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Questões de Literatura - 1ª série E.M.

01) Para muitos, o maior malefício trazido à cultura pelos meios de comunicação de massa tem sido a banalização cultural e a redução da realidade à mera condição de espetáculo. Não cremos que a dimensão do espetáculo tenha sido criada pela comunicação de massa nem que o espetáculo, enquanto tal, seja um malefício para a cultura, pois é próprio da obra de pensamento e da obra de arte oferecerem-se e exporem-se ao pensamento, à sensibilidade e à imaginação de outrem para que lhes confira sentido e as prossiga [...]. A questão, portanto, não se coloca diretamente sobre os espetáculos, mas com o que sucede ao espetáculo quando capturado, produzido e enviado pelos meios de comunicação de massa. (CHAUÍ, M. Simulacro e poder: uma análise da mídia.
São Paulo: Editora Fundação Perseu Abramo, 2006)

O texto de Marilena Chauí apresenta duas visões acerca da relação entre a cultura e os possíveis impactos dos meios de comunicação na sociedade midiática. Para ela,

a) a necessidade de atribuição de sentido à arte foi criada pela mídia.
b) os espetáculos em si não são responsáveis pela banalização da cultura.
c) os meios de comunicação de massa transformam a vida em mero espetáculo.
d) a cultura pode ser banalizada devido ao fato de os espetáculos serem essencialmente fúteis.
e) a obra de arte precisa ser exposta aos espectadores, portanto, deve ser transformada em espetáculo.

02) [...] A mãe partiu cedo – manhã seca e fria de maio – sem levar o amor que dizem eu ter por ela. Daí, veio me sobrar amor e sem ter a quem amar. Nas manhãs de maio o ar é frio e seco, assim como retruca o coração nos abandonos. Ela viajou indignada, por não ser consultada. Evadiu-se, sem suplicar um socorro. Nem murmurou um “com licença” – eu confirmo – para adentrar em outra vida, como nos era recomendado. Já não cantava, sobrevivia isenta, respirando o medo pelo desconhecido. A mão da morte soterrou até sua sombra. Foi um adeus inteiro, definitivo, rigoroso, sem escutar nosso pesar. Eu pronunciava, seguidamente, a palavra amor, amor, sem ter a presença amada.

[...] Não há merecimento ao sofrer por falta de explicações. A vida nos espia para creditar mais culpas. Tudo era claro e sem exigências de respostas: o tomate, o pai, a madrasta, a faca, os irmãos.

Matriculado na escola me vi diante de imenso oceano. Para vencê-lo, só com muitas palavras. Na margem – entre rendas de areias – as palavras eram meu barco. Com elas atravessaria as ondas, venceria as calmarias, aportaria em outras terras. Se era meu barco, eram também meus remos. Com elas cortava as águas, flutuava sobre marés e me via em poesia. (QUEIROZ, B. C. Vermelho amargo. São Paulo: Cosac Naify, 2011)

A análise do texto literário implica, antes de tudo, considerar as estratégias estéticas. No trecho exposto da obra, é especialmente evidenciado um trabalho com:

a) a oposição de espaços, marcada pelo ambiente doméstico-escolar, símbolos universais de duas fases distintas de vida.
b) a retratação poética do ambiente doméstico, salientado na composição “o tomate, o pai, a madrasta, a faca, os irmãos.”
c) a construção do narrador observador, constituído de modo profundo para que transpareça ao leitor seu estado de espírito de luto.
d) a intertextualidade, uma vez que o autor constrói seu texto a partir de outros extratos textuais para evidenciar o aspecto poético e dramático da obra.
e) a escrita da memória, recurso empregado para que o autor acesse o evento traumático da perda da mãe e, literariamente, evidencie seu luto e superação.

03) Nasci na Gabela, na terra do café. Da terra recebi a cor escura do café, vinda da mãe, misturada ao branco defunto do meu pai, comerciante português. Trago em mim o inconciliável e é este o meu motor. Num Universo de sim e não, branco ou negro, eu represento o talvez. Talvez é não para quem quer ouvir sim e significa sim para quem espera ouvir não. A culpa será minha se os homens exigem a pureza e recusam as combinações? Sou eu que devo tornar-me em sim ou em não? Ou são os homens que devem aceitar o talvez? Face a este problema capital, as pessoas dividem-se aos meus olhos em dois grupos: os maniqueístas e os outros. É bom esclarecer que raros são os outros, o Mundo é geralmente maniqueísta. (PEPETELA. Mayombe. São Paulo: Editora Leya, 2013)

Os conflitos internos da personagem representam um conflito que perpassa nossa sociedade. Nesse contexto, podemos reconhecer que

a) a necessidade da personagem de se enquadrar em estereótipos pré-determinados é uma das causas de seus conflitos.
b) a necessidade de se sentir aceita leva a personagem a escolher um dos lados dos dois grupos de pessoas, a maioria maniqueísta.
c) a divisão maniqueísta do mundo, proposta pela personagem, é fruto de sua observação sobre a melhor forma de se conviver nele.
d) a personagem anuncia sua ausência de lugar no mundo e sua crítica a posições sectárias quando reconhece que tem dentro de si o inconciliável.
e) a recusa da personagem em enquadrar-se em um grupo demonstra sua incapacidade de reconhecer as regras de convivência em sociedade.

04) Sem dúvida, Cézanne é tido hoje em dia como um dos maiores nomes da pintura de todos os tempos. Porém, não podemos esquecer que o reconhecimento do seu valor foi tardio: enquanto viveu, o consenso geral recusou-se a julgá-lo positivamente, e esse também foi o caso de Van Gogh, de Gauguin e dos impressionistas – pintores de uma época em que havia justamente um conflito entre os critérios estabelecidos e a obra que eles produziam. Poderíamos pensar que somos hoje mais aptos a perceber o valor deles, que nossa sensibilidade é mais aberta a Van Gogh e a Cézanne que a do público de seu tempo, e teríamos razão. Seria entretanto abusivo acreditar que o nosso juízo de hoje determina o reconhecimento definitivo de Cézanne e Van Gogh. A crítica, amanhã, poderá nos mostrar que estávamos enganados, e que o interesse dessa pintura, afinal de contas, não era assim tão grande.
COLI, J. O que é Arte. São Paulo: Editora Brasiliense, 1995. p. 18.

Considerando o texto, ao buscar conhecer e avaliar uma obra, um artista ou um movimento estético, é preciso considerar que:

a) a crítica de arte está submetida aos interesses econômicos dos grupos sociais dominantes, por isso não há preocupação em alcançar um juízo absoluto.
b) a crítica de arte se redefine conforme a evolução da sociedade, portanto, a crítica do passado é descartada tão logo surgem conceitos mais atualizados.
c) não há julgamentos definitivos na arte, uma vez que sua compreensão se relaciona com o contexto histórico-cultural, que está em constante transformação.
d) a arte do passado passou a ser compreendida no presente, assim a arte do presente será compreendida no futuro, de modo que a crítica de arte é anacrônica.
e) os críticos do presente são mais aptos para compreender a arte do que os críticos do passado, pois o homem do presente é livre de preconceitos e limitações.


Gabarito: b / e / d / c
Revisão de vestibular
Enviado por Isabel Lima F em 11/04/2021
Código do texto: T7229572
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre a autora
Isabel Lima F
Alagoinhas - Bahia - Brasil, 36 anos
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Isabel Lima F