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MI - UMA GAROTA MUITO ESPECIAL (DOZE ANOS DEPOIS) - PARTE 26


                     MI – UMA GAROTA MUITO ESPECIAL
                                            PARTE XXVI

                                           Mesmo de olhos fechados, Mônica demora a dormir.
   Como não consegue, se levanta, veste o robe e sai do quarto; desce as escadas e vai até a cozinha. Abre a geladeira, pega a caneca de leite, coloca no fogão e esquenta. Quando vê que o leite está pelo menos morno e numa temperatura agradável, ela o coloca num copo e resolve sair da casa, para andar um pouco.
  Na varanda, olha para a noite silenciosa e quente. Talvez por isso não tenha conseguido dormir. Bebe um pouco do leite e coloca o copo sobre o murinho de madeira do alpendre, deixando-o lá. Desse as escadas e começa a andar pelo terreiro. Ao longe ela ouve uma vaca mugir e sorri. Aquela era a paz que Cláudio tanto amava. Ela passa pelo Jardim de Salomão.
   A noite está quente, iluminada e gostosa. Ela segue andando até a capela de Nossa Senhora do Rosário. Não entra na capela, tem uma vontade súbita de ir até o cemitério que fica atrás dela, onde toda a família Valle está enterrada.
   Ali estão os túmulos de todos os mortos da família: Wagner Valle e sua mulher Leontina, Salomão e Cláudio.
   Ela se aproxima do túmulo de Cláudio e se ajoelha diante dele. A lápide branca brilha com a luz da lua. Um poste de luz foi colocado estrategicamente junto da parede dos fundos da capela, para iluminar tudo. A foto de Cláudio que foi colocada sobre a lápide é a mesma que está na parede da biblioteca e está praticamente intacta, pois é limpa regularmente por ela mesma ou por Magda ou mesmo Leonardo, quando vem visitar o túmulo do filho.
  Mônica acaricia a foto dele, depois une as mãos, fecha os olhos e reza uma Ave Maria e um Pai Nosso. Enquanto reza, as lágrimas rolam por seu rosto, tranquilas. Quando abre os olhos, se ergue e ao voltar-se para sair dali, ela vê Cláudio sentado no banco de madeira colocado para as pessoas poderem descansar e pensar em seus mortos ali mesmo.
   Mônica quase desmaia de susto e se senta na lápide, com o coração aos pulos.
- Cláudio! - ela sussurra, com a voz saindo difícil da garganta devido ao susto.
- Oi... ele diz, sorrindo.
- Eu não... Eu não acreditei quando ela... Não acreditei que você...
- Respira... Minha mãe disse pra mim uma vez e só não consegui obedecer, porque estava com muita dor, mas não é o seu caso, graças a Deus. Respira... Sou eu...
   Mônica respira fundo e começa a chorar em seguida.
- Eu queria tanto te ver de novo...
- Está vendo... Está chorando por quê?
- Não sei... Eu sou uma boba...
- Você está ainda mais linda... A nossa menina parece muito com você.
- Ela tem os seus olhos...
- Eu pensei que fosse a inteligência, ele brinca.
   Ela ri entre as lágrimas.
- Também... e o teu sorriso.
- Seu nariz... Sua doçura... e sua força.
- Ela é mais forte que eu.
- Ela é criança. Toda criança é mais forte que o adulto.
- Essa força dela vem de você, meu amor... Você tem feito um ótimo trabalho desde que ela fez cinco anos.
- E você desde que ela nasceu. Eu só dou uma pequena ajuda.
   Mônica fica olhando para ele e desabafa.
- Você está tão lindo! Tão diferente... Parece... o primeiro dia em que eu te vi no Santa Mônica. Você era o homem mais bonito que eu tinha visto... Eu me apaixonei por você naquele dia.
- Com a diferença que naquele dia, eu não era tão feliz. Eu ainda não sabia disso.
- Nossa filha já disse, mas eu quero ouvir de você... Você está feliz?
- Estou... Só não estou mais... porque você precisa seguir em frente. Seguir com a sua vida, emocional e afetivamente.
- Se você está falando... que eu preciso me ligar a alguém... não perca seu tempo e sua energia... Não consigo...
- Você se fechou de um jeito que ninguém consegue se aproximar do seu coração. Isso não é bom. Qualquer homem seria muito feliz se recebesse o amor que você tem dentro dele.
- Ele é só seu.
- Eu não estou mais aí.
- Infelizmente... - ela diz, colocando a mão sobre a boca e tentando se conter.
- A vida é muito curta pra gente ficar desperdiçando ela com um amor só, Mônica.
- Eu amo nossa filha, amo meu pai, amo o seu pai, a Magda, o Wagner, minhas crianças...
- E vai ficar viúva pelo resto da vida?
- Não me fez mal até agora.
- Fez sim. Você não tem mais vida. Você não se diverte, só trabalha, nem sorrir você sorri mais. Você é uma mulher linda. Tem só vinte e nove anos. Você não pode se enterrar comigo aqui. Eu não me sinto bem com isso. Esse túmulo é só meu. Não cabemos nós dois nele.
- Então volta...
   Ele sorri, triste pelo absurdo do pedido, mas tenta consolá-la.
- Eu até que vou fazer isso...
   Mônica olha para ele surpresa.


             MI - UMA GAROTA MUITO ESPECIAL (DOZE ANOS DEPOIS...)
                                               PARTE 26

                                      OBRIGADA! BOA TARDE!
                                  DEUS ABENÇOE A TODOS NÓS!

Velucy
Enviado por Velucy em 09/08/2018
Código do texto: T6414265
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre a autora
Velucy
São Paulo - São Paulo - Brasil
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