FALÊNCIA DA SOMBRA AO QUADRADO DE MIM

Minha sombra decretou falência

E minha mente que era tão cheia de versos

Hoje vê os inversos do vácuo vão da existência

Nesta penumbra elevada ao quadrado de mim...

E nem sei quando acordei assim

Não sei como o vento vislumbrou minha face

Roubando cada trecho do distante fim

Imerso na quinta potência do frívolo impasse

Há séculos perdido entre o não e o sim...

Não, eu não posso mais fugir de mim

E negar minha inépcia nesta vã derrota

Em cada sã revolta que se impregna aqui

Como se me olhasse no âmago da alma

E dissesse: idiota, você não confia em si !

Nem multiplica o ardor que acalma

Em cada espaço que se subtrai daqui

Porque você é apenas nada

Somada a tudo que já fez sorrir

Este coração que só sente e brada

Como as ondas que vão dali

Hipnotizando o vento, sem fazer as pazes,

No transcendental tormento das emoções vorazes...

E, por tudo isso, minha sombra decretou falência

Nesta incongruência do começo ao fim

Multiplicada pelo quadrado da efervescência

Que se esvaiu e não olhou pra mim.

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