Esperança

Esperança

Então percebi o solo vermelho

Olhei para ti e vi cravado no peito teu

Profunda e dolorosamente um punhal

De teus olhos, vidrados e aflitos

Percorriam vertiginosas lágrimas

Viscosas e rubras

De teu peito que arfava

Expulsara um grito rouco

Louco pela dor que ali jazia

E então viestes a cair

Pálida

E então cavei

Vai tão profundamente

Tão intensamente

Cavei até onde pude

Cavei até que minhas unhas deixassem meus dedos

E ai seus despojos ficaram

Criei um altar

Um recanto onde pudesse encontrar paz

Uma falsa paz

E o tempo foi passando

Do solo rubro nasceu uma flor

Vermelha intensa, tão intensa quanto teu sangue

Chamei de esperança

Então a destruí, pisei e aterrei novamente

Como outrora fizera

Mas a esperança ousava renascer

Por mais que meus esforços fossem o contrário

Dei-me por vencido

Caído, abatido, te agradeci

Olhei aos céus e genuflexo chorei

E nesse templo ainda há a flor mais bela

A esperança, ousada esperança

Que jamais desistirá de mim

Eduardo Benetti

Eduardo Benetti
Enviado por Eduardo Benetti em 21/08/2020
Código do texto: T7042303
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