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Dentinho

Daquele pão duro que estava comendo
Em questão de segundos senti uma dor
Dorsinha malandra que veio descendo
E do sangue escorrendo o cuspi com pavor
Pobre do dente! O coitado enfartou

Ah! Que tristeza!
Ele que fora fiel companheiro de tantas jornadas
Via-se agora ao relento
Jogado no bolso no meio do nada

Coitado! Tão valente e sagaz
Defendia-me de quase tudo
Podia ser frango, boi até porco
Não tinha medo!E nem era parrudo!
Se era para o meu bem
Mordia, esmagava e exterminava com tudo

Ah! Quanta saudade senti
Vivíamos como um nó
Acordávamos cantando e felizes
Pasta e escova - eramos um brilho que só

Mamãe quando caído te viu
Foi mais carinhosa que eu
Lavou-te, secou-te
E num paninho branco
Sua alma partiu.

Hoje passado alguns anos
Vejo-te do mesmo jeitinho
Bem pálido e pequenino

Mas o vazio que deixou
Por muito tempo não durou
Arranjei outro para o seu lugar
Mas veja bem.
Se a carne é fraca,
O que iria fazer?
Não poderia ir lá te buscar

Peço ao "Pai dos Dentinhos"
Que o proteja até tudo acabar,
Pois quem sabe na outra vida
Eu seja o dentinho perdido
E você uma alma a chorar.
Tatá Tamanduá
Enviado por Tatá Tamanduá em 28/09/2007
Reeditado em 28/09/2007
Código do texto: T671621

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Sobre a autora
Tatá Tamanduá
Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Brasil, 30 anos
11 textos (333 leituras)
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Tatá Tamanduá