Alunos tecnologicamente autodidatas

Adolescentes tecnologicamente armados, com seus celulares imersos em diversos programas e acessos ilimitados na internet; orelhas sempre em prontidão com seus fones impenetráveis por qualquer ruído externo; dedos flexivelmente rápidos com alta destreza, dá um espetáculo de agilidade ao teclarem, tanto seus celulares, em minúsculas teclas, quanto em seus notebooks.

É incrível como eles aprendem sozinhos o funcionamento destes aparelhos modernos de telefonia, que - podemos dizer - está mudando a todo instante, com novas versões, novos sistemas. Eles não leem os manuais e, na maioria das vezes não pedem ajuda, apenas ficam mexendo e descobrindo os recursos que muitas vezes está num outro idioma.

Não vejo como inimiga o envolvimento da tecnologia na vida dos estudantes, o problema é que, como meio de aprendizado, ela é pouco ou má explorada nas escolas. É uma discussão que ganha muito espaço atualmente no meio educacional, porém, vejo que às vezes muitos a interpretam mal, pois pensam que basta ter o recurso tecnológico e tudo ficará mais fácil e, nossos alunos aprenderão, pois, estarão muito bem motivados só por ter os equipamentos.

Mas o mais interessante é que fazendo um paralelo com este aprendizado autodidata destes jovens e o ensino escolar, temos uma observação um tanto quanto curiosa:

Eles sabem acessar a internet, mas não "acessam" os livros e apostilas de Língua Portuguesa;

Eles sabem ler as mensagens dos sites de relacionamento, mas não leem pequenos textos de filosofia;

Eles sabem partilhar vídeos, músicas, imagens, mas não trabalham em grupo nos jogos da Educação Física;

Eles sabem localizar pelo bluetooth usuários que ativam este mecanismo ao seu redor, mas não localizam os pontos principais das causas da Segunda Guerra Mundial na aula de história;

Eles sabem se localizar no GPS, mas não se localizam no globo terrestre na aula de Geografia;

Eles sabem perfeitamente o que deve fazer nos jogos de celular que são de idioma inglês, mas não entendem o que é o verbo to be;

Eles sabem ...

(FIQUEM À VONTADE PARA CONTINUAR OS TÓPICOS)

Cleber Xavier
Enviado por Cleber Xavier em 10/02/2012
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