Devotos do Amor - cap. V - Epílogo

DEVOTOS DO AMOR

CAPÍTULO V – EPÍLOGO

Metamorfose

Thiago Carrilos nem imaginava que Nicholas desvendara o segredo de quem o salvara. É verdade que percebeu uma intensa mudança no comportamento do irmão em relação a si. Embora pouco se falassem, como sempre ocorrera, Nicholas buscava não mais implicar , nem ameaçá-lo como fazia todos os dias, simplesmente deixara o irmão de lado. Tal fato intrigou e muito Thiago Carrilos. Vivia a refletir, vez por outra, sobre isto: “Ele não desistiu de mim, apenas aguarda um momento certo para dar o bote. Eu que me cuide!” Porém o tal bote jamais ocorria, mesmo Thiago cometendo, de vez em quando, alguns deslizes, os quais poderiam muito bem terem chegado aos ouvidos do senhor Ayala. Era bastante estranha a postura de Nicholas e Thiago, por mais que pensasse, não conseguia enquadrar-se no verdadeiro motivo deste silêncio. “Ele em tantas e tantas ocasiões me pegou no flagra nos últimos tempos e nada disse ao meu pai... que esquisito!”

Um ano se passou. Enquanto Nicholas completava 14 anos, Thiago agora contava 16, assim como Christian.

Certo dia, à tarde, Thiago estava em casa de Christian e comentou com o amigo:

- É estranho, Chris, por mais que eu pense, não entendo esta mudança no temperamento de Nicholas – disse.

- As pessoas mudam, Thiago. À medida que vamos envelhecendo, nosso caráter vai se moldando a novas realidades. Isto se chama amadurecimento. Creio que seja isso o que acontece com seu irmão biológico. – Explicou Christian.

- É possível que isso seja desta forma, porém continuo me cuidando, evitando cometer deslizes que o levem a entregar-me ao meu pai. – Defendeu-se Thiago.

- Estou de acordo, na verdade não sabemos o que se passa dentro daquele íntimo maquiavélico. – Falou Chris.

Neste instante, o celular de Thiago toca. Era exatamente Nicholas.

- Veja – disse Thiago – ele nunca me telefonou.

- Atenda, veja o que ele quer – aconselhou Chris.

Thiago atendeu.

- Oi, Nicholas, fala. Aconteceu alguma coisa?

- Ainda não aconteceu, mas pode acontecer – falou Nicholas – aconselho você vir direto para casa e traga com você Christian. Vocês vão adorar o que está para ser.

- Vamos lá, vamos ver com nossos próprios olhos o que Nicholas está aprontando.

Logo estavam no trem. Sem dúvidas, estavam ansiosíssimos. Chegaram em casa e Nicholas os esperava sentado no sofá da sala.

- O que está ocorrendo?- Indagou Thiago.

- Marlene me convidou a ter relações íntimas com ela – afirmou – porém eu disse que só aceitaria caso ela recebesse nós três ao mesmo tempo.

Marlene era a nova faxineira da casa de Thiago. Era uma moça ainda muito jovem, 17 anos. Os pais de Thiago e Nicholas estavam no Rio de Janeiro, participando de um congresso na área bancária. Senhor Ayala levara consigo Dra. Bernadete porque ela curtia férias, deixando os garotos sós em casa, em companhia de Marlene e de Quitéria, a cozinheira, mas Quitéria não se encontrava em casa naquela hora, precisou sair mais cedo para levar o netinho ao médico.

- Por que você se lembrou de mim e de Christian? – Interrogou Thiago, ressabiado.

- Ah, Thiago, não me faça perguntas. Não sei, deu-me vontade de convidá-los, só isso. Querem ou não querem? É uma oportunidade para nós três conhecermos mulher – falou Nicholas – eu bem sei que vocês dois também são virgens, tal como eu. E então?

- Realmente – respondeu Thiago – excelente oportunidade e estamos sós, teremos todo o tempo do mundo, não é Christian?

- Como sempre, concordo com você. Por mim, estou aqui e o que vocês resolverem, eu assino embaixo.

- E Marlene aceitou sua exigência? – Thiago Perguntou.

- Sim, apenas está à espera de uma decisão de nossa parte. Como é, vamos entrar nesta?

- Vamos e já! – Respondeu Thiago.

Os três garotos se dirigiram aos aposentos da moça, antes, porém, deixaram no quarto de Thiago suas vestes, entrando lá totalmente desnudos. Marlene se encantou com a beleza dos três e, no mesmo instante, despiu-se.

Os três meninos pela primeira vez experimentavam em suas vidas as delícias da sexualidade e cada um ficou com Marlene o tempo ideal para se satisfazerem. No final, estavam exaustos. Abandonaram o quarto da moça e foram para o banheiro dos aposentos de Thiago, onde se banharam longamente. Depois se enxugaram, vestiram-se e desceram, ficando na varanda da sala.

- Foi bom, não foi? – Perguntou Nicholas.

- Foi ótimo – Thiago respondeu – somente ainda não compreendo o porquê de você nos ter convidado – estou com uma pulga atrás da orelha, confesso que estou.

- Dispense esta pulga – pediu Nicholas – nunca mais haverei de entregar você ao nosso pai, mesmo que cometa o pior dos crimes.

- Não entendo esta sua transformação – repetiu Thiago – nunca nos entendemos.

- Ah, Thiago – retrucou Nicholas – chega um momento em que se reflete sobre as coisas que fazemos e fizemos, sobre o que somos e procuramos melhorar. É o que tenho feito em relação a você e faz tempo, ainda não se deu conta disso?

- Sim, percebi, no entanto é justamente o que não compreendo, Quem um dia disse que me odiava... sei não, viu...

Christian, até então calado, entrou na conversa.

- Dê uma chance ao seu irmão, Thiago. Penso que ele está sendo muito sincero.

- Só crerei nesta mudança caso ela faça algo que nunca fez comigo. – Thiago afirmou.

- O quê? – Indagou Chris.

- Eu quero receber dele um abraço bem apertado e um beijo, só.

Nicholas riu.

- Só isto? É pouco... disse Nicholas.

Nicholas então o abraçou e deu-lhe em sua face muitos e muitos beijos e os recebeu, também.

- Está definitivamente selada a paz entre vocês – disse Chris.

- Está – Concordou Nicholas. Eu estava cego para não reconhecer o irmão que tenho.

Thiago estava chorando, emocionado.

- Não chore – pediu Nicholas – daqui para frente novas pedras se moverão entre nós, sempre para melhor.

Christian igualmente os abraçou e os beijou no rosto, como a dizer a Nicholas que também era seu amigo a partir daquele momento.

- Obrigado – agradeceu Nicholas – vocês não mais viverão em dupla, mas em trio... E devolveu a Chris a gentileza dos ósculos recebidos.

Alguns meses se passaram. Nicholas tornara-se companheiro inseparável do irmão e de Christian.

Certo dia, na escola, durante o intervalo, os três se encontraram e Christian tinha uma novidade para eles.

- Meu pai vai passar dois anos nos Estados Unidos, vai fazer um curso e, em seguida, volta para cá como diretor do banco em que trabalha para toda e região Nordeste.

- E você vai com ele, evidentemente – disse Thiago, com os olhos úmidos.

- Infelizmente, sim. Porém não fique triste, dois anos logo se passam.

- Vou sentir saudade – falou Nicholas – aprendi a ter em você um companheiro e amigo inseparável.

- São coisas da vida – Christian colocou – um dia voltaremos a nos reunirmos e a termos Marlene para nós.

Os três riram. Outras vezes tiveram Marlene em suas intimidades, no entanto já haviam enjoado a moça.

- Precisamos de outra – confessou Thiago – esta deixou de ser novidade, faz tempo.

Vinte dias depois Christian embarcava com a família para os Estados Unidos. Tanto Thiago como Nicholas pediram desculpas, mas não haviam em si mesmos coragem para uma despedida no aeroporto, Christian compreendeu e até achou melhor, assim sofreria menos.

Thiago e Nicholas, agora unidíssimos, levavam a vida adiante. As saudades de Christian eram solucionadas com os constantes diálogos pela internet, usando o Skype. Estavam sempre atualizados em relação ao que se passava entre eles. E a vida seguia seu rumo.

Mais um ano se passou, Nicholas chegava aos 15 anos, Thiago aos 17. Continuavam a estudar na mesma escola – Montalvan – e resolveram aderir aos esportes. Ambos escolheram o futebol de salão e se deram muito bem, tornaram-se modelos de atletas e os demais estudantes e jogadores neles se espelhavam.

Foi numa noite em casa que Nicholas e Thiago tiveram a surpresa de uma notícia.

- Vocês nem imaginam o tamanho da novidade que tenho para vocês – afirmou Christian.

- Diga logo – pediu Nicholas – não nos deixe assim, tão curiosos.

- Não será necessário meu pai ficar aqui pelos dois anos – confirmou Chris – a diretoria administrativa do banco considerou satisfatória a preparação. Domingo estaremos aí, novamente...

Thiago não cabia em si de alegria. Abraçou-se a Nicholas e ambos permitiram que as lágrimas rolassem.

- Ei, caras, estou falando sozinho, é? – Perguntou Christian – também estou chorando...

Christian retornou. A amizade entre os três jamais esfriara, eram amigos de verdade. Senhor Ayala perdera o emprego e o pai de Christian o empregou no banco americano, como gerente regional.

Numa noite de chuva intensa, Nicholas saiu de seu quarto e foi para os aposentos de Thiago.

- Estou morrendo de frio – disse – posso dormir aí com você? Assim, da mesma forma que um dia você salvou minha vida, você igualmente esquenta meu corpo. Eu te amo, irmão!

Pego de surpresa e com lágrimas nos olhos, Thiago apenas respondeu:

- Eu também te amo!

FIM

Ivan Melo
Enviado por Ivan Melo em 10/05/2014
Código do texto: T4801183
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