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AMANDA V - RONI LEMOS VI - PARTE 2

                                 II – RONI LEMOS (julho)

                                          Amanda beijou Rita também e foi embora. Marco apoiou os braços na mesa e Rita percebeu sua tensão.
- Marco, se você quiser, está nas suas mãos colocar o Roni na rua. Eu não aguento mais ver você se roer de ciúmes dele.
- Não é mais ciúmes, Rita, é ódio! Eu odeio só a presença dele. Odeio!
- Mas fora o fato de ele paquerar a Amanda de vez em quando, o que mais ele tem feito?
- Você acha que é pouco? – ele perguntou, voltando-se para ela.
- Acho. Você está mais maduro agora, já tem vinte e um anos, vai ser pai de um bebezinho que a Amanda está carregando tão charmosamente...
- Ele também envelheceu, mas continua sendo o mesmo cretino! Ainda não entrou naquela cabeça loira dele cheia de gel que ela é minha mulher e está carregando charmosamente meu filho dentro dela, Rita!
- É só uma paquera inconsequente, primo. Ele nunca tocou nela a não ser nas fotos e diante de um monte de gente. Acho muita insegurança sua ficar aí se martirizando por causa de meia dúzia de olhares bobos que a Amanda às vezes nem vê. Ela te adora incontestavelmente e agora está ficando redondinha de um filho seu e você fica aí, sofrendo por causa de um boboca imaturo que nem existe pra ela.
- Não é só isso, Rita... Acho melhor você saber logo...
- Saber o quê?
- Lembra do que aconteceu em oitenta e nove... sobre o caso... da nossa... escapadinha no início do ano?
   Rita ficou alguns segundos olhando para ele, mas não perdeu a calma.
- Essa estória já acabou, Marco. A Amanda já sabe e perdoou nós dois...
- Ele me disse que acha muito estranho, quando eu fico trabalhando aqui com você até tarde. Acha que nosso... caso... ainda não acabou.
- Cafajeste! Eu não acredito! A gente nem fica sozinho. Às vezes, a Bianca e o Kleber ficam com a gente!
- Mas ele acha que depois das reuniões, a gente dorme junto ainda...
   Rita se levanta e vai para perto da janela, profundamente aborrecida.
- Calhorda, sujo! Acho que ele não namora por isso. Não deve transar há muito tempo e pensa que os outros fazem isso todo dia.
    Marco riu, mas voltou a ficar sério, passando as mãos no rosto.
- Aquele rostinho lindo não deve servir pra nada, ela continuou. - O caráter dele não atrai nenhuma garota. Aquele pivete não vai me ter nas mãos dele de novo. Ele vai ver só...
- O problema dele não é você, sou eu. Ele ainda quer se vingar de mim. Eu tenho medo que ele lance essa suspeita novamente no ar e a Amanda ou o meu sogro cheguem a saber. Ela não pode passar por aquilo de novo, nem que saiba que é mentira. A Amanda anda muito chorona, muito sensível e eu tenho medo que ela não tenha agora o mesmo discernimento que teve daquela vez. Ela ficou zangada comigo só porque, no começo da gravidez, eu disse pra ela que teria descoberto tudo, se ela tivesse me dito que sentia enjoo. Achou que eu a tinha chamado de imatura, de ingênua...
- Você tem razão. A situação agora é outra...  Mas aquele idiota não pode ficar por cima dessa vez, Marco. Não é justo.
   Marco ficou em silêncio. Rita percebeu que ele não estava muito seguro daquilo.
- Você acha que a Amanda não acreditaria em você, se você dissesse que a gente só fica trabalhando mesmo aqui quando você fica até tarde?
- Não sei... Acho que sim, mas... Os hormônios dela estão uma bagunça. Eu não posso exigir nada dela agora. E se isso respingar no seu marido... Eu não vou conseguir viver bem com a Amanda, se o pai dela chegar a saber do que a gente fez. Eu não ia nunca mais conseguir olhar no olho dele. Não posso nem imaginar...
   Marco esfregou o rosto.
- Nessa parte, eu me garanto, Marco. Eu era solteira e sempre fui livre. Nem meu pai me segurava quando eu queria transar com meus namorados.
- Com seus namorados é uma coisa, mas não com o genro dele, Rita. Acredite, não seria tão simples. Por mais justo e legal que o professor Rotemberg seja, as coisas não iam ser as mesmas entre a gente depois disso.
   Rita volta a sentar em sua mesa e respira fundo.
- Aquele... patife!
- O que me deixa abismado é que ele acredita piamente que nós ainda temos alguma coisa. Que ainda somos amantes. O cérebro dele é do tamanho de uma ervilha!
   Rita massageou as têmporas que começavam a doer.
- Eu não posso ser punida por gostar tanto de você, Marco. Você é o filho que eu não tive e acho que nem vou ter. Não posso ser acusada agora de ser sua amante. É até incesto...
- Foi quase o que eu senti naquele dia, ele disse, sorrindo. – Mas foi muito bom...
   Ela olhou para ele e sorriu triste. Deu a volta na mesa e foi sentar-se no sofá, tentando colocar as ideias em ordem.
- Se você não quiser ficar hoje à noite, não precisa.
- Claro que vou ficar, ele disse. – Eu não devo nada. Não vou abandonar você por causa daquele idiota. Eu não tenho nada a esconder. Se a gente começar a se afastar aí é que vai despertar suspeitas. Só te peço pra ter cuidado com ele e não dê a entender que eu te contei. Ele pode querer te usar também. Você é a dona da agência. A gente já sabe do que ele é capaz.
   Ela concordou, balançando a cabeça. Pensou por um momento e disse:
- Eu vou contar pro José...
- Não! Rita, por favor, não faz isso. Eu te disse: a Amanda saber foi problema meu, mas o pai dela saber é problema da família inteira, até da minha. Isso pode chegar até meu pai, aí eu nem sei o que pode acontecer! Seo Antônio é capaz de me matar de verdade, por você, por meu sogro e pela Amanda. E depois mata você também. Não faz isso, pelo amor de Deus!
   Rita riu, divertindo-se com a agonia dele.
- Você ri?
- Não posso nem imaginar a cara do Antônio, se soubesse! Ele ia ficar possesso! Já o vejo gritando: “Você seduziu meu filho, sua depravada!”
   Marco não conseguiu rir e ela ficou séria de novo, olhando para ele com pena.
- Não fique assim, gatinho. Tudo vai ficar bem. O Roni não tem mais tanta força assim.
- Se acontecer alguma coisa com a Amanda ou com meu filho, Rita... aí eu mato o Roni. Eu corto inteirinha aquela cara de boneco de vitrine que ele tem. O Otávio me enchia ao saco, mas eu não sentia por ele o que sinto pelo Roni. Dá até pra sentir que nós somos inimigos há séculos! Tenho vontade de quebrar a cara dele em mil pedaços.
- Quando fizer isso, me avise. Vou fazer questão de ajudar.


                                       RONI LEMOS (JULHO)
                                                  PARTE II

                                   DEUS ABENÇOE A TODOS NÓS
           SEJAMOS, TODOS, LUZES NA ÁRVORE DE NATAL DO CRISTO!
                         UM NATAL REPLETO DE RESPEITO A TODOS!

Velucy
Enviado por Velucy em 19/12/2018
Reeditado em 19/12/2018
Código do texto: T6530548
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre a autora
Velucy
São Paulo - São Paulo - Brasil
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