Q.B. - CONTE-ME O QUE OS JORNAIS DIZEM - PARTE 12

XVII - CONTE-ME O QUE OS JORNAIS DIZEM!

(Tell me what the papers say - Ice On Fire – 1985)

…de Your Song a Sad Songs…

...o tempo que leva pra contar os passos de um Superstar.

Já em casa, após o show, a imposição que deveria ser obedecida era: NADA MAIS DE SHOWS!

- Só se eu morrer! – ele revidou decidido, fraco, mas ainda assim teimosamente decidido.

- Elton!... exclamou John.

- Tchau, John. Te vejo amanhã.

O empresário ficou vermelho e desistiu, virando as costas e indo para a porta do quarto.

- E tem mais!... – acrescentou Elton.

John parou com a mão na maçaneta e olhou para ele.

- Eu amo você, baixinho, mas não ouse fazer nada que não me seja dito antes.

- O que eu faria sem te dizer? – John perguntou, vencido.

- Cancelar a turnê. Faça isso e eu te faço sumir do planeta. Eu te processo até por ter... um metro e setenta, e você sabe que eu posso fazer isso.

John mordeu o lábio inferior e murmurou:

- Eu queria muito que você morresse no palco! Seria minha realização... Morra!

E saiu do quarto. Elton esboçou um leve sorriso e escorregou para debaixo dos cobertores. Sentada numa poltrona ali perto, Renate perguntou:

- Não vai mesmo cancelar?

- Não... ele disse categórico, ainda de olhos fechados.

- E se você passar mal como hoje?

- Não vou passar mal.

- É imprudência...

- Eu sei...

- Você acha mesmo que ainda está com o mesmo vigor de cinco anos atrás e que ama seu público? É isso que você quer provar?

- Não quero provar nada. Eu quero... me esgotar o suficiente... pra nunca mais querer voltar a essa vida, depois que eu parar, como fiz em 77.

Ela sorriu e balançou a cabeça.

- É como querer morrer pra provar que não há vida após a morte.

Elton riu. Ela ergueu-se e foi beijar sua testa.

- Durma. Até amanhã na hora do show quem manda em você sou eu, mocinho.

Ele abriu os olhos.

- Conhece alguma tortura nazista bastante eficiente pra me manter na cama?

- Várias... Venho já.

Ela saiu do quarto e fechou a porta.

Na sala, John estava discutindo com Bob e Bernie sobre a teimosia do cantor e, ambos, mesmo sem dizer palavra, concordavam com ele. Mas como sabiam que o empresário precisava por para fora o que pensava, apenas ouviam. Conheciam cada um a seu modo a cabeça dura de Elton. Ao ver Renate surgir na sala, John quase fez uma convocação:

- Espero que você consiga mudar a cabeça dele, garota.

Ela achou a imposição meio estranha, mas não queria discutir com John.

- Elton está doente, John, mas não está em transe. Eu não faço milagres nem mágica. A teimosia dele existe antes de eu aparecer. Você deve saber bem disso.

Bernie sorriu discretamente. John desistiu de vez e levantou-se:

- Bem, eu volto amanhã cedo. Venho com o médico e espero que ele não nos pregue outro susto como o de hoje. Você vem, Bernie?

O letrista levantou-se.

- Estava esperando por você. Sua pressão deve estar tão alta que eu acho que se você for dirigindo até o hotel, não passa do primeiro poste.

- Eu não preciso de escolta. Estou ótimo. Só quero companhia.

John despediu-se de Renate e Bob e saiu. Bernie beijou o rosto dela e disse:

- Você é das minhas, sabia?

- Por quê?

- Me faz lembrar minha mãe. Nunca gritava com a gente, mas quando ela dava uma opinião sobre o que pensava, ai de quem discordasse. Outra mulher no seu lugar estaria apavorada depois de ver o marido quase se matar em cima do palco na frente de tanta gente. Suportar as crises do Elton não é coisa fácil.

- Não pense que não fiquei apavorada. Eu fiquei e muito. Mas eu não me casei com ele sem antes fazer uma série de... pesquisas. Eu sabia que não ia ser fácil e esse é o meu primeiro teste como senhora Elton John. Um teste que só vai acabar em novembro.

Ela cruzou os braços e deu um longo suspiro.

- Eu o amo, vai valer a pena.

- É verdade que tem um bebê a caminho? – ele perguntou quase segredando com ela.

Renate olhou para Bob que sorriu e encolheu os ombros como a dizer que não tinha nada com isso.

- Meu Deus, não... quem disse isso?

- Ele. Eu não tocaria nesse assunto se tivesse ouvido de outra boca.

- Por favor, Bernie, eu sei que não preciso pedir isso pra você, mas... não passe isso pra frente. Eu me senti estranha nesses últimos dias por causa de toda essa pressão... Nenhum de nós anda muito bem ultimamente. O Elton consegue afetar a vida de todo mundo e... anda sonhando demais com isso e... já conta com o futuro antes que ele exista. Não é nada certo... ainda.

- Mas se ele disse isso a mais alguém nos bastidores dos shows, não vai demorar muito e a notícia está no ouvido da imprensa.

- Quanto a isso, infelizmente, eu não posso fazer nada. Sinto muito.

- Mas seria do seu agrado se fosse verdade?

- Quero primeiro que nosso casamento se fortaleça antes de isso acontecer. Quero muito sim, mas... ainda é muito cedo. Ele ainda é muito instável pra ser pai.

- Quem sabe seja disso que ele está precisando... pra colocar os pés no chão. Pra se estabilizar...

- Talvez... Mas eu não sou mágica... Sou só mulher...

Bernie a beijou no rosto novamente.

- De qualquer forma, estou torcendo pelos dois... sempre. Tchau.

- Boa noite, Bernie. Obrigada. Gosto muito de você.

- Idem... Boa noite. Tchau, Bob.

- Tchau, patrãozinho.

Quando Bernie desceu, John já tinha ido embora sozinho.

XVII – “CONTE-ME O QUE OS JORNAIS DIZEM” – PARTE 12

VAMOS ESPERAR QUE SEJAM NOTÍCIAS BOAS!

OBRIGADA, SENHOR, POR TUDO!

VAMOS SAIR DESSA MELHORES!

SAÚDE, RESPEITO E PAZ AO MUNDO!

DEUS ABENÇOE A TODOS NÓS!

BOM DIA!

Velucy
Enviado por Velucy em 25/04/2020
Reeditado em 25/04/2020
Código do texto: T6927808
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