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PERGUNTAS QUE SE REPETEM

As páginas do Recanto das Letras, caso fossem objeto de uma pesquisa retroativa, nos levaria a um grande número de perguntas que se repetem indefinidamente, destacando-se entre elas, a busca por uma definição sobre: quem somos nós, de onde viemos, qual a finalidade de estarmos aqui, para onde iremos, se existe um final, e como será o fim?

Essas perguntas, oriundas da nossa capacidade intelectual, incomodam sobretudo a ciência e a religião, aquela formulando as suas hipóteses e teorias, improváveis evidentemente, e esta, repetindo exaustivamente as fábulas e genealogias bíblicas, que os próprios profetas aconselham a serem evitadas. É evidente, que quaisquer conclusões que sejam apresentadas por quem quer que seja, serão sempre e invariavelmente improváveis, restando a cada indivíduo acreditar ou não no que quiser, ainda sem entrar no mérito, de que é imprescindível compreender, para adquirir o conhecimento e incorporar a crença.

Em termos de evolução, a religião, como tal, compreendida nas denominações teológicas, (não por nós) não tem para onde progredir, mantendo-se nas fábulas e genealogias, e a ciência se detém na impossibilidade de construir a sonhada teoria de tudo, não conseguindo a integração das suas teorias parciais, pela incompatibilidade entre a física quântica e a teoria da relatividade geral, impedindo que o sonho dos cientistas se torne uma realidade.

Sonhando com a paternidade da teoria de tudo, os cientistas procuram ignorar quaisquer possibilidades de que esse sonho possa ser realizado pela transcendência da razão, através da metafísica, o que seria para eles um insuportável e vergonhoso capitis diminutio diante da comunidade internacional como um todo. Assim, eles fingem não perceber as conjecturas do seu próprio colega, o astrofísico Robert Jastrow (1925-2008), que observou o permanente atraso da razão em relação ao espírito. Eles não se interessam pelos estudos e conclusões do geneticista que dirigiu o Projeto Genoma Humano, Francis Collins, e fazem de conta que não sabem que Isaac Newton e Albert Einstein, se orientaram pelas suas intuições, para a construção dos seus enunciados científicos. Nesse sentido, eles também fingem ignorar as próprias afirmações de Albert Einstein: “Não existe nenhum caminho lógico para a descoberta das leis do universo – o único caminho é a intuição. A religião do futuro será cósmica e transcenderá um Deus pessoal, evitando os dogmas e a teologia. Acredito no Deus de Espinosa, que se revela por si mesmo na harmonia de tudo o que existe, e não no Deus que se interessa pelo destino e pelas ações dos homens. Minha religião consiste em uma humilde admiração pelo espírito infinitamente superior que se revela no pouco que nós, com nossa fraca e transitória compreensão, podemos entender da realidade”.

O filósofo Espinosa teve a mesma percepção do também filósofo Zenão de Eléia e do Teósofo Jacob Boehme, concluindo que o verdadeiro cristianismo indica que estamos e somos em Deus, e a encarnação não significa que Deus veio viver entre os homens, mas sim que Ele vive nos homens. Espinosa ataca duramente a teologia cristã por ter destruído essa verdade do cristianismo. Na verdade, Deus se produz a Si mesmo, às coisas e ao homem, e esse modo de autoprodução é o próprio modo de produção do real. Assim, Espinosa elimina a ideia fundamental da teologia e da filosofia cristãs, ou seja, a ideia de criação de um Deus preexistente que tira o mundo do nada. Deus se produz e produz as coisas pelo mesmo ato, e Ele é a causa de Si mesmo e das coisas, como causa imanente e não transcendente. A sua produção não visa a fim algum, pois é o seu próprio fim, e entre esse ato de produção e o produto, não há distância a separá-los, pois são uma só e mesma coisa.

Para aumentar ainda mais a complexidade do entrosamento entre o espírito e a razão, devemos observar a questão da própria evolução individual. No terreno da razão, é fácil compreender que um aluno no início do curso fundamental, não pode entender uma aula do final de um curso superior. No âmbito espiritual, um cristão ainda vinculado à Primeira Aliança, relativa ao ministério de Moisés, onde se encontra o leite espiritual, ou os aspectos elementares do ensino cristão (Hebreus 6:1), não pode compreender os fundamentos da Segunda Aliança, relativos ao ministério de Cristo e consignados pela Doutrina da Graça. A Primeira Aliança exige apenas a fé, sem o conhecimento de Deus, e a Segunda Aliança dispensa a necessidade da fé, que é absorvida pelo conhecimento de Deus, que por sua vez exige o novo nascimento.  Ninguém precisa ter fé (acreditar) que dois mais dois são quatro, porque todos sabem disso. Crer (fé) por não saber, e saber para não precisar crer (fé).

Não temos recebido o espírito do mundo, mas, sim, o Espírito que vem de Deus, a fim de compreendermos as coisas que nos foram dadas gratuitamente por Deus. Também falamos dessas coisas, não com palavras ensinadas pela sabedoria humana, mas com palavras ensinadas pelo Espírito Santo, comparando coisas espirituais com espirituais. O homem natural não aceita as coisas do Espírito de Deus, porque lhe são absurdas; e não pode entendê-las, porque se compreendem espiritualmente. Mas aquele que é espiritual compreende todas as coisas, ao passo que ele mesmo não é compreendido por ninguém. Pois, quem jamais conheceu a mente do Senhor, para que possa instruí-lo? Mas nós temos a mente de Cristo. (I Cor. 2:12 a 16)

Muitos dos chamados cristãos, não sabem se estão vinculados à Primeira Aliança, se alimentando do leite espiritual, ou se já se encontram inseridos na Segunda Aliança, saboreando o alimento sólido da Graça espiritual. Essa dúvida indica que estão na Primeira Aliança, pois o Espírito não deixa dúvida alguma quando proporciona o novo nascimento em Cristo. Contudo, para estes, recomendamos a leitura das “Dez Breves Lições da Theosophia”, postado na página 7 dos textos, apenas como um pequeno teste para a sua autoavaliação.

Feliz jornada para os cristãos da fé, na busca do conhecimento, e feliz jornada também para os cristãos do conhecimento, nos seus esforços para frutificar na videira do Senhor! “Pedi, e vos será dado; buscai, e achareis; batei, e a porta será aberta”.
Edgar Alexandroni
Enviado por Edgar Alexandroni em 14/11/2019
Reeditado em 14/11/2019
Código do texto: T6794849
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Edgar Alexandroni
Santo André - São Paulo - Brasil, 80 anos
221 textos (11899 leituras)
1 e-livros (214 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 24/01/20 03:01)