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TEXTO TEATRAL - comédia "Um casamento meio esquisito" - QUADRO FINAL


                                 QUADRO II (final)

                         CENÁRIO : SALA DA CASA DA NOIVA ( ora, em pre-
parativos para a chegada do noivo indiano. AmigAs da noiva se movi-
mentam num vai-e-vem incessante, na tentativa de dar um aspecto
indiano ao recinto.
                                        A noiva, nervosa, vai de um lado        a
outro da sala.  De repente, ela para).

NOIVA
(Falando para o alto) - Ai, meu Deus, por que meu noivo não chega
logo? Já não aguento mais de tanta ansiedade...
(dirigindo-se ao público) - JAR, jota a erre, é o meu RAJ da novela, às
avessas...

UMA DAS VIZINHAS PRESENTE
(para a noiva) - Você é que é uma pessoa de sorte. Vai tá bem servida de marido. Dizem que com essa tal filosofia do Kama Sutra, esposa nenhuma tem do que reclamar do desempenho do marido como homem...

NOIVA
(para o público, mas apontando a
vizinha que lhe falou ) - Ousadia  ELA sabe demais, né ?
(para a vizinha) - Por que não continua na arrumação? Do Kama Sutra,
digo, do meu futuro marido cuido eu...(ela recomeça a andar em cír-
culo pela sala)

NOIVA
(Novamente parando. Falando para si mesma) - Prá fazer um agrado
pro meu noivo, tenho que gravar umas palavras da língua dele...CHIC...

SPEAKER (voz dos bastidores)
- Mocinha, a palavra indiana não é CHIC. É tic.

NOIVA
(falando na direção de onde imagina ter
 vindo a voz) -  Tic, tac...dá tudo no mesmo...
(agora, para o público) - Aliás, Chic ao invés de tic é muito mais chi-
que. É ou não é?

                                (A campainha toca. A noiva faz sinal carac-
                                 terístico e todos deixam o recinto atabalho-
                                 adanente. Ela dá umas  leves batidinhas no
                                 cabelo, como que a arrumá-lo, e encaminha-
                                 se para a porta)

NOIVA
(No trajeto,  rosto virado na direção
do interior da casa) - Meu pai, ELE chegou ! (o pai chega rapidamen-
                                 te à sala e senta-se para o aguardo da
                               chegada  dos visitantes.  A noiva abre a porta,
                               recebe os cumprimentos habituais - uma
                               rápida abaixada    de rosto - dos chegantes. O
                               pai do noivo senta-se ; o noivo e a noiva
                               continuam de pé)

                                 (A noiva tenta abraçar para beijar o noivo e
                                  este se esquiva educadamente)

NOIVO
(Para a noiva) - Não é AUSPICIOSO a futura noiva se aproximar...
(para o público) TÃO PERIGOSAMENTE
(para a noiva) do futuro noivo. SHIVA não aprova ! (ela faz gesto de
                    resignação e os dois sentam-se)

PAI DA NOIVA
(Levantando-se. Às escondidas, tipo segredo, para o público) - Futuro noivo refugando abraço e beijo da noiva? Sei não, viu? Será  que (aponta na direção do noivo) esse boi não é vaca? (retorna para onde estava antes)

PAI DA NOIVA
(para o futuro genro) - ALI BABÁ !
(para o público) ´De tanto ouvir na novela das 8, acabei aprendendo essa palavra da língua deles...

                          (O noivo faz ar interrogativo. O pai dele aproxima-se e cochicha-lhe algo ao ouvido, retornando ao seu lugar)

NOIVO
(Após sonora gargalhada. Para o sogro) - A palavra indiana, futuro sogro, não é ALI BABÁ. É "are baba" ...

SPEAKER
- Ih, babou...

PAI DA NOIVA
(Para o futuro genro) - Só se for mesmo lá em sua terra...
(Para o público) - Coitado dele...se esquece que tá no Brasil, terra dos ALI-BABÁS e seus  (acompanha a contagem nos dedos da mão contrária) -  quinhentos e cinquenta e três seguidores fiéis...

PAI DO NOIVO
(Para o pai da noiva) - Bem, futuro sogro de meu filho...vamos logo direto ao que interessa...

PAI DA NOIVA
(para o pai do noivo) - Já sei : o Sr. quer falar daquilo que é (carac-
teriza dinheiro com os dedos) AUSPICIOSO, né ? (o pai do noivo faz sinal de positivo com a cabeça)
(Para o público) - Da fruta que (aponta para o pai do noivo) ele gosta eu chupo até o caroço...
(Voltando a atenção para o sogro de sua filha) - O dote...pois é, o dote...o amigo nos pegou meio desprevenido, mas como não pode voltar de mãos abanando, o meu dote vai ser...uma espécie de QUASE DINHEIRO VIVO !

                              (Pai e filho indianos levantam-se e dançam uma
                               música imaginária, em comemoração. A noiva,
                               com gesto característico, pede permissão    e
                               vai para o interior da casa).

PAI DA NOIVA
(Aproxima-se do pai do noivo e entrega-lhe dois cartões,
tipo "cartão de crédito". Para o pai do noivo) - Com esses dois cartões, seu filho está com o futuro garantido :  Esse de tarja preta é o famosíssimo CARTÃO DO SUS, que dá direito a um plano de saúde dos mais avançados do mundo; o outro, que tem o retrato de um barbudo, é o CARTÃO DO BOLSA-FAMÍLIA. Com este, o AMIGO indiano todo final de mês pode sacar o que estiver em minha conta, em´dólar ou real...
(Às escondidas para o público) -Uma merreca que nunca passa de 120 " contos".

                               (Novamente, pai e filho indiano se levantam
                                e festejam alegremente, com ar de vitori-
                                osos).

PAI DA NOIVA
(para o público, sem ser ouvido pelos indianos) - Será que eles tavam pensando que  tinham apagado as lamparinas de meu juízo ?

                                 (O pai indiano separa-se do filho e senta-
                                   se; o noivo se aproxima do pai da noiva. )

NOIVO
(para o pai da noiva) - O sr. e a sua filha estão de parabéns. Fizeram um excelente negócio...AUSPICIOSO ! e mais :   sua filha, essa FIRAN-GA...

                                  (O pai da noiva avança furioso contra o
                                   quase genro)

 PAI DA NOIVA
(para o quase genro, com dedo em riste) - Mais respeito comigo e com a minha filha, seu indiano folgado ! Ela é moça de família...
(meio às escondidas para o público) -É pobre mas é limpinha...
(de novo para o quase genro) -  PIRANGA é a  excelentíssima de
sua progenitora...sua mãe, assim na seca. ...Não tem mais casa-
mento nenhum ! FORA! (pai e filho, amedrontados, saem rapidamen-
te do recinto, jogando no chão os dois cartões recebidos)

                                  (A filha retorna ao recinto e se abraça ao
                                   pai.
                                   Recomeça a sonoplastia coreografada da
                                   música de abertura da novela CAMINHO
                                    DAS ÍNDIAS).

SPEAKER.
-        Eu não disse que ISSO NÃO IA PRESTAR?

                                    F I M .

                           
pedralis
Enviado por pedralis em 04/06/2009
Código do texto: T1631670
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