Por teus anseios


Sabes o quanto te amei, de quanto vivi nossos planos,
Bem conheces toda a dimensão deste amor infinito
Que nasceu assim, ao acaso, perdurando por tantos anos,
E que findou por teus anseios, deixando-me só, triste e aflito.

Em meu desespero por perder-te, tornei-me um asceta,
Desiludido, tornei-me um eremita em minha própria casa,
Refugiei-me em minha tristeza, tornei-me um mero poeta,
Flutuei no ar e, desprovido de ti, tornei-me Ícaro sem asa.

Não mais me bastava o sabor amargo da bebida ardente,
Que me conduzia, só, para o recôndito de mim mesmo,
Fugindo de tua imagem, presença constante em minha mente,
Vagando sem rumo, sem norte, sem ti, sem vida, a esmo.

Nos lábios, não mais um sorriso franco, um mero esgar,
Irônico, no aguardo da morte como refúgio derradeiro,
Triste fim para quem somente queria de volta, em seu lar,
O doce acolher de teus braços, em um abraço verdadeiro.

Hoje, vejo enfim, com enorme certeza, com total clareza,
Que não és meu fim, és o início do que vejo como meio,
Para o reencontro rumo ao infinito de nós dois, com certeza.
Voltarás para mim, para meus braços, ao suprires teu anseio!
LHMignone
Enviado por LHMignone em 06/08/2013
Reeditado em 30/09/2013
Código do texto: T4422331
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