SÉRIE ALMAS PEQUENAS Nº 18 - A DESONESTIDADE

No lábaro da mais dolosa indignidade, tremula essa pífia devassidão;

Que afunda a consciência na devastação, que implode a alma com torpezas;

É a contra-mão de toda humana natureza, é o ser vivendo em escuridão;

Que lucra na defraudação, que tem inimizade com a franqueza!

E é na senzala da ambição que sua fonte se abastece;

Tem sempre menos do que pensa que merece, é arapuca de infindos artifícios;

Projeta multidões de malefícios, não poupa quem supõe que lhe conhece;

Não é sincero nem quando faz prece, é fraude descarada em seus indícios!

O desonesto toma posse consciente do que a ele não pertence;

Só há um surto que lhe vence: o da trapaça traiçoeira;

A sua lágrima é atriz inverdadeira, não há reflexão que lhe repense;

Quando seu ato se esconde num suspense, é por armar nova fogueira!

O desonesto não comunga com a verdade, nem tem honra no que diz;

Quem lhe ama há de ser infeliz, quem nele crê logo haverá de lamentar;

Dentre os pulhas um dos piores que há, é peçonhento mar de ardis;

Perderá o que tem nem terá o que quis, pois não condiz com a sorte feliz que o justo verá!

"De todas as fraudes estreladas em palco desonesto, a mais devastadora é aquela que lhe furta a própria sorte!" (Reinaldo Ribeiro)

Reinaldo Ribeiro
Enviado por Reinaldo Ribeiro em 15/02/2009
Reeditado em 16/02/2009
Código do texto: T1440729
Copyright © 2009. Todos os direitos reservados.
Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor.