FLORÊNCIO

Eu poderia ter concordado com a brevidade das flores, Florêncio.

Enquanto a primavera desflorecia a vida em tuas pétalas, hoje...

tantas, tantas vezes somos a morte,

morremos com a réstia de teu riso.

Eu sinto muito.

Sinto pela insuficiência de ser nada,

pela cinza que somos e por tudo aquilo que não poderá ser.

Florescente.

És a criança que ainda sorri entre aquele buquê de flores, Florêncio.

Ficou tua gentileza que sorria em teus tímidos e medrosos encantos.

O nosso corpo sempre será lento demais para entender a cineraria de tua ferida.

Eu te guardo.

E não chores a partida...

Eu vi uma linda, linda vida!

(Para Daniel Florêncio)

Dylla Vicente
Enviado por Dylla Vicente em 03/09/2019
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