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LEO - A VERDADE, ÀS VEZES, DÓI - CAPÍTULO 10

                         CAPÍTULO X – A VERDADE, ÀS VEZES, DÓI.

                              Quando voltou a si, Cristina estava deitada na cama e Leo estava sentado aos pés da cama, olhando para ela.
- Por que você está fazendo isso comigo? – ela perguntou, quase chorando.
- Eu queria que ela te contasse a verdade. Se eu dissesse, você não ia acreditar...
- Minha mãe contou que Leo Torres morreu! E você diz que é Leo Torres! Ainda que fosse um filho dele... mas minha mãe disse que ele não teve filhos! Como eu posso acreditar que você é Leo Torres... se ele está morto e você... está aqui na minha frente olhando pra mim?
- Se você não questionar tanto, as coisas podem ficar bem mais simples.
- Você está mentindo pra mim. Gozando da minha cara. Eu não tenho porque duvidar da minha mãe! Leo Torres está morto! Quem é você?
- Acredite em mim, Cristina. Eu fui... amigo de infância do seu pai.
- Não pode! – ela gritou, erguendo o corpo. – Meu pai teria quarenta e três anos se estivesse vivo! Você não tem nem trinta!
- O nome dele era Haroldo Marques...
- Qualquer um nessa cidade saberia disso. Meu pai nasceu e morreu aqui!
- Casou com sua mãe no dia dezesseis de março de sessenta e seis...
   Cristina parou e ficou olhando para ele, depois começou a rir.
- Do que você está rindo? – ele perguntou.
- Como? Meu irmão nasceu em setembro desse mesmo ano. Te peguei, não foi? Pare de me enrolar, garoto!
  Leo se levantou e afastou-se, sem responder. Cristina levantou-se também e insistiu:
- Você errou, não errou? Você é só um farsante querendo fazer intriga entre minha mãe e eu pra se vingar de alguma coisa que aconteceu com Leo Torres.
- O Bruno não é filho do seu pai, Cristina! – ele falou enérgico, voltando-se.
  A moça ficou como que paralisada, mas sua mente não queria assimilar aquela informação.
- Não quero ouvir mais nada...
- Tudo bem, você não quer ouvir mais nada. Eu também não quero dizer mais nada e acabou! Vá embora!
   Cristina estranhou ele mudar de ideia tão rápido. Leo foi sentar-se ao piano e calou-se, nervoso. Cristina aproximou-se dele.
- Por que você não me conta a verdade de uma vez? Não quero descobrir que você é um oportunista se aproveitando de uma casa velha pra confundir a filha da herdeira.
   Ele ergueu os olhos e ficou olhando para ela em silêncio. Cristina não sabia por que, mas não conseguia ver mentira naqueles olhos.
- Pelo amor de Deus... Quem é você?
- Ninguém... Exatamente o que meu pai queria que eu fosse... Ninguém...
  Ele levantou a tampa do piano e deslizou a mão direita pelo teclado.
- A única coisa que me fazia ser lembrado era a minha música. Ele fez de tudo sempre pra abafar o meu talento. Sua mãe era a única que dava valor a ela, mais ninguém. Você está fazendo o que todo mundo, a minha vida inteira, fez comigo: não acreditar... Mas você já foi de grande ajuda... trazendo a Gilda aqui. Saber que ela me amou, mesmo depois de casada com seu pai, é mais gratificante do que qualquer voto de confiança seu. Vou ficar devendo.
   Cristina sentiu novamente um arrepio estranho na espinha e lembrou-se do que a mãe havia dito sobre a morte de Leo Torres. Arriscou perguntar:
- Houve uma morte nesse quarto a dezesseis anos... Como foi?
   Os olhos dele brilharam e as mãos fecharam-se sobre o teclado.
- Por que falar disso com você? Pra me chamar de mentiroso novamente?
- Vai me dizer que você é realmente Leo Torres e que seu pai... matou você há dezesseis anos?
   Leo baixou a tampa do piano com força e seu rosto se encheu de amargura.
- Vá embora...
- Você tem que me dizer a verdade!
- Vá embora daqui! – ele gritou. – Vá embora! Sai daqui!
   Cristina, assustada, afastou-se dele rapidamente e saiu pela porta, fugindo dali correndo.


                                       LEO – CAPÍTULO 10
                              “A VERDADE ÀS VEZES DÓI”
                          OBRIGADA, SENHOR, POR TUDO!
                PELA PIEDADE, PELO AMOR E PELAS BÊNÇÃOS!
                               CONTINUE NOS PROTEGENDO
                          COM SEU ESCUDO DE MISERICÓRDIA!
                                    BOA TARDE E OBRIGADA!
Velucy
Enviado por Velucy em 17/06/2020
Reeditado em 19/06/2020
Código do texto: T6980128
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre a autora
Velucy
São Paulo - São Paulo - Brasil
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