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LEONEL XI - SIMPLES E COMPLICADO - CAPÍTULO 4

                   CAPÍTULO IV – SIMPLES E COMPLICADO

                              - O seu irmão já morou naquela casa na última encarnação dele antes dessa, Leonel disse.
   Vitória ficou olhando para ele boquiaberta. Em seguida respirou fundo, como se estivesse saindo de dentro da água e tentou abrir sua mente, pois sabia que aquela afirmação não sairia da boca de Leonel se fosse uma brincadeira ou mentira. Era uma afirmação muito séria para ser tratada com tanta leviandade.
- Você acredita em mim? – ele perguntou.
- Eu... Eu sei que... tenho sempre que levar a sério coisas que eu não entendo... Leonel, eu já me acostumei com... Meu irmão brinca sempre muito comigo, mas quando ele fala a sério... eu me acostumei a acreditar, quando ele falava desse dom que ele tem pra enxergar a vida das pessoas de uma maneira que ninguém consegue. Sempre achei estranho, mas meu irmão não mente pra mim. Eu adoro isso nele e... acredito que ele é uma pessoa muito especial. O que ele tem sofrido com meu pai é algo que eu não aceito e que me revolta, mas ele sempre me pediu pra ter paciência. Que tudo tem um motivo e um propósito... Se você diz que... ele vai voltar a morar numa casa... onde ele já morou numa outra vida... e sabendo que você e ele são ligados de uma forma diferente, única, eu não posso duvidar. Queria só... entender. Como você sabe disso?
- Ele mesmo me contou, numa regressão que fez comigo na casa do Caio há tempos atrás.
- Regressão?
- Esse é um dos poderes que o seu irmão bruxo tem. Pra resumir: ele me hipnotizou, me fez dormir e me fez assistir fatos relevantes da minha última encarnação.
  Vitória sentou-se na cama e ajeitou os cabelos.
- Mas como isso?
- Não me pergunte. Não faço a mínima ideia.
   Disposta a ouvir a estória toda, Vitória praticamente ordenou.
- Me conta tudo, garoto.
  Leonel sorriu e reclamou:
- Estou morrendo de sono, Vi...
- Não dá pra resumir?
- Tá, eu vou resumir de um jeito que seja suficiente pra você entender.
- Pode ser...
- O que eu vi nessa regressão é quem eu sou... a reencarnação de Leo Torres, meu avô, que morreu trinta e dois anos antes de eu nascer. Seu irmão vivia tentando me convencer disso, mas eu não acreditava nele. O Floyd é a reencarnação do melhor amigo dele, Haroldo, que morreu seis anos depois da filha dele com minha avó, a Cris, nascer; ele morreu de câncer... em Serra Negra.
- Você e o Floyd eram amigos desde essa época?
- Pois é... Muito amigos... E infelizmente fomos forçados a ser rivais também. Ele se casou com a garota que eu amava.
- O meu irmão se casou com uma garota? – ela perguntou, sorrindo.
- Não o seu irmão. O Haroldo Marques se casou com a minha avó Gilda. Ela estava grávida de Leo Torres e o pai dela a obrigou a se casar com o Haroldo pra... reparar o escândalo que naquela época aquilo significava. Uma garota grávida, solteira, decididamente era um escândalo naquela época e foi o jeito que meu bisavô encontrou pra resolver isso, aproveitando o fato que o Haroldo gostava dela também. Eles se casaram e ele criou o filho dela, que nasceu meses depois, Bruno. O meu pai.
- Então seu pai... era seu filho nessa encarnação?
- Se você só... pensar no Leo Torres fica mais fácil de entender. Procura não dar um nó na sua cabecinha. É mais simples do que você pensa. Seis anos depois, a Gilda teve uma filha do Haroldo, minha tia Cristina. Leo Torres não pôde conviver com o filho que amava, mas fez o possível pra manter contato com ele de forma quase clandestina, quando ele era criança, e acabou morrendo de forma muito trágica aos vinte e seis anos, na casa em que eu moro hoje.
- Forma trágica? Como?
- Assassinado... pelo próprio pai... Samuel Torres.
  Vitória abraçou-se a Leonel, assustada.
- Calma, Vi, está tudo bem.
- Isso não vai acontecer de novo, vai?
   Ele sorriu por causa do susto dela.
- Não, espero que não. Já tentaram, mas eu estou aqui vivo, abraçando você. E foi o seu irmão que me salvou com a ajuda justamente de Leo Torres. Eu quase enlouqueci quando... fui atacado pelo Ulisses e pelo Saara no apartamento do Gil. Foi... a experiência mais terrível na minha vida. Eu senti vontade de... de morrer enquanto estava sendo atacado. Queria que aquilo terminasse e eu nunca mais voltasse à vida.
  Leonel começou a chorar, abraçado a Vitória.



                      LEONEL (REENCARNAÇÃO) XI – CAPÍTULO 4
                                  “SIMPLES E COMPLICADO”
                             OBRIGADA, SENHOR, POR TUDO!
                  FAZEI DE MIM UM INSTRUMENTO DE VOSSA PAZ!
                           NÃO PERMITA QUE EU ME APARTE DE VÓS
                                      BOM DIA E OBRIGADA

Velucy
Enviado por Velucy em 07/09/2020
Código do texto: T7056754
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Sobre a autora
Velucy
São Paulo - São Paulo - Brasil
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