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LEO III - VALINHOS - CAPÍTULO 1

                              CAPÍTULO I - VALINHOS
                                   
                         
                             Na manhã seguinte, Gilda embarcou no ônibus das oito horas para Valinhos, sozinha.
  Tia Clarice era a única irmã de Luiz Alcântara. Era viúva e morava numa casinha simpática nos arredores da cidade com dois filhos: Ciro, com vinte e cinco anos, e fazendo faculdade de Agronomia, e Célia, com dezoito, começando o curso de Letras.
   Ciro e Célia eram os únicos primos que Gilda conhecia e não demorou muito para que a amizade que os unia fizesse com que eles percebessem sua tristeza e ela confiasse a eles o motivo real de sua viagem prolongada até ali.
   Sentados debaixo de um pé de pêssego, nos fundos do quintal da grande casa, Gilda lhes contou todo seu drama depois que começou a gostar de Leo Torres.
- Poxa, que romântico! – disse Célia, sonhadora. – Adoraria amar assim.
- É, romântico e perigoso, disse Ciro, sem querer reprimir a prima. – Mas você já pensou bem se esse cara quer alguma coisa séria com você, Gilda, ou quer só se divertir? Você já conversou com ele sobre isso?
- Ele nunca me prometeu nada, Ciro. Simplesmente mostrou que não é o monstro que falam dele. Eu só queria ter a chance de me aproximar mais, conhecê-lo melhor, mas o pai dele e o meu armam uma guerra contra ele cada vez que ele se aproxima de mim. Ele foi até preso e espancado na delegacia, na última vez...
  Os olhos dela se encheram de água.
- Nossa! – disse Célia, penalizada. – Isso é brutalidade!
- Situação difícil... Sinceramente, não sei o que a gente poder dizer ou fazer por você, prima. É difícil não ficar do lado do tio Luiz. A gente não conhece o rapaz, mas do jeito que você conta... acho que vocês mereciam uma chance.
- Você acha mesmo, Ciro?
- Desde que ele se comportasse... Não vejo porque não. Quem sabe ele até melhorasse de vida, criasse juízo... O amor faz misérias!
   Gilda sorriu e abraçou o primo.
- Obrigada pelo apoio.
- Ele sabe que você está aqui? – Célia perguntou.
- Não. Eu ia me encontrar com ele hoje cedo na escola, mas... meu pai já tinha decidido que eu viria pra cá...
- E você desistiu? Não bateu o pé?
- Achei melhor fazer a vontade do meu pai... Ele sempre foi tão justo comigo, deve saber o que é melhor pra mim...
- Os pais nem sempre sabem o que é melhor pra gente quando se trata de amor, Gilda. Por eles, a gente nunca se casaria ou se apaixonaria.
   Os três riram. Dona Clarice chamou lá dentro da casa:
- Ciro! Célia! Gilda! O lanche está na mesa!
- Oba! – falou Ciro levantando-se. – Estou morrendo de fome! Vem, Gilda, os bolinhos da dona Clarice vão fazer você esquecer os beijos do Leo.
   Gilda sorriu sem jeito. Célia apoiou-se no braço da prima e disse:
 - Não liga, não. Esse aí não entende de sofrimento de amor. Onde já se viu comparar beijos com bolinhos? Tolinho...
   Vendo que Gilda precisava distrair a cabeça de seus pensamentos tristes, Ciro e Célia faziam tudo para distraí-la e animá-la. Saíam muito, passeavam pela cidade e no sábado da semana seguinte, resolveram levá-la até a feira de artesanato no centro da cidade, à noite.
   Ciro se encarregava de comprar para as garotas, tudo que lhes agradava. O bom humor do rapaz até fazia a moça sorrir. Ele a fez encher sacolas e sacolas de presentes até que resolveram sentar um pouco para descansar num banco da praça. Foi então que, na barraca de tapetes, Gilda viu um rosto conhecido. Ela levantou-se, para se certificar do que tinha visto e teve a certeza: Leo estava ali! Só que ainda não a tinha visto.
  Gilda sentiu que ia cair. Ficou pálida e apoiou-se no primo.
- Que foi? – Ciro perguntou. – Está sentindo alguma coisa?
- O Leo está aqui, Ciro!
   Ciro procurou na direção em que ela havia apontado, mas como não sabia como era o rapaz, não conseguiu ver ninguém. Havia muita gente na praça.
- Onde?
- Na barraca dos tapetes! O rapaz claro que cabelos pretos... Parecia estar de... azul, camisa azul...
- Fique aqui. Eu vou tentar encontrá-lo. Célia, cuida dela.
- Não, Ciro! – Gilda falou, segurando seu braço.
- Você não quer vê-lo?
  Ela hesitou e respondeu:
- Quero...
- Então espere aqui.
   Ciro entrou no meio da multidão e correu até a barraca de tapetes. Não havia mais ninguém ali com a descrição que Gilda tinha dado. Olhou mais além e viu um rapaz parecido com o que ela havia falado. Com jeito, para não parecer ridículo ou dar vexame, colocou a mão sobre o ombro do moço e ele voltou-se: era Leo.
- Boa noite!
   Leo estranhou, mas respondeu ao cumprimento:
- Boa noite...
- Você é novo aqui na cidade, não é?
- É, sou. Sou de Serra Negra... Por quê?
   Um sorriso apareceu no rosto de Ciro e Leo não entendeu nada.
- Quem é você? – perguntou.
- Meu nome é Ciro Alcântara Neves. Sou sobrinho do doutor Luiz Alcântara de Serra Negra. Você deve conhecer.
   Os olhos de Leo perderam a frieza e brilharam, mas ele procurou se manter distante, pois não sabia das intenções do rapaz. Podia ser mais um aliado do médico para separá-lo de Gilda.
- Muito prazer...
- Você é Leo Torres, não é?
   Leo não respondeu. Ciro riu e procurou tranquilizá-lo.
- Não precisa ficar com medo. Eu sou primo da Gilda e já estou sabendo da estória toda. Estou... parcialmente do seu lado. A Gilda me contou tudo. Você deve estar aqui por causa dela, imagino.
   Leo surpreendeu-se e não soube o que dizer.
- Ela está aqui na feira comigo.
  O rapaz olhou em volta e perguntou:
- Como você sabe que eu sou Leo Torres?
- Ela te viu de longe. E você não me é estranho. Estudei com Laura Torres no colégio. Você tem os traços dela.
   Leo sorriu discretamente.
- Ciro Neves? Claro! O primeiro namoradinho da minha irmã...
   Ciro riu e confirmou tudo.
- Isso mesmo. Tínhamos quinze anos e muito pouco juízo, mas ela morria de medo que seu pai descobrisse que ela tinha um namorado em Valinhos. Ela ainda está solteira?
- Não, casou no início do mês.
- Com o Pedro?
- É...
- Ela me trocou por ele. Mas era uma graça de garota. Dê lembranças a ela.
- Laura não mora mais em Serra Negra. Foi embora da cidade com o marido e meu irmão caçula, mas vou dar o recado quando ela ligar. O mundo é tão pequeno...



                                 LEO III – CAPÍTULO 1
                                        “VALINHOS”
                         OBRIGADA, SENHOR, POR TUDO!
                  PELA PIEDADE, PELO AMOR E PELAS BÊNÇÃOS!
                             CONTINUE NOS PROTEGENDO
                       COM SEU ESCUDO DE MISERICÓRDIA!
                                 BOA TARDE E OBRIGADA!

Velucy
Enviado por Velucy em 27/06/2020
Código do texto: T6989483
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Sobre a autora
Velucy
São Paulo - São Paulo - Brasil
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