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AMANDA III - "TU TE TORNAS RESPONSÁVEL POR AQUILO QUE CATIVAS" IV - PARTE 2

           II – “TU TE TORNAS RESPONSÁVEL POR AQUILO QUE CATIVAS”

                             Marco passou a mão pelo rosto dele e Teo bateu em sua mão. O rapaz riu e pegou a mão de Amanda.
- Cadê minha mãe?
- Aí dentro, acho que ajeitando a Mariana.
   Laila já tinha ouvido as vozes deles conversando do lado de fora e veio da cozinha para encontrar o filho e a nora. Marco a abraçou, apertado e demoradamente.
- Oi, meu anjo!
   Ela não conseguiu falar. Já tinha começado a chorar e ficou algum tempo abraçada ao filho. Quando se separaram, ela olhou para ele e passou as mãos por seu rosto.
- Não faz mais isso comigo.
- Prometo que não. Nunca mais vou me casar, ele brincou.
- Você entendeu, chato.
   Marco riu e a abraçou de novo.
- Desculpa. Eu pensei que você já tivesse superado, mas eu avisei, não avisei?
- Avisou, mas não adianta. Eu não me acostumo.
   Laila olhou para Amanda por cima do ombro dele e foi até ela, beijando seu rosto e abraçando-a forte.
- Não se preocupe, filha, eu não vou ser uma sogra chorona. Isso foi só um restinho do que eu não chorei na festa do casamento de vocês. Nunca gostei de mimar meu filho demais pra não ter que sentir que o perdia, quando isso acontecesse. Sou boba por estar demonstrando isso assim. Vivia prometendo que nunca ia fazer nenhum vexame desse tipo na frente da minha nora, mas...
- Não precisa se explicar, dona Laila. Eu entendo. E fica sossegada que ele nunca vai deixar de ser seu filho. Eu é que quero ser outra filha sua. Já disse isso pra senhora antes.
- Eu sei, eu sei, querida. Vem comigo aqui pra cozinha e me conta todas as novidades.
   Antônio convidou Teo a sentar-se na sala e Marco já tinha ido pegar a irmã no colo e sentou-se também ao lado deles.
- Você vai ter trabalho com ela, hein, pai? Daqui a pouco tem um monte de carinha aí na porta te enchendo o saco. Olha só que boneca!
- Modéstia à parte, eu sei fazer filhos, diz Antônio orgulhoso.
   Teo riu a valer. Marco balançou a cabeça, corando levemente.
- Por isso fez poucos, não é, seo Antônio?
- Obrigado pela ajuda, Teo. É isso mesmo.
- Não dá corda, Teo...
   Os dois riram a valer.
- Sem brincadeira, agora, você parece abatido, pai.
- Eu? Não, impressão sua.
- Está sim. A mamãe me falou que você anda cansado. Pelo que eu me lembro, você não tira férias há uns... oito anos, certo?
- Mais ou menos.
- A última vez foi em oitenta e... um. Eu tinha onze anos. Foi quando a gente foi pro Rio, não foi?
- É, mas não dá pra deixar tudo assim, de uma hora pra outra.
- Você não é dono da imobiliária sozinho. É uma sociedade e eu, como patrono dela, convoco você a tirar férias o quanto antes.
- A Mariana está muito pequena ainda pra viajar.
- Você não precisa viajar. Ficar em casa também pode ser uma pedida. Só não digo que fico com ela, porque a gente tem colégio e faculdade e quando a Amanda está na agência, a gente fica o dia inteiro fora, senão, eu ficaria com todo prazer. Mas só ficar em casa sem fazer nada, correr um pouco, sei lá, já ajudaria. Ir ao cinema com a mãe, namorar... que tal? E a gente pode ficar com ela no final de semana. Vocês descem pro litoral e já dá pra descansar um pouco.
- Vou pensar no seu caso.
- Não pensa muito, não.
- Quando a Mariana estiver maiorzinha e menos dependente da sua mãe, aí eu faço isso.
- Até lá você já enfartou de vez.
- Não tem perigo.
- Teimoso é apelido. Depois reclama de mim.
   Antônio riu.
- Mudando de assunto, está gostando do casamento?
- Muito.
- Ficou melhor ou pior?
   Marco olhou para Teo e sorriu sutilmente.
- Está querendo me testar?
- Não, eu já cansei de tentar te testar. Só quero saber o que ficou diferente na sua vida.
- Tudo... Você não leu “O pequeno príncipe”, leu?
- Não, mas já ouvi você comentar.
- Nós lemos no segundo colegial, Teo falou.
- Pois é. Lá tem uma frase até bem conhecida. Todo mundo conhece. Pode até não conhecer o livro, mas já ouviu a frase em algum lugar. “Você é responsável por tudo aquilo que cativa.” Já ouviu essa frase?
   Antônio balançou a cabeça, afirmando.
- Pois é assim que eu me sinto. Me sinto responsável pela Amanda ainda mais agora. Com a recompensa de poder namorar com ela, quando ela quiser e deixar. Eu não sou só casado com ela, eu sou namorado dela, vinte e quatro horas por dia.
- Que lindo isso! - disse Teo, apertando os lábios, juntando as mãos, fingindo querer chorar.
  Marco sorriu levemente, mas continuou com os olhos sobre o pai.
- No começo é tudo lindo mesmo, disse Antônio.
- Eu não falei que é tudo lindo, pai. Só acho que a gente pode fazer ficar mais leve do que é. Eu tinha e tenho plena consciência das minhas responsabilidades como um cara casado. Só que, se fosse pra ficar me lamentando as coisas chatas que acontecem num casamento, eu não teria me casado. Você sabe que não é a minha cara ficar reclamando. A gente já recebeu conta de telefone, condomínio, tive que colocar gasolina no carro, tudo na semana da lua-de-mel, mas é isso aí. Você não pode fugir disso, não nesse país.
   Ele olhou para a irmã e a viu acordada, olhando para ele.


             “TU TE TORNAS RESPONSÁVEL POR AQUILO QUE CATIVAS”
                                                 PARTE II

                                    DEUS ABENÇOE A TODOS NÓS
                                                 OBRIGADA!
Velucy
Enviado por Velucy em 14/11/2018
Código do texto: T6502306
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Sobre a autora
Velucy
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