COMUNICAÇÃO RACIONAL E ESPIRITUAL

Somos envolvidos por uma imensidão de eventos em nossas circunstâncias, assim como uma infinidade de elementos que nos rodeiam, seja na Terra que está ao nosso alcance, ou na vastidão do Universo, sobre o qual apenas podemos especular. Entre muitas coisas que intrigam a humanidade, onde a nossa compreensão não alcança, está a nossa curiosidade sobre nós próprios, pois não conhecemos a nossa origem, o nosso completo desenvolvimento, e nem mesmo o que realmente somos. Não temos o total conhecimento sobre a nossa própria casa, que é o Planeta Terra, com todo o seu conteúdo dos reinos animal, vegetal e mineral.

Para que um conhecimento seja admitido pela racionalidade, é necessário que a informação que esse conhecimento transmite, seja compreendida e admitida pela razão, que transforma o conhecimento em uma convicção. Porém, em paralelo, existe um fenômeno inevitável e constante, em contínuo e ininterrupto movimento, que a qualquer momento pode alterar, substituir ou simplesmente anular a convicção, cujo fenômeno chama-se evolução.

Todo esse contexto se desenvolve de forma desigual entre os indivíduos, o que elimina a possibilidade de uma comunicação linear entre eles, e note-se que estamos no terreno comum da racionalidade. É perfeitamente compreensível, que em se tratando de conhecimentos técnicos, que são específicos e restritos aos que se tornam especialistas nas diversas áreas, que esses conhecimentos sejam inapreensíveis para os leigos. Contudo, mesmo na esfera dos conhecimentos gerais, os conhecimentos não são uniformes, o que não permite que haja um regular entendimento entre os seres humanos, o que se agrava ainda mais, pela incapacidade das próprias palavras expressarem de forma inequívoca os nossos pensamentos, para que sejam integralmente compreendidos. Isso tudo no terreno da racionalidade, que está mais ao nosso alcance!

O que poderemos então cogitar, se adentrarmos na esfera da espiritualidade, onde evidentemente a complexidade é muito maior, pois trataremos apenas de insights absorvidos pela intuição, como um canal por onde se escoam as conexões espirituais, que não são, é claro, produzidos pela racionalidade, e não havendo a produção, não pode haver também a absorção dos conhecimentos espirituais de terceiros, pela total impossibilidade de se obter a necessária compreensão do seu significado pela via racional. Assim, é possível compreender, na primeira carta do Apóstolo Paulo aos coríntios, quando ele afirma: “O homem natural não aceita as coisas do Espírito de Deus, porque lhe são absurdas, e não pode entendê-las, porque se compreendem espiritualmente. Mas aquele que é espiritual compreende todas as coisas, ao passo que ele mesmo não é compreendido por ninguém”.

Essa realidade exposta pelo Apóstolo Paulo, torna-se um problema para aqueles que possuem o conhecimento espiritual, e que tornam-se solitários no meio da multidão, uma vez que ninguém o compreende, pois estão doutrinados pelos escribas das denominações teológicas, os supermercados da fé, que lhes inculcaram nas suas mentes, ao longo de muitos anos, as fábulas e genealogias, e a literalidade das Escrituras, que mantêm o sentido real subjacente à essa literalidade, fora do alcance, inclusive desses escribas profissionais.

Esse cenário, na sua amplitude, pode suscitar uma errônea interpretação dessas dificuldades, mas elas são propositais, quando se observa que o próprio Cristo disse aos seus discípulos: (E, aproximando-se dele, os discípulos lhe perguntaram): “Porque falas às multidões por meio de parábolas”? (Jesus lhes respondeu): “Porque a vós é dado conhecer os mistérios do reino dos céus, mas a eles não lhes é dado. Por isso falo com eles por meio de parábolas, porque vendo, não veem, e ouvindo, não ouvem nem entendem”). (Mateus 13:10,11,13)

A compreensão da linguagem espiritual se torna possível exclusivamente após a ocorrência do novo nascimento, quando se instala a comunicação do Espírito de Deus com o espírito do ser humano, e isso, é claro, não depende de nós. Esse evento ocorre pela Misericórdia do Pai, pelo Amor e pela Graça do Filho, na Unção do Espírito Santo, proporcionando o novo nascimento em Cristo, com a aquisição de dons, conforme 1 Coríntios 12:1 a 30, que serão utilizados pelos escolhidos conforme os desígnios do Senhor.

Assim, antes da ocorrência do novo nascimento, a linguagem espiritual não pode ser absorvida pela razão: “Ainda tenho muito que vos dizer; mas não podeis suportá-lo agora. Quando, porém, vier o Espírito da verdade, ele vos conduzirá a toda a verdade, E não falará de si mesmo, mas dirá o que tiver ouvido e vos anunciará as coisas que hão de vir”, conforme João 16:12,13.

Depois da ocorrência do novo nascimento, não haverá limites para que a razão possa compreender a linguagem espiritual, dependendo apenas do dom (carisma) que lhe for concedido: “E quanto a vós, a unção que dele recebestes mantém-se em vós, e não tendes necessidade de que alguém vos ensine. Mas, a unção que dele vem é verdadeira, não é mentira, e vos ensina a respeito de todas as coisas; permanecei nele assim como ela vos ensinou”, conforme 1 João 2:27.

A comunicação aleatória entre a razão e o espírito é impossível porque ela é impessoal, e somente poderá ser realizada após a unção espiritual, e a comunicação espiritual entre as pessoas só é possível se ambas forem ungidas. Mas, independentemente de tudo, os conhecimentos espirituais recebidos, são sementes que devem ser lançadas ao vento, pois só o Senhor conhece a “terra” onde elas brotarão. Por isso, como está escrito, o servo não deve enterrar os “talentos” recebidos, mas sim aplica-los para que rendam “juros” ao Senhor, que os entregou ao seu servo.

As pessoas que gostam de se aprofundar no estudo das Sagradas Escrituras, devem ter em mente, que a Bíblia é elaborada, sob uma literalidade deliberada, e ainda com fábulas (histórias) e genealogias que não levam a lugar nenhum, com as quais não se deve perder tempo, e subjacente a isso tudo, está a sua substancialidade que realmente interessa, e que se encontra dispersa de modo geral nos Profetas e Apóstolos, como um quebra-cabeças, cujas partes devem ser “encaixadas” entre si, pelos estudiosos, empenhados na busca dos conhecimentos espirituais.

Havendo interesse, algumas pesquisas no passado mais distante, e em obras mais recentes, poderão contribuir para aumentar as possibilidades, para a melhor compreensão espiritual. No passado mais distante, podemos citar Zenão de Eléia, Jacob Boehme e Baruch de Espinoza, além das ideias sobre Deus, de Albert Einstein. Mais recentemente, temos o Filósofo brasileiro Huberto Rohden, e o Geneticista americano Francis S. Collins. Com exceção do primeiro, todos os demais deixaram obras que poderão ser pesquisadas e analisadas mais profundamente. A Internet ajuda bastante.

Irmãos, observai o vosso chamado. Não foram chamados muitos sábios, segundo critérios humanos, nem muitos poderosos, nem muitos nobres. Pelo contrário, Deus escolheu as coisas absurdas do mundo, para envergonhar os sábios; e escolheu as coisas fracas do mundo para envergonhar os fortes. Ele escolheu as coisas insignificantes do mundo, as desprezadas e as que nada são, para reduzir a nada as que são, para que nenhum mortal se glorie na presença de Deus. (1 Coríntios 1:26 a 29)

O alemão Jacob Boehme (1575-1624), o maior mestre da Theosophia de todos os tempos, era um simples sapateiro.

*Que a Luz do Senhor resplandeça em outros Corações!*

Edgar Alexandroni
Enviado por Edgar Alexandroni em 27/09/2023
Código do texto: T7895514
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