SOLITUDE DAS PRIMAVERAS

Naquela tarde, choveram maridos. E ela pegou logo três: um bom de cama, um bom de papo e outro bom de grana. Vivia feliz com os três, até que uma noite choveram amantes do céu. E cada um dos maridos pegou logo duas. E ela ficou sozinha na noite, esperando novo temporal. Mas houve uma seca de maridos. E ela virou retirante de si mesma.

A meteorologia não confirma, mas parece que numa certa noite, num lugar bem distante, choveram mulheres solitárias. Ela foi um dos primeiros pingos a cair do céu. E, por via das dúvidas, comprou logo um guarda-chuvas. Não queria se arriscar novamente. E se chovessem viúvos? Mulheres solitárias sabem chover poesias. E isso é o bastante para o nascer das estrelas. E também das primaveras.

José de Castro
Enviado por José de Castro em 23/05/2015
Reeditado em 04/07/2015
Código do texto: T5251542
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