Moinhos de Gente


Gente pode ser ventania. Chega bagunçando não apenas nossos cabelos, mas nossas vidas, nossos sonhos e projetos. Chega sem avisar e vai embora sem se despedir deixando em desalinho todos os espaços onde passou;

 
Gente pode ser tempestade. Faz muito barulho, amedronta com força e usa isso para impor suas verdades e sair batendo a porta na cara dos que pensam diferente, jogando pedra no telhado daqueles que ousam ser abrigo em meio a desordem;
 
Gente pode ser furacão. Passa destruindo tudo, deixando um rastro de dor e amargura nas ruas de nossas existências. Gente assim desconhece a força da suavidade;
 
Gente pode ser tornado. Fica girando em torno do outro até derrubar suas defesas e destruir sua história. Gente assim adora destorcer os fatos, destruir a harmonia, misturar maldade com ironia e fazer da vida dos outros uma agonia;
 
Gente pode ser brisa. Tão suave quanto um abraço de verdade, apertado, envolvendo o outro por inteiro. Gente assim sorri bonito, com os olhos e com a alma, iluminando nosso dia, contagiando quem está ao seu lado. Sofre na pele as feridos do outro e chora suas dores;
 
Gente pode ser puro sopro de vida. Gente de verdade. Gente que gosta de gente, apesar de todas as limitações humanas. Que enfrenta ventanias, tempestades, furações e tornados, mas não perde a doçura e a suavidade, pois procura administrar seus vendavais sem atingir o outro.   

Há gente que aprende, diariamente, a retirar a poeira dos dias e a se reconstruir nas correntes de ar trazidas pela vida.  Gente inteira. Que se ama, se cuida e se gosta. E que  gosta,  ama e cuida da gente também. Gente que se reconhece imperfeita e por isso respeita as imperfeições do outro. Que sabe a hora de ir e de voltar. De ficar ou de partir. 
 
Há gente que em meio aos muitos redemoinhos da vida tenta se conhecer e se encontrar... Ser brisa, em vez de tempestade. Ser abrigo em meio ao furacão. Ser ponte que permite a travessia para nos salvar dos tornados. Gente que une. Que reconhece a força da semente do bem e  afasta as ervas daninhas que tentam sufocá-la. 

Gente que contribui com a construção de uma atmosfera  sem gazes venenosos. Cuja energia elimina as forças negativas que roubam nossa força.  

Gente que se reconhece parte de um todo. Que respeita a natureza em toda sua diversidade e dela só extrai aquilo que alimenta o lado bom do ser... 
 
 
 
Este texto faz parte do Exercício Criativo - Redemoinhos
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Ângela M Rodrigues O P Gurgel
Enviado por Ângela M Rodrigues O P Gurgel em 18/07/2016
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