Lamentos da Caatinga

Ah! Chuva que me falta!
Banha-me lentamente
Com tuas gotas cristalinas
E me faz sentir bem forte
Cheiro de terra molhada
E tudo que é vivo acordar

Ah! Chuva que me falta!
Vem logo! E faz em mim
Brotar as muitas sementes
Que o vento trouxe de longe
E com carinho depositou
Em meu frágil e fértil corpo

Ah! Chuva que me falta!
Faz descer a tua nuvem
Com suas gotas preciosas
E venha alegrar o lavrador
Que de mim tão bem cuidou
Até que suas mãos calejou

Ah! Chuva que me falta!
Não demore tanto assim
Sem você fico tão cinza
E as vidas fogem de mim
Ou resolvem adormecerem
Até a sua nuvem enfim chegar

Ah! Chuva que me falta!
Mostra o relâmpago no horizonte
E a noite... Por favor!
Nos atenda!
Ordene que ele venha com trovões
Fazendo descer suas águas benditas
E nos traga depressa a alegria!

Ah! Chuva que me falta!
Sou caatinga adormecida
Esperando a tua vinda
Pra renascer a vida em mim
Meus rebentos estão sofrendo
Só porque você não vem...
***
Fátima Alves - Poetisa da Caatinga
Natal, 28.09.09
Texto publicado no meu livro "Retratos Sentimentais da Vida na Caatinga"
Foto de minha autoria
 
Maria de Fátima Alves de Carvalho
Enviado por Maria de Fátima Alves de Carvalho em 28/09/2009
Reeditado em 24/02/2017
Código do texto: T1836843
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