Eu: uma palavra: um som. Não realidade

Aquilo a que chamamos "nós", o sujeito por trás dos olhos, o homúnculo dentro do cérebro que julga o mundo de fora "dele" (veja como temos sempre de representar um sujeito) não é nenhum "eu", são nossas apreciações de valores, "nossos" ideais, ideias, gostos, apetites. Julgamos o mundo pelos olhos de uma ficção, apartir de uma sombra que projeta sobre a vida "nosso" próprio aspecto, as vezes insuportável. Não é pra menos que a vida tenha uma impressão horrível as vezes!. O "eu" é um valor, "ele" é a síntese, a cadeia inteira dos pensamentos, um processo do pensamento que se desdobra sobre si mesmo devido a linguagem que introduz um sujeito gramatical pela crença no hábito de repetir sons.

Talvez a palavra, o som "eu", antes, em tempos mais primitivos - sim! ainda somos demasiados primitivos - era percebida como o que é, e não como supostamente deve ser. Valor dos valores. Indicativa. Jamais uma realidade.

E aqui extrapolo minha loucura para os sóbrios de plantão: não existe pessoa nenhuma na Terra. Temos vivido como um espírito universal, vagando, nomeando tudo, rotulando tudo, uma alma antiga e cansada que traz os valores da antiguidade nas costas. Dado a distância temporal, creio que esquecemos o que somos: nem valores, nem pessoas, mas vida.

Ora, e uma pessoa não é uma vida? Não. É um conceito. A vida não é um argumento.

E o que é a vida? Ops...

Saibamos separar realidade da crença na linguagem! A palavra indica, nunca é a coisa mesma. É uma ceta, um letreiro no poste indicando algo.

O que?

Descubra por si mesmo - a vida não é argumento...

Fiódor
Enviado por Fiódor em 08/07/2017
Código do texto: T6048720
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