METAMORFO (ESSE TAL DE ROCK “N” ENROW) —II—

VII

Numa ocasião noturna em um restaurante, Roque observa a Atração que a socialite Angelina exerce sobre Vardin. Angelina é jovem e exibicionista da própria simetria física. Ciente de sua capacidade de seduzir e da satisfação que essa sedução lhe causa, mais que a sensação de prazer que apenas simula sentir na cama, ela marca um encontro para o fim de semana no restaurante Favorito. Coincidência ou não, Roque está próximo à mesa em que deveriam encontrar-se Vardin e Angelina.

Vardin, como conhecido entre amigos próximos, sai em direção ao banheiro e o celular começa a vibrar sobre a mesa. Não há movimento no restaurante porque é muito cedo nem o garçom está por perto. Na mesa ao lado, Roque levanta-se e atende o telefonema. Angelina pergunta: “tudo bem? Aconteceu um imprevisto, não vai ser possível a gente se ver. Leia a mensagem no WhatsApp. Até”.

Roque abre a mensagem no WhatsApp e lê: “tenho de ir buscar um parente no aeroporto. Imprevistos acontecem. Fica para outra oportunidade”. O interesse de Angelina é faturar programas. Corre à boca pequena que os orgasmos dela acontecem apenas com mulheres. Não possui afinidade eletiva com o sexo oposto, mas com o dinheiro que pode ganhar com ele. Ao voltar à mesa Vardin nem desconfia que Roque sabe da mensagem lida que ele havia deletado, assim como o conteúdo do telefonema.

Roque observa o quanto Vardin se decepciona e fica inquieto porque Angelina não chega. Depois de uma hora de espera e alguns drinks, visivelmente irritado, Vardin prepara-se para pagar a conta. Roque havia ocupado outra mesa distante e do lado de fora do restaurante. Pega o celular, disca e o observa atendendo o telefone.

Roque/Metamorfo/Angelina após pedir desculpas pelo atraso, pede que Vardin confirme, via mensagem de texto, se quer encontrá-la num motel próximo à estrada de União, em uma hora. Após confirmar o encontro ele passa a mão direita sobre a cabeça descendo-a até a nuca, enquanto fala: “gás nobre na arapuca”.

VIII

— “Espero o noivo, a gente vai casar-se daqui a pouco”??? Essa a mensagem de texto provocativa de Roque/Angelina. O Metamorfo havia dominado a metamorfose também na encenação interpretativa da voz. Vardin logo responde, supondo que é mesmo Angelina quem falava: — “Daqui a pouco, sim. No Residencial da Estrada de União. Vou falar com minha amiga “Dalila”, ela está na casa do Durval, em uma hora chego aí.

Há muitas denominações para a coca no Piauí. Uma delas é “Dalila”. Roque/Metamorfo não conteve o sorriso. Na cama Vardin que espera encontrar Angelina, não é ela que nela vai estar. O Residencial é um sítio numa estrada vicinal, escondido entre árvores numa vegetação abundante. Sauna, piscina e demais mordomias para o usufruto de empresários e artistas da noite. Num palco ao ar livre, a presença de uma banda de música, cantores e cantoras fazendo tudo para bombar a carreira num ambiente no mínimo alcoolizado.

O carro de Vardin dirige-se ao Residencial quando cruza com outro veículo com luz interna acesa. Ele reconhece o perfil de Angelina. Desconfiado, se interroga: “Angelina tem irmã gêmea”??? Na real, a autêntica Angelina está querendo passar um tempo no litoral onde é proprietária de uma residência na Praia do Coqueiro. Vardin para o carro e hesita em girar a direção e aparelhar seu carro ao outro em sentido contrário. Talvez deva conferir se a Angelina está mesmo nele ou se foi só uma ilusão de ótica.

Pensa melhor e acredita que pode ter tido uma visão antecipada da mulher que está indo encontrar, devido à ansiedade que por esse momento ansiou por muito tempo. Pega o celular liga para ela no Residência:

— Angel, você tem uma irmã gêmea??? Acabei de cruzar contigo num carro a caminho daí”. Roque/Angelina responde: Isso acontece muito.

— Você sabe, continua Roque/Angel, de noite todos os gatos são pardos. E as gatas (sorri) também. Não dá para estar em dois lugares ao mesmo tempo. Vardin parece se dar por convencido e retruca: ““você tem razão, “Dalila” pode ter algo a ver com isso” (ambos sorriem). Ele pisa no acelerador enquanto desliga o celular.

Entrando no quarto, ele se depara com Angel saindo do toilette enquanto Vardin prepara um drink. Mal sabendo ele que seria, se permanecessem mais tempo no quarto, um drink no inferno. Um inferno que terminaria sendo adiado. Ele se dirige ao banheiro ao mesmo tempo em que ela “batiza” o coquetel dele com uma pequena dose de analgésico para equinos. Roque/Angel/Metamorfo pretende surpreendê-lo com uma sessão de sodomia, como ele costuma fazer com garotos e garotas em noitadas de perversões. Mas, ao sair da retrete Vardin não está a se sentir bem.

— Cara, disse Angel, você precisa maneirar nas anfetaminas. Ajustando-se no sofá, ele parece concordar. “Angelina” havia planejado uma dose de “Boa Noite Cinderela” que fizesse Vardin ficar meio indefeso. Daria então ao gandaieiro o que ele costuma dar aos adolescentes cooptados por ele via parcerias dele com as conhecidas “madames da noite”, que agitam programas de adultos com meninos e meninas.

Mas, Vardin começa a parolar sobre uma festa eu vai haver comemorando um tríplice evento, ao qual compareceria a high-Society da Cidade Verde. Com presença de várias personalidades da Central Globo de Produções, todos os convivas tendo recebido com seus convites, passagens aéreas de ida e volta: Rio-Teresina, SP-Teresina. E vice-versa.

O evento festivo seria a comemoração de um “tríplice aliança”: o aniversário de quinze anos da neta debutante de Vardin, ao mesmo tempo a comemoração das Bodas de Algodão, dois anos de casado, de um casal habitante no Jardim Botânico bairro do Rio de Janeiro, sendo o marido um jovem executivo associado das empresas retransmissoras da Globo em Teresina com uma modelo e atriz de novela “O Outro Lado Do Paraíso”. Por último, as bodas de esmeralda, 40 anos de casamento do irmão de Vardin e sócio da afiliada da TV Globo no Piauí.

Angelina percebe que a voz de Vardin começa a engrinaldar, ele cada vez mais contrafeito, como se estivesse prestes a ter um piripaque. Sugeriu que ele deveria voltar para casa porque poderia ter um infarto, desde que estava com respiração difícil. Ela/Angel/Metamorfo dirige o próprio carro de volta à cidade, após fazê-lo inspirar e expirar profundamente a cada cinco segundos, internando-o no “Hospital Aliança Casa Mater” no bairro Piçarra.

Roque volta à aparência normal, dirigindo-se à própria residência numa estrada vicinal a caminho da cidade de Altos. Ele está numa crise de conflito interno. Ora se acusando por ter salvado a vida de um sujeito da mais baixa moralidade, se justificando porque se o biltre tivesse morrido, teria se livrado comodamente da desforra de suas muitas vítimas.

IX

Roque Metamorfo havia voltado à forma física original. Ao dirigir-se à sua residência na zona afastada do centro da cidade, ele repetiu de si para consigo a frase que havia lido em recentemente num livro sobre teosofia: “não há religião superior à verdade”. E começou a falar a frase com outras palavras: “não há filosofia superior à verdade” — “não há percepção superior à verdade” — “não há valor mais nobre que a verdade” — Mas, continuou ele a falar consigo mesmo: “como dizer a verdade, desnudar o Véu de Ísis das aparências, sair do mundo da farsa, hipocrisia e aparências, e revelar a verdade pessoal, social, singular e desagradável a quem está habituado às mentiras"???

A indignação de Roque Metamorfo cresceu à medida que ele aumentava a velocidade do carro, numa estrada na qual as luzes do amanhecer despontavam nas cores intensas do horizonte. Talvez tenha ficado tempo demais absorvendo a aparência e a personalidade de Angelina, a Angel conhecida entre íntimos. Ela possui personalidade com transtorno obsessivo compulsivo. Ele imaginava uma solução para os muitos problemas que afetavam seu comportamento diário e não lhe permitia ter um relacionamento amistoso com pessoas as quais gostaria de privar melhor.

De repente sua raiva aflorou à proporção que mais fundo pisava no acelerador. Motivado por um impulso quase que suicida, o carro ganha velocidade desmedida, o velocímetro está com o ponteiro no limite. O Metamorfo parece não se dá conta de que há perigo nos carros, caminhões e ônibus que cruzam consigo numa estrada quase sempre e em todas as horas movimentada. De uma maneira regressiva, Angel estava a exercer sobre ele sua influência pregressa, primitiva. Mesmo em alta velocidade ele fixava o rosto de pessoas nas janelas de conduções coletivas que com ele cruzavam. Sua aparência modificava-se em metamorfoses rápidas que prejudicavam sua atenção na estrada. Por pouco seu carro, numa curva, não se precipitou sobre um carro menor ao cruzar com um ônibus que saíra da linha dupla de não ultrapassagem. Ele sentiu o perigo, diminuiu a velocidade, controlou-se tirou o pé do acelerador e, afinal, chegou ileso em casa.

X

Os convites foram distribuídos quarenta dias antes do grande e tríplice evento. Junto aos convites foram distribuídas pulseiras de identificação dos convivas conforme os três grupos de convocados: casamento, bodas de algodão e a festa de debutante. Tanto os convites quanto as pulseiras de identificação com diferentes cores para cada uma das três ocorrências, foram impressos conforme cada modelo de personalização nomeadas, em cada um deles, a tríplice menção.

Entre os convivas corria à boca pequena comentários de que o marido da mulher do casal que comemorava as “Bodas de Algodão”, quando da festa de casamento há vinte e quatro meses, estava por demais aflito, porque não saberia fazer acontecer na cama da noite de núpcias, o que deveria o esposo fazer com a mulher. O casamento foi arranjado por conveniência dos dois lados das famílias. Do lado do noivo não havia qualquer expectativa de ereção, mesmo porque era do conhecimento geral que a noiva estava grávida de um conhecido marmanjo chegado ao consumo de barbitúricos, entorpecentes, álcool e maconha.

Os convidados estavam a receber em mãos almofadas bordadas com letras douradas com os dizeres: “estamos casados a dois anos, 24 meses, 730 dias (e noites), 17.620 horas e um milhão, 51 mil e 200 minutos de harmonia. As almofadas variavam de dizeres e cores, conforme o evento que representavam. No palco, centro do sítio ajardinado cantoras e cantores de bandas adolescentes se apresentavam, assim como humoristas “Stand Up Comedys” também de municípios vizinhos.

Infiltrados nas comemorações estavam também adversários renhidos de Vardin, publicitários, funcionários penetras de empresas que por ele haviam sido, de alguma forma lesados, inimigos de juventude não identificados pelos donos da festa. Deles surgiam comentários de que Vardin era boiola dos mais entusiastas que transava com executivos arrumadinhos, de terno e gravata, com intensa assiduidade.

O sítio onde a festividade acontecia nas imediações da cidade, fora ajardinado por Burlei Omarx assistido pelo arquiteto e paisagista de vegetação, Fred Henngels. Nele havia um coreto, piscina, sauna e um lago com a presença de casais de marrecos, um minizoo de aves lacustres. Todos os animais e aves pareciam animados pela presença colorida de adolescentes agrupados em seus respectivos nichos de simpatias.

Profissionais de limpeza, segurança, recepcionistas, valetes, pessoal da copa-cozinha, animadores de salão, muitos deles unidos com certa malícia punitiva. Garçonetes que foram drogadas e abusadas por membros da gangue da qual fazia parte Vardin. Rapazes vitimados por práticas sexuais sádicas, que alugavam seus corpos para poderem continuar os estudos de odontologia, medicina, economia, enfermagem, sociologia, psicologia, turismo... Toda gente que era cooptada por “damas da noite”, cafetinas catitas, discretas e supostamente graciosas, estavam a prestar serviço nos três eventos em um.

Segundo opinião de muitos partícipes, Vardin havia sido criado favorito do colo abusivo do pai. Sua persona perversa seria uma compensação vingativa inconsciente da sodomização parcial e arbitrária do pai tirano. Vingava-se ele naquelas pessoas humildes, respeitosas, submissas, necessitadas de um emprego, de uma fonte de faturamento, fosse qual fosse, para poder manter as despesas da casa e da graduação universitária.

XI

Não há como mudar o comportamento de uma sociedade se o comportamento das pessoas que nela vivem continuar o mesmo. As pessoas ditas respeitáveis nessa sociedade são aquelas que têm o pior exemplo a oferecer às demais camadas sociais abaixo delas. Num agrupamento social dessa ordem, ninguém é totalmente consciente do que faz. As forças inconscientes que impelem as pessoas a ir em frente em suas demandas, são poderosas e ao mesmo tempo ignoradas por elas. A variação do fluxo no campo elétrico do cérebro, através da indução eletromagnética de comportamentos das gerações anteriores (DNA universal comparativo) resulta numa força, pessoal e coletiva, unificada e insuperável.

A empresa retransmissora de TV visão a qual Vardin dirigia, poderia impulsionar oportunidades locais de incentivo à cultura, promovendo cursos para atores, dramaturgos, roteiristas... Mas, a concentração de renda e poder em mãos de poucos, provoca uma dominação social narcísica, na qual aqueles que poderiam fazer alguma coisa para mudar esse cenário de decadência social perversa, ao contrário, incentivam a prostituição e a marginalidade, a militância de quadrilhas de militares e civis a serviço de efeitos sociais, os mais nocivos ao desenvolvimento intelectual e moral das pessoas que deles dependem.

O cenário social da Cidade Verde, suas autoridades políticas, legislativas, jurídicas, suas sociedades secretas e militares, funcionam todas no sentido de manter as coisas como estão, porque elas se mantêm a cavalgar os quatro cavaleiros do Apocalipse social de uma cultura pândega, incestuosa, viciada em barbitúricos, drogas, falta de educação e cultura, mantidas por programações de entretenimento do mais baixo nível.

Os excessos de lucro financeiro e econômico de uma empresa de formação de caráter, tal qual é uma TV visão que educa por imagens, pelo fato de invadir a sala de jantar de todos os lares, em todas as cidades, devia ter responsabilidade social em todos esses lugares. Mas, ao contrário, essas pessoas empoderadas pelo dinheiro investem em vítimas, colhem os frutos de uma geração adolescente e imatura, para suas taras sexuais e de doenças mentais dantescas, provenientes de gerações passadas que nada sabiam ou sabem de evolução, de compromisso com cultura e civilização. Cultura e civilização para eles: “elas que se danem ou não”.

Roque Metamorfo se perguntava de onde vinha a singularidade que o permitia mudar de forma, de se diferenciar e ao mesmo tempo assimilar a aparência de terceiras pessoas. Ele se imaginava o resultado de uma espécie de evolução sobrenatural. Já que a espécie, dita humana, não poderia evoluir intelectual e moralmente, sua vontade de sair dessa gaiola das loucas familiar e social, o conduzira às mutações às quais estava sujeito. Ele, uma espécie de ser humano e monstro ao mesmo tempo???

Que importância tinha para si esse fenômeno, que por mais que estudasse, mais o ignorava em sua natureza real, aparente e ilusória, manifesta na experiência de seus sentidos, agora não tão humanos!!! Em seu corpo circulava sangue com alguns minérios intensificados: cálcio, magnésio, fósforo, potássio, sódio. Minerais presentes em qualquer ser dito humano. Porções mínimas de rocha denominada bonitoite, do grupo siclosilicatos, com fluorescência ao ser submetida à radiação ultravioleta, foram detectadas em seus exames. Esse mineral silicatado de cor azulada não está presente nos demais seres humanos.

Roque Metamorfo guardava para si essas descobertas. Não seria nada conveniente divulgá-las entre pessoas de seu conhecimento. Criaria por certo, preconceitos, manifestos ou não, pelas reações e secreções químicas orgânicas e inorgânicas essenciais, que seriam diferentes nas demais pessoas:

Ligações entre átomos, quebra dessas ligações e funções na estrutura corporal que dependem dos compostos de carbono, suas propriedades físicas, composição, reações e síntese. Provocariam, se divulgados alguns de seus exames e pesquisas sobre si mesmo, desconfiança e talvez medo, por serem, alguns de seus compostos organometálicos e mecanismos internos próprios de suas reações e transfigurações ou metamorfismos, diferentes das demais pessoas e de ações e reações orgânicas e inorgânicas.

XII

As festividades transcorrem num ambiente de serena cordialidade nas aparências. Sob estas, a realidade de que todos aparentavam fingimentos, disfarces, simulações. A realidade é que todos concorriam para botar lenha na fogueira das vaidades. Logo abaixo da configuração exterior, corria, no rio subterrâneo da subconsciência coletiva, a percepção da plenitude da verdade de cada uma pessoa: as opiniões maliciosas, a natureza supersticiosa dos sentidos, a ilusória realidade irrefletida do senso comum, as paixões deformadas pela incompreensão objetiva dos fatos circundantes, no ambiente de hostilidades contidas à flor da pele, logo abaixo da exterioridade.

“Abandone Toda Esperança Aquele Que Aqui Entrar”: esta frase não estava escrita em nenhum lugar, mas era percebida como se fosse uma presença sobrenatural a pairar onipresente em todos os recantos da atmosfera ambiental. A aura coletiva não mente. Toda aquela fidalguia de aparências não se sustentava.

Roque Metamorfo aproxima-se de um funcionário que coordena os serviços do Buffet: alguns procedimentos combinados estão prestes a começar a acontecer. O político Chico Lazeira, proeminente personagem da política do Planalto, é solicitado a participar da mesa de um grupo de amigos comuns. O chamado afasta-o do palco central onde Roque Metamorfo toma a palavra como se fosse o próprio “Chico Lazeira”, dizendo:

— Queridos amigos, a alegria hoje nos uniu nessas comemorações. Nosso animador central, lá no Distrito Federal, subiu ontem o Pico da Bandeira, ponto mais alto do Planalto. Nosso atlético...

— Para com essa treta Chico, por que o whisky lá na mesa de vocês é diferente do nosso??? Na democracia todos têm os mesmos direitos. — O comentário malicioso, veio de uma mesa próxima e teve por objetivo interromper a propaganda política e mencionar as garrafas de “Macallan Enigma Single Malte Scotch”, que custa aproximadamente dois mil reais, presentes apenas nas mesas dos barões da festa.

Roque Metamorfo/“Chico Lazeira”, provocado, responde:

— Cada um bebe como pode. De qualquer forma o whisky que vocês estão bebendo é cortesia da festividade. Não é o melhor malte do festejo, mas você sabe: “cavalo dado não se olho os dentes”.

— Mas, veja e realce: whisky de festa se olha o malte, respondeu outro ocupante da mesa.

— Isso mesmo “Chico”, nada de discurso político hoje. Hoje é dia de festa. Esquece os cornos na testa. — Muitas risadas se multiplicaram ao redor.

— “Chico” fez que não ouviu e partiu para a propaganda política assanhada, dizendo que “só quero lembrar aos amigos: ontem nosso presidente subiu e desceu o Pico da Bandeira com a bandeira nacional na mão. Esse ato cívico só mesmo um mito pra fazer”. Subiu e desceu numa caminhada de pés. Foi e voltou, subiu e desceu num só fôlego.

— Ah, Aha, Ah, o “atreta” continua com tretas propagando uma patética reeleição. — Fala sério meu irmão. O país não precisa de um assassino em série vendendo dor e comercializando armas.

“Chico Metamordo” talvez quisesse continuar, mas um dos garçons aproximando-se dele cochichou no ouvido de Roque que genuíno Chico Lazeira havia saído da mesa onde estivera e estava se aproximando-se do lugar.

— Divirtam-se, eu vou voltar para meu Macallan Enigma, dizendo isto afastou-se. Algumas vaias se fizeram ouvir. Uma velhinha, de postura dobradinha, olhando “Chico” afastar-se começou a bater palminhas para sua fala, provocando não poucas gargalhadas, enquanto a cuidadora, meia sem jeito, pegava nos pulsos dela, dizendo, esse cara não é pra aplaudir não.

Decio Goodnews
Enviado por Decio Goodnews em 26/10/2021
Reeditado em 03/11/2021
Código do texto: T7372209
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