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Escorpião

Ateou-se o círculo de fogo,
Morno, ao longe inicialmente
De pequenas chamas iridescentes

Eu, pequeno artrópode atormentado,
Rodopio em torno de mim mesmo
Procuro saída e não encontro.

Vem a massa quente aproximando-se
Quente, sufocante ameaçando
Agora grandes chamas chamuscantes.

Em minha pele, o ressecamento
Em minha garganta, a secura insuportável
E dentro de mim ainda o anseio de fugir.

Fugir e não há saída
E a morte iminente a surgir
A certeza do crepúsculo e da noite

Não há próximo dia a raiar,
Nenhum vislumbre de água fresca
Nenhuma nota descrevendo uma melodia.

Pauta vazia, oca
Silêncio
Só o crepitar, o crepitar crescendo.

Giro novamente em torno de mim mesmo
A muralha de fogo intransponível
Sufoca-me, impede-me de respirar.

Não tolero esperar pela morte lenta,
Doloroso fim
Final que resolvo eu mesma definir.

Decido-me
Volto meu ferrão em direção às minhas costas
Cravo-o, enveneno-me, mato-me.
Izabel Martho
Enviado por Izabel Martho em 31/05/2005
Código do texto: T20982


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Sobre a autora
Izabel Martho
São José do Rio Preto - São Paulo - Brasil
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Izabel Martho