MESMO SANGUE

Joana perdeu o prumo. Acidente ou suicídio? Caiu do vigésimo segundo andar. Nem a perícia soube desvendar. Esfomeada – só ela sabe –, escorregou na poça d’água que reluzia num ladrilho ao pôr-do-sol. Mãe de dois filhos magros despencou, com menos peso, do vigésimo segundo andar.
Baque surdo: um “oh!” de exclamo, um “ah!” de espanto, um “ui!” de nojo. Urgentemente, fitas amarelas em volta do corpo. Joana agoniza sem rosto.
João – num misto de fúria, dor e desespero – invadiu o cordão quase intransponível dos policiais. Nenhuma declaração à imprensa abutre. Com um filho em casa braço, quase ficou detido. Demoraria-se para explicar que a mulher que caíra do vigésimo segundo andar era a mãe daquelas duas crianças magérrimas.  E nem lhe deram tempo para chorar Joana. Com os olhos desnutridos, profundos, – sem entenderem nada – as duas crianças assistiam as últimas hemorragias de Joana.
Djalma Filho
Enviado por Djalma Filho em 16/04/2006
Código do texto: T140189
Classificação de conteúdo: seguro


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Sobre o autor
Djalma Filho
Salvador - Bahia - Brasil
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Djalma Filho