Caminhos

Posso ouvir a voz distance

Chamando, chamando

Não há muito para se ver

Quando não se pode ouvir

Não há nada a ganhar

Tão distante do verdadeiro lar

O canto e o pranto

Clamam ambos com espanto

Pela sua graça

Em meio a toda essa traça

Enredado fui por laços

Feitos de trapos

Pelas minhas mãos sujas

Este rosto cheio de rugas

Estes olhos meio cegos

Estes braços tão fracos

São traços esculpidos no barro

Na primeira esquina

Segui o caminho largo

Encontrei seres estreitos

Que clamam dia e noite à lua e ao sol

Enquanto se escondem do Farol

Na segunda esquina

Vou pelo caminho estreito

Onde encontro seres amplos

Até mesmo nos cantos

E sempre são consolados os prantos

No segundo caminho há um Farol

E os homens já não clamam mais à lua e ao sol

No segundo caminho há uma Luz

E essa aponta pra uma Cruz

Que não pode ser vista de longe

Ou por aquele que se esconde

No segundo caminho há um Rio

Que alegra minha cidade

E flui para a eternidade

R R Vieira
Enviado por R R Vieira em 17/03/2020
Reeditado em 17/03/2020
Código do texto: T6889654
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