Enclausurada

A chuva desse feroz

E eu. Transitória

Sou barco desvairado

Desenganada - Em um mundo retrógrado

Nos anseios noturnos

Sou meu jogo

Minha arbitrariedade

Sou minha ansiedade

Sou um lugar fechado

Sou minha extremidade

Sou meu próprio grito

Em um estado de espírito

Particular e peculiar

Sou uma frase não dita

Sou metade humana

E a outra sou bicho

E na arte de me esconder

Esperanças deixei de ter

Sou pipas coloridas no céu

Voando ao infinito

Aos olhos encantados

Dos meus inimigos

Recito meu cordel

Rabisco meu papel

Guardo os segredos

Que nunca são ditos

Sou abstrata

Sou sombra

Sou escuridão

Me recolho

Me abandono

Me deixo ali

Aprisionada

Enclausurada

Tranco a porta

E Fim

Claudeth Oliveira
Enviado por Claudeth Oliveira em 19/10/2018
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