A DANÇA DA MORTE

E o que é o tempo em sua companhia que não tem ferrolhos

Discorre qual água que agarramos

Vaga qual perdida lágrima por todos que amamos

E a todos silencia colocando granito nas frias pálpebras dos olhos...

Sombras somos sem o sol efervescente

E com ele não temos esconderijos, na superfície flutuamos

Somos como caranguejos que da lama desfrutamos

Sem saber que na fria brevidade, serão mortos em água fervente...

Para nos satisfazer do lamaçal em que atolados estamos

Somos como eles, quanto mais escondidos

Mas estamos sabendo onde se escondem e sucumbem

E lá onde puxamos a descarga é que somados nos fundem...

Somos fragmentos de um espelho quebrado

Que se espatifa no chão que haveremos de tombar

Não há cacos e filamentos iguais

Uns maiores outros menores

Há os que se voltam pra cima

Em busca da luz

E os que ficam embocados nas trevas da escuridão...

Quem haverá de julgar nossas almas inocentes

Que balança há de pesar nossa alma silente

Que jardim de esqueletos

Nos espera para o ultimo soneto...

E a vida passa de um jeito ou de outro diz o ateneu

E todos nós passamos por ela

Não adianta querer o lugar da janela

Vem a flanelinha e lhe passa o que Deus lhe mereceu

E o sangue é interrompido devagar e se desterra

E o poço se enche de água e migramos

Para a terra onde tudo começou e ali mesmo a vida se encerra...

A vida só vem da vida diz o vegetariano

Pergunto eu, se o enterrarmos

Qual árvore dele brotará?

E ao comedor de carne

Qual outra vida da carne dele se alimentará?

Como julgar o que não podemos compreender

É como prender um monge e ele se sentir feliz

Ou mesmo deixar livre um serial killer e continuará sendo um infeliz...

Muitas vezes a bandeira que tremula radiante

Diante do time que amamos como a mais querida amante

Sob o vento que a tremulou e a beijou

Está segura por uma haste de uma árvore que a praga matou

No meio da mulher há

Uma ferida aberta pela qual toda

A humanidade passa...

Tudo é uma questão de paciência

Logo o tempo faz calar ou calado se refaz

Eis a vida sempre dividida...Jesus ou Barrabás???

Jasper Carvalho
Enviado por Jasper Carvalho em 27/06/2021
Código do texto: T7288142
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