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LEO III - REENCONTRO - CAPÍTULO 2

                                 CAPÍTULO II - REENCONTRO
                                                                                                                     
                          - Você quer mesmo ver a Gilda? – Ciro perguntou.
- Como eu posso saber se você não está do lado do pai dela? – Leo perguntou sério.
- Bom... por acaso eu estou do lado do pai dela, afinal de contas, eu sou sobrinho dele, mas até que você me prove que ele está equivocado... A Gilda gosta muito de você e, já que você está na cidade, converse com ela com calma, sem a interferência do meu tio. Mas não apronte nada. Já conheço a sua fama. Minha prima está aqui aos cuidados da minha mãe e nossos. Nem tente brincar com ela ou aí você vai ter mais três membros da família Alcântara contra você.
   O tom de voz de Ciro parecia mais um conselho de amigo do que uma ameaça. Leo sorriu e concordou. Levantou o dedo indicador e o médio, unidos, juntos à testa e disse:
- Palavra de escoteiro!
- Era isso que eu temia, você não tem cara de ter sido escoteiro nunca! - brincou Ciro.
   Leo riu.
- Nem na outra encarnação!
     
   Célia e Gilda estavam ainda sentadas no banco da praça quando Ciro apareceu com Leo. A moça levantou-se rapidamente, mas podendo acreditar em seus olhos.
   Ciro pegou a irmã pela mão e afastou-se com ela, deixando o casal a sós. Célia ficou também muito impressionada com o rapaz e demorou um pouco para tirar os olhos dele.
- Nossa! Aquele era o Leo, Ciro?
- É, seu ex-futuro cunhado, sabia?
- Ex-futuro cunhado?
- Irmão da Laura Torres, lembra?
- Irmão da Laura? Aquela sonsinha que você namorou no colégio?
- Ela mesma.
- Esse colírio então é o Leo Torres, cheio de grana? Meu Deus, por que nunca aparece nada assim pra mim? Eu bem que me meteria num dramalhão feito o da Gilda por um homem assim...
- Deixa de gracinha, Célia! Tenha juízo, menina! Mal conhece o rapaz e já se assanha toda? Namorado da sua prima!
- Mas que ele é lindo, é, uai! Vai negar?
- E eu sou lá homem de achar homem bonito, garota? Para de falar bobagem e vamos até a barraca do Paulo pra tomar um sorvete pra baixar o teu fogo, vem!
 
   Leo e Gilda saíram do meio da agitação da feira e foram para um lugar mais afastado.
- Você fugiu de mim... O que foi que houve? – ele perguntou, com as mãos dela entre as suas.
- Não fugi. Eu fiquei com medo.
- Seu pai te ameaçou, não foi?
- Não, só ficou preocupado comigo. Mas o Haroldo disse que seu pai foi o responsável por aquela prisão, disse que você ficou muito mal e... Fiquei tão preocupada. Tive medo de ir contra meu pai, não vindo pra cá, e seu pai fazer alguma coisa pior contra você.
- Já passei por coisa pior, brincou ele, sorrindo.
- Leo!
   Ele a abraçou forte.
- Senti tanto sua falta!
- A gente tem que decidir o que vai fazer. Seu pai não está brincando.
- Não vou deixar você por causa do meu pai... a menos que você me peça.
- Claro que eu nunca vou pedir isso! Mas nem tudo que a gente quer é possível...
- Escuta, eu tenho como cuidar de você em qualquer lugar do mundo. Não precisaria nem trabalhar pra isso.
   Ela olhou para ele sem entender.
- Como?
- Tenho direito a uma herança que minha mãe me deixou que, só não pude receber até agora porque meu pai não deixou. Ele está com o documento que prova que aquela casa é minha por direito porque era da minha mãe, fora uma grande quantia em dinheiro que ela deixou pra mim. Você acha que eu aguento meu pai todo esse tempo porque gosto de sofrer na mão dele? Claro que não! Eu só fico naquela casa porque quero o que é meu por direito. Eu sou o legítimo dono daquela casa e não vou sair de lá por nada nesse mundo, nem que ele me mate... Vou ficar lá até que ele me entregue esse documento. Quero que a minha casa seja sua. Quero que você more lá como a senhora Torres, como minha mãe foi. Não vou descansar antes disso acontecer.
- Me dá medo ouvir você falar assim... ela disse, apreensiva.
- Não precisa ter medo. Eu sei que ele gosta muito de você. Sei que, se o velho morresse, deixaria a casa pra você, só para não entregá-la pra mim, mas isso quem tem que fazer sou eu. Não vou esperar ele morrer pra isso acontecer.
- Mas eu não quero nada, Leo.
- Eu quero! É meu direito! Ele me roubou tudo, mas não vai me tirar você e o meu direito de te fazer feliz, mais feliz do que você já foi até agora com seu pai.
   Gilda sorriu. Leo acariciou seu rosto e a beijou longamente.
- Vamos pra outro lugar?
- Outro lugar?
- Eu estou hospedado num hotel na estrada. A gente podia ir até lá...
- Não, Leo... Eu estou com meus primos e minha tia é responsável por mim... Não quero causar problemas pra eles. Foi bom te ver e saber que você está na cidade, mas eu tenho que ir. Quando você vai embora?
- Por mim, não saio daqui enquanto você não for.
- Como você me descobriu aqui?
- Pelo Haroldo. Ele sutilmente, com a diplomacia que lhe é peculiar, arrancou da dona Júlia onde você estava, depois me passou tudo.
  Os dois riram.
- Leo, eu preciso ir...
- Quando eu te vejo de novo?
- Não sei... Mas por favor não apareça na casa da minha tia. Ela é irmã do meu pai e não vai ficar do seu lado, mesmo que o ache o rapaz mais sério do mundo. Não quero que ela saiba que você está aqui.
- Mas e o Ciro e a irmã?
- Eles sabem de tudo e estão me apoiando, mas é bom não facilitar.
- Tudo bem, vamos voltar para a praça... só que...
   Ele tirou um cartão do bolso da camisa e entregou a ela.
- É o telefone e o endereço do hotel onde eu estou. Quando quiser me encontrar, dá um jeito de me ligar. Se eu não estiver lá, é porque estou tentando encontrar você.
- Eu te amo!
   Ele a ergueu do chão com um abraço apertado e a beijou mais uma vez.
   Voltaram para a praça e se encontraram novamente com Ciro e Célia.
- Deu pra conversar? - Ciro perguntou.
- Deu, obrigado, Leo respondeu, apertando a mão dele. – Só gostaria que vocês não contassem nada pra ninguém... que eu estive aqui.
- De jeito nenhum! – falou Célia. – Mamãe mandaria Gilda de volta para Serra Negra em dois tempos e a gente nem começou a se divertir ainda!
  Os olhos da moça eram para ele e Leo notou; tentou então disfarçar.
- Bom, eu vou indo. Obrigado mais uma vez a vocês dois.
- Tchau.
  Leo beijou Gilda.
- A gente se vê...
  E afastou-se.
- Como você conseguiu morar por dezesseis anos naquela cidade sem nunca ter reparado nele, Gilda? – perguntou Célia, recebendo um ardido beliscão do irmão.
   Gilda riu.
- Ele não tem muito boa reputação na cidade. Quando teve, eu era muito pequena pra reparar. Não sei como agradecer vocês dois por isso...
- Não precisa, falou Ciro. – Ele não parece ser o que dizem...
- E não é, mas o difícil vai conseguir convencer meu pai disso. A única coisa que eu tenho a favor dele é que ele... me ama.


                                      LEO III – CAPÍTULO 2
                                             “REENCONTRO”
                                 OBRIGADA, SENHOR, POR TUDO!
                         PELA PIEDADE, PELO AMOR E PELAS BÊNÇÃOS!
                                     CONTINUE NOS PROTEGENDO
                               COM SEU ESCUDO DE MISERICÓRDIA!
                                             BOM DIA E OBRIGADA!

Velucy
Enviado por Velucy em 28/06/2020
Reeditado em 28/06/2020
Código do texto: T6990023
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Sobre a autora
Velucy
São Paulo - São Paulo - Brasil
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