Marcas...

Nada na vida passa sem deixar marcas!

Marcas da infância, com suas cicatrizes em lugares que fazem parecer que as crianças já vem com um 'X', como o dos mapas do tesouro, onde marcam exatamente onde todas elas vão se machucar: joelhos, cotovelos, tampa do dedão do pé, testa, boca, dentes. E é inevitável não esboçar um sorriso saudoso, nostálgico ao olhar para todas elas vez em quando.

Depois da infância, conforme vamos crescendo, pros mais esportistas ou pros mais desastrados, as passagens vão deixando marcas mais esporádicas, mas não menos expressivas, o que para as meninas, tornam-se fantasmas estéticos se muito visíveis. Na adolescência tudo é mais dramático do que realmente é! E é nessa fase, que começamos a nos marcar por dentro também! Certo, nessa fase são arranhões que mais parecem buracos abertos por uma escavadeira pilotada pelo anjo mal do: "o que há de errado comigo?", tamanha dor que as desilusões amorosas causam! Falta-nos ainda maturidade pra saber que tudo passa e que muitas pessoas que valem a pena conhecer, cruzarão seu caminho ainda e, que príncipes em seus cavalos brancos podem estar mais para unicórnios de tão surreais! Apesar que nos dias de hoje, os príncipes estão bem diferentes, montados em seus "Mizunos", armados com seu Iphone e tem os dentes coloridos! Vai entender!

E a partir daí, partindo do princípio que a maturidade traz com ela entendimento e sabedoria para burlar essas marcas que às vezes tornam-se superficiais, quase nem as notamos e a dor é breve. Outras que parecem que vão perfurar tudo dentro de você e o pior, não existe remédio que amenize. Assim como quando éramos adolescentes e que todas as dores eram irremediáveis e incuráveis e é por isso que a maturidade nem sempre é forte quanto o aço que aparentava que seria! rs Tudo é tão paradoxo na vida! A dor é paradoxa! Sem ela, sem as marcas internas ou externas adquiridas ao longo de nossas vidas, perderíamos nossas identidades, não saberíamos a força que temos e não teríamos referências de nós mesmos para nós mesmos!

Marcar-se dói tanto, mas tanto e ao mesmo tempo que quebra, destrói, avassala, resgata... nos constrói de novo, mais fortes, mais resistentes, mas não menos machucados e esses machucados se tornam tão somente marcas, de quedas, de bicicletas, de árvores, escadas e das nuvens tantas vezes!

No decorrer da vida, vamos nos tornando a soma das marcas de dor e de felicidades! Sim, a felicidade também nos marca! São marcas tão expressivas quanto às marcas que causaram dor! São marcas que são encontradas nos olhos, que apesar de terem chorado em alguns trechos do caminho, transmitem as lágrimas que regaram o solo do futuro, para que em vez de dor, houvesse mais flores a enfeitar o caminho daqueles que enxergam a vida com bons olhos, com o coração partido, porém forte e melhor, com a certeza de que a vida não joga pra perder e que tem coragem de viver, com o que se tem e com o que se é, sem desistir jamais!