Meu eu.

Na minha cabeça, todo mundo pensa errado sobre mim. Eu erro. Eu erro muito.

Deu-me medo botar o nariz naquilo. Nasci pra outra coisa. Na verdade, não queria esperar reconhecimento. As pessoas esperam.

Alma de sorte.

Quero pensar que hoje foi o último gole. E foi doce. Um gole doce que me trouxe um gosto amargo. Eu quero pensar que larguei tudo e que hoje foi o último cigarro. A última noite, o último tiro na cabeça.

Eu, bêbada no taxi. Foi ruim.

Músicas malditas ficam na cabeça. Sempre ficam. Você corre da dor e ela corre atrás de você. Tenho medo do que você se tornou em tão pouco tempo. A dor corre em forma de música.

Existe um ódio recorrente. Tortura mental, coração que sangra. Quanto tempo dura? Se desligar de alguém leva tempo. Quando eu exponho o sentimento ruim, piora. Está piorando agora. Olha a hora. Eu devia estar sorrindo com gosto de bebida na boca. Não estou. Não estou.

Olha o que eu me tornei. Olha bem. Vê se isso te faz feliz. Pega três segundos e pára. Pensa. Pensa com você. Se você não me conhece, pensa. Tenta imaginar o meu eu.

Desvenda.

Todo mundo fala da própria vida. Que vida? Vida é o quê? Voltar em zigue zague pra casa me faz feliz? Te faz? E as pessoas ao redor? Fazem? Conseguem?

Quem é o meu eu? Quem é o seu?

Meu eu é sistemático, ácido, bipolar. Na verdade, não existem muitos adjetivos complacentes. Eu sou essa farsa que todo mundo lê. Esses erros de português, essa merda toda. Desfaço-me em segundos.

Olha que texto positivo. Sorri.

Me obrigo a ser amável. Me obrigo. cool thing.

As drogas. Como é que surgem? Surgem assim. Elas surgem de pessoas amadas. Quem te ama, te droga. Amar é droga. Odiar é remédio.

Tô numa merda imensa. Dói pensar que me tornei detestável. E isso não inclui nada ilícito – estou limpa. Sempre estive. Eu é que faço meu dia.

Bom dia.

Escrevi isso chegando bem louca em casa às 5 e pouco da tarde. relevem. esse é o meu eu bem louco.