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RP - UM NATAL ATÍPICO - PARTE 3


                               UM NATAL ATÍPICO
                                      PARTE III
                                                   
                    Lucila anda lentamente até a poltrona e se senta chorando.
- Você não faz ideia de como eu entendo. Eu me odiei também todos os dias nesses vinte e sete anos e vou continuar fazendo isso até morrer, se isso te deixar feliz.
- Não é isso que eu quero... se a minha opinião lhe interessa agora.
   Lucila cobre o rosto com as mãos e fica em silêncio. Cláudio sente pena dela e não era esse sentimento que queria ter quando a visse. Poderia sentar ao lado dela e abraçá-la, mas não consegue. Não a conhece. Não sabe quem ela é, apesar de conhecer seu passado. Vinte e sete anos o separam dela.
   Ela ergue o rosto e pergunta:
- Satisfeito?
- Se eu estou satisfeito? Como eu posso estar satisfeito depois de tudo isso? Você está?
- Não fui eu quem provocou essa conversa. Você não tem ideia de como é difícil estar aqui na frente do meu filho sem poder dizer a ele todas as coisas que as mães costumam dizer e sem poder tocá-lo... abraçá-lo... Eu não tenho mais direito a nada disso. Você é homem feito... não é mais o bebê que eu entreguei a Wagner Valle com meses de vida... e que... amei tanto antes de nascer e mesmo depois. Eu não conheço você.
  Ela se levanta e se aproxima dele. Percorre seu rosto com os olhos.
- A única coisa que eu reconheço em você é o rosto do seu pai. Foi mais por isso que eu reconheci você lá no hospital, mais do que seu nome e o nome da cidade onde eu te deixei. Você se parece demais com Leonardo. É como se eu o visse, jovem de novo, na minha frente. O rosto do homem que eu amei... a vida inteira.
  Cláudio se levanta e pergunta:
- Quem... Quem foi na verdade que te fez prometer que nunca mais me veria? Meu avô ou meu pai?
- Seu avô... Ele não admitia que nada estragasse o bom negócio que tinha sido o casamento do seu pai com... ela, a inglesa. O plano dele tinha dado certo e ninguém podia estragar nada. Seu pai tinha feito tudo certo e enquanto ele estivesse casado com ela, eles nunca ficariam na miséria.
- Meu pai... sabia que você estava grávida quando foi pra Londres?
- Não... Nem eu sabia. Mas mesmo que não tivesse acontecido tudo isso, seu avô não deixaria que o filho se casasse com a filha do jardineiro. Meu pai era o jardineiro dele.
- Salomão...
   Os olhos dela brilham de emoção ao ouvir o nome do pai.
- Meu pai... Ele está vivo ainda?
- Está.
- Você... tinha contato com ele? Gostava dele?
- Muito. Eu gosto dele ainda. É o homem mais... doce... simples... e inteligente que eu já conheci dentro da sua... pureza.
   Lucila coloca as mãos postas junto da boca e vai sentar-se de novo.
- Ele ficou contra mim quando eu entreguei você. Só depois que eu saí da cidade e vim pra cá com meu irmão... quando eu acordei no dia seguinte, quis amamentar você e você não estava mais do meu lado... eu percebi que ele tinha razão. Se arrependimento matasse... Só que eu não podia mais voltar atrás e... tinha sido o melhor pra você... Eu não pensei que seu pai fosse fazer de você um homem de bem... até vê-lo pessoalmente no hospital. Cheguei a imaginar que você se tornaria um revoltado, um delinquente... um fraco, como tantos outros que a gente vê por aí. Não pensei que ele fosse se importar em fazê-lo estudar e lhe dar uma profissão ou mesmo fazer de você um homem digno... por você ser neto do jardineiro da fazenda... Mas ele fez tudo isso. Ele o criou, acho que... melhor do que eu faria. Deixar você com ele não prejudicou você. Estou enganada?
- Não sei...
- Você não foi feliz com ele?
- Fui... Sou... Eu não posso me queixar. Ele foi e é o melhor pai que uma criança, um adolescente e um homem podem ter. Mas a presença de uma mãe... faz falta na vida de qualquer criança e eu não tive uma. Quando apareceu alguém que realmente podia suprir a falta que ela fazia... eu já estava quase casado.
- Alguém?
- Meu pai se casou de novo, quando eu tinha quatorze anos.
- Eu pensei que...
- O quê?
- Pensei que ele não tivesse se casado mais depois da primeira mulher.
   Cláudio vai se sentar ao lado dela no sofá.
- Christy morreu e deixou meu irmão com seis meses de vida. Foi por isso que Karen foi pra fazenda e até tentou ajudar Christy antes do nascimento dele. Depois que a amiga morreu, ela ficou cuidando de nós dois por um tempo, porque meu pai não podia fazer isso sozinho. Precisava cuidar da fazenda. Karen só foi embora quando meu pai levou Magda pra nós dois conhecermos, eu e meu irmão. E, tempos depois, a apresentou como sua futura mulher. Você nunca mais soube nada de Casa Branca?
- Não... Se eu não podia saber de você, pra que me importar com o resto? Eu procurei me afastar de tudo que me lembrasse daquela cidade e principalmente da fazenda Renascença. Eu quis esquecer tudo.
- E conseguiu?
   Ela nega.
- Claro que não. Eu amei seu pai... e acho que ainda não me esqueci disso. Tudo voltou na minha mente e no meu coração quando eu vi você. Ele teve mais filhos?
- Duas meninas. Uma tem treze, Diana, e a caçula tem cinco, Elis.
- Você é feliz com sua madrasta?
- Muito.
- Que bom...
   Lucila enxuga o rosto ainda molhado, sorri e respira fundo, aliviada.


                 RETORNO AO PARAÍSO – UM NATAL ATÍPICO
                                               PARTE 3

                                OBRIGADA PELA COMPANHIA!
                        BONS PENSAMENTOS NOS ACOMPANHEM!
                             DEUS NOS ABENÇOE A TODOS NÓS!
Velucy
Enviado por Velucy em 16/05/2018
Código do texto: T6337667
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre a autora
Velucy
São Paulo - São Paulo - Brasil
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