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MI - UMA GAROTA MUITO ESPECIAL (DOZE ANOS DEPOIS) - PARTE 29


                       MI – UMA GAROTA MUITO ESPECIAL
                                         PARTE XXIX

                         Mônica a beija novamente e recebe outro beijo da filha.
- Eu te amo.
- Também te amo, mãe. Vamos tomar café?
- Vou tomar um banho ainda. Você já tomou?
- Já e escovei os dentes também, mas eu tomo de novo junto com você.
- Então vai descendo, eu já vou.
 Maria Cecília dá outro beijo nela e sai da cama, correndo para fora. Mônica olha para o porta-retrato com a foto de Cláudio em seu criado e o pega. Desliza o indicador sobre o rosto dele.
- É muito injusto você ter vindo e não me deixar lembrar disso... Mas obrigado pela paz que eu estou sentindo. Eu te amo, meu amor.
   Ela beija a foto e a coloca no mesmo lugar.

   Ao sair do quarto da mãe, Maria Cecília corre pelo corredor, desce as escadas e sai apressada da casa. Continua correndo e só para no Jardim de Salomão, exausta, e grita:
- Pai!
   Nada acontece. Ela nem estranha porque não é desse jeito que ela costuma conseguir ver o pai. Mas está tão precisada de falar com ele que grita de novo:
- Pai, eu preciso falar com você! Por favor! Aparece!
   Nada ainda. Ela se senta na grama diante do banco de madeira em que ele costuma se sentar e fica olhando para o banco. Dentro dela, sabe que seu pai não vai aparecer daquela forma. Ela não está pensando nele com amor. Está nervosa e agitada.
- Eu não vou conseguir te ver assim, não é? Desculpa...
   Levanta-se e vai começar a voltar para a casa. Dá as costas e quando está a cinco metros do banco ela ouve:
- O que foi que eu fiz?
  Ela se volta e o vê junto de uma roseira. Mas a expressão do pai não está alegre e tranquila como sempre. Ele está sério e triste. Maria Cecília se sente culpada e seu coração se aperta.
- Desculpa de novo. Eu não queria... Eu não quis... ser malcriada.
- Diz logo o que te fez chamar por mim desse jeito.
- Minha mãe ficou triste porque você não veio falar com ela...
- Ela disse pra você que está triste?
   Maria Cecília não responde. Aquilo não era verdade.
- Disse, filha? - ele insiste.
   Ela balança a cabeça, negando.
- Mas você vinha falar com ela e não veio. Ela espera muito por isso... ela ia ficar tão feliz...
- Ela estava feliz, não estava?
   A menina pensa em como a mãe estava diferente naquela manhã. Baixa os olhos e se senta na grama.
- Estava... Eu nunca tinha visto minha mãe tão feliz...
   Ela levanta os olhos e pergunta, morrendo de culpa.
- Você veio, não veio?
- Eu disse que vinha... e vim...
- Mas ela não se lembra disso. Acho que ela só sonhou com você e... esqueceu do sonho quando acordou...
- Nem sempre as coisas acontecem do jeito que a gente quer, Maria Cecília.
   Ela não diz nada. Cláudio caminha lentamente até o banco e se senta nele.
- Esse é um dos motivos por que eu vou ter que parar de vir conversar com você...
- O quê? Minha má-criação?
- Não... Você está crescendo e entendendo algumas coisas. Está me cobrando coisas que eu não posso fazer... do jeito que você quer.
- Eu não faço mais isso. Desculpa, desculpa, desculpa de novo, pai! Não vai acontecer mais...
- Você não pode evitar isso. Você é inteligente e está crescendo e vai questionar tudo que você não entender e está certa em fazer isso. Mas eu não sou a pessoa que vai te responder às todas as suas dúvidas daqui pra frente. Você vai ter que aprender com sua mãe, com seu padrinho, suas avós, suas tias, seu avô... mas não vai poder fazer isso comigo.
- Eu só queria... que você falasse com a mamãe, ela diz com os olhos enchendo-se de lágrimas.
- Mas eu falei. Nós conversamos por quase meia hora, no tempo da terra. Eu disse a ela tudo que disse pra você e um pouco mais. Ela só não se lembra porque... eu disse coisas que não podem ficar ainda no consciente dela. Há coisas que ela não precisa saber que sabe ainda, mas que no futuro vão fazer sentido pra vida dela. E você não precisa chorar. Ela estava feliz, não estava?
   Maria Cecília enxuga o rosto, rapidamente, acenando que sim com a cabeça.


           MI - UMA GAROTA MUITO ESPECIAL (DOZE ANOS DEPOIS...)
                                              PARTE 29

                                    OBRIGADA! BOA TARDE!
                                DEUS ABENÇOE A TODOS NÓS!
Velucy
Enviado por Velucy em 10/08/2018
Código do texto: T6415337
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre a autora
Velucy
São Paulo - São Paulo - Brasil
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