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CORAÇÃO JOGADO FORA...

Coração jogado fora...

... Era uma tarde de Domingo de verão...

Depois de uma ligeira chuva, muito calor e mormaço quente..., calcei meu tênis, e bermuda, e peguei minha garrafinha com água, e fui fazer minha caminhada rotineira, após fazer por duas vezes o mesmo percurso, ao olhar para o meu lado esquerdo, do canteiro central da avenida, bem em cima de um entulho, avistei um coração abandonado, jogado, desprezado...

Aproximei-me, - junto a ele havia um bilhete escrito a mão, com versos rimados. Preso por uma fita rosa. Alguém o abandonou, desprezou, descartou-o, jogou-o ao lixo...

Você que passa; você que me vê... me leva contigo, quero ir com você!
Estou desprezado, abandonado estou!
Se não me levar vou chorar!...
Triste, magoado estou, mas posso te amar!
Só quero carinho!  Um pouco de amor talvez...

Fiquei a pensar: quem será a dona desse coração?...

Será morena? Loira? Alta, magra? Ruiva? Feia, ou bonita?
Mais jovem? Mais velha?... Não importa como será ela!
Tive vontade de acolhê-lo. Desejei ser seu eleito!... Mas... Afinal...
Meu coração já está ocupado... Eu já tenho minha pretendida.

Tentei encontrar uma resposta; porque um coração jogado ao lixo?...
Ninguém consegue viver sem coração...
Sua dona teria o abandonado, por quê? Um mal de amor? Uma desilusão?
Pus-me a imaginar: como seria ela! Estaria ela sofrendo muito ainda?
Desgosto? Solidão? Saudades? Paixão?

Aquele coração ali desprezado..., E se eu o socorrer? Mal de amor tem solução?
Resolvi resgatá-lo dali do lixo... Acolhê-lo talvez,...
Apanhei-o com jeito e o levei até um lugar melhor. Salvei-o dali do lixo, para ninguém o machucar.... Tão envolvido fiquei que me esqueci da minha caminhada.

Levei-o para um lugar protegido. Havia uma arvore ali perto.

Coloquei-o aninhado ali no “colo” daquela árvore. Estava molhado e ainda sujo de terra. Limpei-o, sequei, e ali o aninhei... Só não podia aninhá-lo junto ao meu coração. Pois meu coração já tem sua eleita. Ela é minha amada musa.
Valeu a pena! Fiz bem ao socorrer, resgatar aquele coração.
Sua dona irá me agradecer... Mesmo que a mim, ela não possa pertencer.

Aquele coração era de isopor, pintado de cor rosa com pintinhas pretas....

Coração pintado no isopor,...
Coração jogado fora,
Coração desprezado no canteiro,
Coração pintado fora....

Texto registrado no E D A, e protegido pela lei de direitos autorais, nº 9.610/1998. – RJ.  Arnaldo Leodegário Pereira  - Campo grande 06/11/2019.
 



Arnaldo Leodegário
Enviado por Arnaldo Leodegário em 06/11/2019
Código do texto: T6788519
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Arnaldo Leodegário
Campo Grande - Mato Grosso do Sul - Brasil, 65 anos
102 textos (8319 leituras)
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Arnaldo Leodegário