Papai Noel dos Famintos

Papai Noel dos Famintos
Jorge Linhaça

Nem sempre papai noel
tem face de bom velhinho
Não traz trufas com mel
ou uma taça de vinho

Para alguns mais se parece
Com esses monstros extintos
Dentes sempre afiados
e olhos sempre famintos

Espreitando pelas sombras
com seus ares de vilão
Charuto aceso na boca
e coração de carvão

Não espere por presente
Mais fácil levar o que tens
E deixar de ti ausente
Os maiores dos teus bens

Pode roubar-te a esperança
E deixar-te o desespero
Roubar de ti a criança
Da tua fé fazer o enterro

Papai Noel cobiçoso
te levando cada tostão
Com seu jeito ardiloso
Te levando à tentação

E àquele que é faminto
Afronta qual um joguete
Nas suas barrigas um sino
Marca a hora do banquete

As suas mesas vazias
(pedaços de papelão)
espalhadas pelas vias
sem uma côdea de pão

"Por isso Papai Noel
Não se esquece de ninguém
Seja rico ou seja pobre
O velhinho sempre vem"

Se é rico mesa farta
e pacotes de presentes
Se é pobre as baratas
vem lambiscar os seus dentes.


Salvador, 15 de dezembro de 2011

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