FIM

- Estou sentado a beira do abismo,

Abandonado, sem plateia, esperando o caus.

Sem certezas ou teogonias para aclarar meus sentidos.

Tudo que existe a partir daqui é o fracasso, o nada.

Sem violino, sem músico, sem maestro.

Nem um sino a badalar, só há um som estridente vindo em minha direção, um Vento impetuoso, um ranger de laminas em guerra.

Quando diante de mim se aproxima, acalma e de mala vazia, vai embora.

Assim é monotonia é desespero, Sempre achei que merecia um final melhor.

Quero drama, ação, uma orquestra, público em extase, uma multidão comovida pra dizer: Vá em paz, vai deixar saldade e do outro lado o contraditório. Era um condenado, ninguém gostava, já vai tarde. Poxa! Ao menos isso.

Quanta injustiça adquirida. Família, amigos, PATRÃO, ah, o ESTADO, onde estão?, fui um bom cidadão. Isso era tudo ilusão.

Do circo da vida fui o palhaço, a bola na plateia, o intruso vira- lata tentando divertir a criança mimada. E eu todo feliz me portando de bacana, quanta idiotice a minha, Cheguei ao fim. Mas isso nao vai ficar assim, recuso-me a ir, descer esse precipício, mereço um papel melhor.

Diretor, cadê o diretor? aaai, que zoeira são essas, parecem laminas golpeando águas, se veem porque vão embora sem mim. Aaai, tenho que sair daqui. Querem me enlouquecer, Mais uma vez me recuso a seguir. vou voltar em cada esquina onde andei e questionar. Que peso da banlança empenhei, isso fere e sufoca.

Poxa, mas voltar leva tempo. Pode durar dias meses anos, sei que posso tentar. Mesmo que eu encontre as mesmas pessoas ingratas com quem brinquei, sorri e amei. Mesmo que eu encontre aqueles por quem sofri e de me zombaram,

Eh!, talvez seja isso, vou pedir perdão até mesmo daqueles que não ofendi.

recuso-me com todas as forças a morrer figurante. Sem papel principal, Sem nome, sem parente. Aaai de novo não, laminas, mala aberta, NÃÃO!! NÃÃO!!.

- Acabou, deixe tudo, Não há volta, esse é o fim.

Itacoatiara 28/03/2020