Asas

Hinos cristalinos

embalam a ausência sinfônica;

Descrente em minhas orações,

minha ave sem asas voa e destoa...

Ave Maria costura meu choroso coração!

E num bailar de folhas moribundas,

Desertos que enfloram solidões:

O céu ainda é a mais doce ilusão...

E minhas palavras fraquejam às promessas,

Incansavelmente corrói cada molécula,

E seca...

destilando em silêncio a dor que a alma soterra.

Atenta ao caos,

Pássaros corrompem o céu,

Um bater de asas toca meu chão.

Tua casa ainda é o meu coração.

Ainda que dos meus olhos brotem oceanos,

Do meu peito brotem flores

desejadas por todas as estações,

Sem um par de asas...

Eu nada seria.

E quem ainda ouvirá a prece detida em meu íntimo?

Deus em pai,

substância agoniada da morte em nosso coração,

Me ame!

Me salve da custódia dessas constelações.

Porque o mundo e sua adjetivação

tem encurtado o tempo,

Enquanto desejamos um pedaço dessa sua eternidade,

Choramos a cada ausência de amor,

Esperando alcançar o voo para um céu sem ilusão,

Pois o amor é insistente...

Insiste em alçar voo que o senhor

desconhece em nossos corações.

Dylla Vicente
Enviado por Dylla Vicente em 15/06/2020
Reeditado em 19/02/2021
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