Poema Nulo

como todos os outros

todos os outros meus

talvez todos mais que os meus

talvez ser nulo é ser poema

um ser nulo é um ser poeta

que o que sinto penso e digo

nunca será contigo

que o que sinto penso e escrevo

jamais será o que devo

e se um dia meu martelo

poder bater em tua porta

será claro: estará morta

adoeci-me sentindo

sentindo sem sentido

pra não curar ninguém

que curar ninguém queria

nem eu queria também

e tudo aquilo que não disse

talvez fosse o meu dever

falei por mim e fiz por nada

suicidei-me sem morrer

senti na pele não ser Deus

velando a dor de todo um mundo

e ouvi ao fim de umas senhoras:

“quem faz verso é vagabundo...”

mas sempre dará muitas voltas

as curvas do Espaço-Tempo

em suas não-curvadas

revoltas

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Alessandro Reiffer
Enviado por Alessandro Reiffer em 09/01/2009
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