VOLTAR E VERSAR

Há muito voltei a escrever, repassando as letras que escondi nos prantos de solidão porque sozinho eu ouço minha fragilidade e descubro o grito que prendo por uma vergonha inexplicável. Mas não é apenas esse o motivo para sonhar alguns versos. Não posso retomar uma dor que esqueci de esquecer 
já que me acompanha por pena ou piedade como se fosse eu o pior dos piores..., idiota piedade. Não volto a escrever por um lamento, mas lamento estes poucos momentos infelizes que teimo enfatizar, esquecendo a poesia que recebo sem merecimento, uma herança sem autor.Há muito que me cobro um poema, mas não sou maquina que refaz um sonho nem mágico que encante um instante de contentamento. Devo esperar a vida me inspirar.Há muito que penso na morte com tranqüilidade, mas pensar no futuro sem esperança não é sinônimo de maturidade, mas ansiedade despropositada.Da mesma forma sei que, soltar os instintos do jeito que me vier ao coração é a única maneira de transformar meu grito em lampejos de poesia.Hoje resolvi sonhar-me pianista e teclar notas de letras como música de acalanto.Hoje resolvi escrever sem compromisso.Talvez porque tenha me lembrado que me sinto feliz em ler outros sonhos que não sejam os meus.

Jose Carlos Cavalcante
Enviado por Jose Carlos Cavalcante em 29/05/2006
Reeditado em 29/05/2006
Código do texto: T165601